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Crise Mundial - Até que ponto vc sabe o tamanho do problema





cparakawa
Este post só serve para disseminar pânico. Se vc prefere não ver e nem saber que a crise é muito pior do que o noticiário faz crer, nem leia.

Segundo o noticiário, a crise é causada pelo mercado de subprime americano, hipotecas que não estão sendo pagas e levando a uma quebradeira em massa. Ledo engano.

A causa real da crise é um mecanismo financeiro chamado CDS (credit default swap).

Eu sei que a grande maioria aqui é leiga em economia, então vou tentar explicar de forma simplificada. Se tornou comum uma operação bancária aonde dois agentes (bancos, seguradoras, empresas, etc) fazem um contrato sobre um determinado valor X sobre uma empresa Y. A remuneração é um percentual de X a partir da situação de Y. Por exemplo, um banco A faz um contrato com o banco B, com um valor de $100k, sobre uma empresa que tem classificação AA+. Se a empresa recebe uma avaliação relativamente negativa no mercado, A paga uma diferença para B, se a empresa tem uma avaliação relativamente positiva, B paga para A.

Tentando simplificar mais. Imagine duas pessoas que fazem uma aposta. Um é são-paulino e o outro é palmeirense. O contrato é no valor de 10k reais, e para cada 1 ponto que o seu clube fica à frente do outro no campeonato, o torcedor do outro clube é obrigado a pagar 1%. Se Palmeiras e São Paulo tem 35 pontos, Palmeiras empata e São Paulo perde, Palmeiras fica um ponto na frente e o são-paulino tem que pagar 100 reais pro palmeirense. Estes pagamentos são periódicos, não se espera o campeonato acabar, os dois fazem um ajuste de contas duas vezes por mês, por exemplo.

Para que serve uma operação destas? Esta operação quase não aparece nos balanços contábeis, é um jeito de mascarar sua posição de risco. O custo da operação é muito baixo, visto que não há regulamentação. O valor sobre o que se faz a aposta normalmente não existe, não precisa comprovar ativos, não precisa de garantidor/fiador - ou seja, criação de crédito infinita.

É como vc fazer um contrato de risco sobre um carro novo, e a contraparte ter como garantia um carrinho de rolimã. Parece piada, mas o Bear Sterns (banco que já quebrou) fez um CDS de 1,3 bilhões com uma empresa que tinha patrimônio de 5 milhões.

Algo que o noticiário jamais vai dizer é que esta criação de recursos a partir do nada é que impediu uma crise após os atentados e esta pujança de recursos é que permitiu todo o crescimento econômico da última década, inclusive no Brasil. É só ver o preço das commodities que o Brasil exporta e as empresas brasileiras que foram ao exterior atrás deste crédito barato.

Usando o bom senso, a partir da crise do subprime. Imagine que vc tem dinheiro e resolve ganhar algum emprestando. Vc emprestaria para alguém comprar uma casa, sabendo que a pessoa não tem rendimento suficiente e tem histórico ruim de crédito (ficha suja) ou mesmo é muito jovem para ter histórico de crédito? Dinheiro não dá em árvores, é muito risco de levar calote, então não tem empréstimo. Só que emprestaram. PORQUE DINHEIRO DÁ EM ÁRVORES, ESTAS ÁRVORES SE CHAMAM CDS. O subprime foi criado pelos CDSs, vc só empresta dinheiro pra qualquer ramelento SE houver muito dinheiro sobrando.

Para quem lembra das pirâmides financeiras, é parecido. Vc coloca 100 reais num investimento furado qualquer, aí chama mais 4 para colocarem 100 e vc tira 200. E assim vai. Chega uma hora que não tem mais gente para entrar na canoa, aí a pirâmide desmorona. No caso da crise financeira atual, os bancos entraram VÁRIAS e VÁRIAS vezes. Não foi falta de gente, o problema é que um banco gigante quebrou, o Lehman. Quem tinha operações com este banco (especializado em CDS), perdeu. E todo mundo que teve operações com o Lehman e teve prejuízo, não vai ficar falando.

Imagine que existe uma vizinha (ou vizinho) linda e vc começa a sair com ela na surdina. Descubra que ela morreu e que vc pegou todo o abecedário de doenças venéreas. Descubra que vc não foi o único e, quem andou saindo com ela, não vai dizer. Vc vai confiar em quem? Vc vai ter coragem de contar pra todo mundo que está contaminado? Resultado: ninguém mais sai com ninguém, no caso dos bancos, ninguém mais empresta pra ninguém. E os bancos vivem desta movimentação financeira.

Pensando como militante acéfalo de partido de esquerda: "que quebrem os grandes bancos, é o fim do capitalismo financeiro!". Só esqueceram de avisar que todas as empresas precisam dos bancos, não dá pra ficar guardando dinheiro no colchão. Uma empresa que tem sobras no caixa deixa o dinheiro no banco, assim vai ter alguma remuneração. E toda grande empresa tem buracos no caixa ao longo do mês, são os bancos que tapam estes buracos por períodos curtos. É como um limite de cheque especial. Se os bancos quebram, eles não vão sozinhos.

Agora a questão mais importante: "os bancos fizeram besteira, mas se os governos ricos socarem dinheiro nos bancos, eles vão se recuperar nas perdas.". Só pra ter uma idéia, o governo americano colocou 285 bilhões em 3 empresas: Fannie Mae, Freddie Mac e AIG. Mais o pacote de 700 bi. É dinheiro pra caramba, quase o PIB do Brasil. O mercado não se recuperou por quê?

Custo das guerras no Afeganistão e Iraque (6 anos) - 1 PIB americano, 15 tri.

Custo do buraco dos CDSs (alguns meses, antes que o mercado acabe de derreter) - 3 PIBs americanos, uns 43 tri, depende da estimativa.

Se vc conseguiu chegar até aqui no texto, então já deve ter visto que o problema é sério. As guerras americanas queimaram muito dinheiro durante 6 anos. Vc precisa de 3 vezes este valor de forma quase imediata para sanar a crise, fora o fato de que nenhuma das instituições financeiras quer mostrar os "esqueletos". E as guerras só foram possíveis por causa da "farra" dos CDSs, diga-se de passagem, assim como empréstimos para possíveis caloteiros e outros. A festa acabou.

É uma nova crise de 29? Talvez, talvez seja até pior. O Brasil se saiu até relativamente bem em 29. Só que hoje a pauta de exportação do Brasil não se resume só a café. E temos uma série de produtos que precisamos importar, fora empresas estrangeiras em solo nacional e espresas brasileiras no exterior. O mundo está muito mais conectado economicamente hoje do que em 29, óbvio.

Por quê o noticiário não fala da real dimensão da crise? Primeiro, porque a maioria da população não vai entender nada, é mais fácil falar de OVNIs. Segundo, porque já tá ruim, é melhor não ficar espalhando pânico. Eu tentei simplificar bem as coisas neste post, e imagino que muitos que o lerem vão continuar não entendendo.

As bolsas estão desabando (ou derretendo). É movimento especulativo (pra deixar cair e depois comprar baratinho)? Não. Muitos estão se desfazendo das ações para fazer caixa e tentar tampar os rombos da crise. E muitos sabem que é melhor tirar 30 de uma ação que valia 100 do que esperar ela cair para 10. A menos que aconteça algum milagre, as bolsas vão continuar caindo. É dinheiro evaporando.

Este texto é um esboço, tem sido trabalhoso explicar a crise para muitas pessoas próximas. Explicar que a crise é extremamente grave.

Warren Buffet, que vai e vem é o sujeito mais rico do mundo, disse que os CDSs são armas de destruição em massa, em 2005.

Alguns links:
http://en.wikipedia.org/wiki/Credit_default_swap
http://www.economist.com/finance/displayStory.cfm?source=hptextfeature&story_id=12274112
http://www.bbc.co.uk/blogs/thereporters/robertpeston/
http://online.wsj.com/public/us

Quem quiser entender mais sobre a crise, pode fazer buscas sobre a quebra do Lehman Brothers e o do porquê da AIG (maior seguradora americana) ter ido pro limbo.

Bem vindos a uma grande crise mundial.

[]'s
sergio_ykz
Sempre gostei da forma que você explica economia (inclusive lembro-me sobre um tópico sobre investimento em ações) e estava esperando sua opinião sobre a crise.

Uma dúvida me surgiu, as operações de CDS, são puramente especulativas como você colocou, ou a realmente a troca de papeis de crédito, como em operações de fomento?
cparakawa
Uma operação de CDS pode ser arranjada como se fosse um seguro. É um dos tipos mais clássicos, um dos tipos Vanilla. Serve como uma forma de seguro, sem regulamentação, sem garantia, e muito mais barato. Por exemplo, B quer fazer um CDS Vanilla para assegurar uma operação qualquer.

B paga, todo mês, 0,5% sobre o valor do contrato. Caso o bet se altere, A paga o valor todo do contrato para B. Exemplificando melhor. Uma empresa que se especializa em hipotecas tem 1 milhão em empréstimos. Para assegurar este montante, ela faz um seguro via CDS com o Lehman Brothers. O acordo é pagar 0,5% todo mês para o Lehman, caso a remuneração das hipotecas caiam abaixo de determinado nível, o Lehman é obrigado a pagar 1 milhão para a empresa de hipoteca.

Para complicar as coisas, a empresa de hipotecas, visualizando possíveis calotes, pode fazer o mesmo contrato com 10 bancos, todos os contratos no valor de 1 milhão. Caso eles tomem um calote de 20%, eles não recebem 200 mil, eles recebem 1 milhão de cada banco, 10 milhões ao todo. É uma aposta. Cabe a cada um dos bancos aceitar ou não, se eles fizeram péssimas avaliações de risco, eles perdem dinheiro. Uma perda de 200 mil no mercado de hipotecas se transforma em perdas de 10 milhões (50 vezes mais).

Pelo fato dos CDSs não serem regulados, vc tem inúmeras opções de uso, e diversos níveis de risco.

Retornando ao exemplo. O Lehman pode reassegurar o CDS de 1 milhão com outro banco. E cria um novo CDS. Ou vários CDSs. E assim vai. Não há limite para a criação de crédito. Só que, se um quebra, os outros caem juntos, notadamente nos contratos em que há resgate total do contrato ao invés de se arbitrar a diferença.

As operações de CDS não são garantidas. "La garantia soy yo". É por isto que eram operações tão comuns, ter garantias e papéis de lastro são um custo para a operação e, ao mesmo tempo, um limite para o crescimento. As operações de CDS são muito mais comuns na Europa, pois o mercado é muito mais regulado, portanto as operações são muito mais engessadas.

Quem olha o noticiário, se preocupe com os pronunciamentos das autoridades. A maioria dos jornalistas está boiando. O FMI disse que os países ricos tem que evitar o derretimento do mercado financeiro - meltdown é o termo da moda. Não é exatamente derretimento, quando se derrete algo vc tem líquido ou nada. Os bancos tem um buraco negro por dentro. Observe o noticiário, bancos com ativos de 300 bilhões são vendidos por 300 milhões. Ou seja, existe algo dentro deles que é negativo e que não aparece nos balanços (de onde vc vê o ativo).

http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200809260300_RED_77463284

Para piorar a situação, na reunião do G20 (países ricos mais países remelentos de vulto), só com os ministros da Fazenda, o Bush compareceu, assim como o presidente do Fed (BC americano) e o secretário do tesouro, já estão implorando e passando o pires - China tem reservas monstruosas, o Brasil é o quarto maior credor do tesouro americano. Até tiraram a Coréia do Norte da lista de países terroristas - é hora de se concentrar em problemas mais importantes. A situação está ruim, o mundo "real" ainda não tomou noção do problema. É como um câncer se alastrando por dentro de uma pessoa. Na hora que aflorar, já está podre por dentro. Algumas empresas do mundo real já estão sendo afetadas. A GM é um exemplo, ela já está mal das pernas faz tempo e tem sobrevivido deste "excesso de crédito" do mercado. A fonte secou, já há um pedido de US$50 bilhões no congresso americano para salvar a GM e propostas de fusão com a Ford, ou com a Chrysler, ou todas juntas. A população só vai tomar consciência da crise quando as empresas começarem a fechar em quantidade.

Eu não vejo opções muito realistas para a crise. É bem possível que os países ricos tenham que emitir dinheiro em grande quantidade. Ou seja, inflação de 2 dígitos. Talvez 3 dígitos. Voltando ao exemplo do câncer, não dá pra saber se a quimioterapia seja uma opção tão boa ao câncer.

[]'s
rafael2112
Crise será?
Acho dificil prever o que vai acontecer, no momento afetou os bancos e setor imobiliário(grandes metrópoles como Nova Iorque não se abalaram), mais creio que vai afetar o crédito empresarial que é o mais grave, que realmente esta em crise e setor bancario, mais arrastou a bolsa de valores junto, o que preocupou o governo, que a principio não queria aprovar o pacote pra socorrer alguns bancos privados...

Recessão?
Se o banco não fornece crédito, o que as pessoas vão fazer com o dinheiro das prestações? investir em poupança, nesse caso os bancos deveriam fornecer crédito para atrair investidores, se não tem credores a renda para investidor será pequena, o que farão com dinheiro....consumir evidente só os setores de grande investimento(imobiliario e talvez o automotivo)
rafael2112
cparakawa gostei muito do texto, mais vou acrecentar alguma coisa.

Code:
É uma nova crise de 29? Talvez, talvez seja até pior. O Brasil se saiu até relativamente bem em 29. Só que hoje a pauta de exportação do Brasil não se resume só a café. E temos uma série de produtos que precisamos importar, fora empresas estrangeiras em solo nacional e espresas brasileiras no exterior. O mundo está muito mais conectado economicamente hoje do que em 29, óbvio.

Crise de 29 foi a queda da bolsa por especulação, alguns bancos faliram na sequencia mais diferentes de outras crises, teve a grande seca que assolou os EUA, muitos produtores faliram passaram fome na verdade.
Tem toda a razão o Brasil tem muito a perder, a Argentina que era um pais de 1 mundo na decada de 80, bastou uma crise mundial pra sair do status.



Quote:
Custo das guerras no Afeganistão e Iraque (6 anos) - 1 PIB americano, 15 tri.


2 Guerra mundial-Fabricaram milhares de aviões(um bombardeiro B-29 não durava 60 dias)
Milhares navios, os que não foram afundados hoje devem ser sucatas, uma guerra das mais caras que deve se ter visto, e ainda sobrou dinheiro para reconstruir a europa (plano Marshall)

Guerra do Vietna- Acelerou a econômia

Guerra do Golfo-Recessão...vai entender

Econômia infelismente não se resume na fabricação de coisas úteis a subsistência, além do mais a guerra do Iraque é puramente econômica, pois o pais estava em embargo de petróleo, tirando o Sadam tudo se resolve e preço do barril deve diminuir (pelo menos é essa a idéia).

Quote:
Eu não vejo opções muito realistas para a crise. É bem possível que os países ricos tenham que emitir dinheiro em grande quantidade. Ou seja, inflação de 2 dígitos. Talvez 3 dígitos. Voltando ao exemplo do câncer, não dá pra saber se a quimioterapia seja uma opção tão boa ao câncer.


Se tiver recessão não vejo o porque emitir papel moeda, pois a econômia desacelera, menor circulação dinheiro, menor inflação também...
mariohs
Ótimo texto. Consegui entender alguma coisa. Gostaria que desse um pouco mais da sua opinião.

O Lehman quebrou justamente pelo calote das hipotecas?
Qual o impacto direto e indireto para nós?
O quer fazer para quem tem dinheiro aplicado em fundos, em ações, etc?
Tem solução para essa crise toda? Acha que vai dar certo?
O que acha que realmente vai acontecer daqui pra frente?
Pode explicar o CDO também? Very Happy

Desculpe o amontoado de perguntas, fiquei curioso, e sou completamente ignorante no assunto.
cparakawa
rafael2112 wrote:
Code:
É uma nova crise de 29? Talvez, talvez seja até pior. O Brasil se saiu até relativamente bem em 29. Só que hoje a pauta de exportação do Brasil não se resume só a café. E temos uma série de produtos que precisamos importar, fora empresas estrangeiras em solo nacional e espresas brasileiras no exterior. O mundo está muito mais conectado economicamente hoje do que em 29, óbvio.

Crise de 29 foi a queda da bolsa por especulação, alguns bancos faliram na sequencia mais diferentes de outras crises, teve a grande seca que assolou os EUA, muitos produtores faliram passaram fome na verdade.
Tem toda a razão o Brasil tem muito a perder, a Argentina que era um pais de 1 mundo na decada de 80, bastou uma crise mundial pra sair do status.


A bolsa caiu por especulação, só que a fome foi só um componente extra da crise. O maior problema foi uma crise de investimento/consumo. Após o crash da bolsa, as pessoas minimizaram investimentos e compras para recuperar o que perderam, fora a própria crise de confiança. Isto impulsionou a crise até 1931 nos EUA. E o país só se recuperou lá pra 1933. O maior problema não é a seca, é produzir e não ter para quem vender. É só ver fotos da época, com pessoas vendendo maçãs na rua.

Quanto à Argentina, ela foi rica até a segunda guerra mundial. Após a guerra, com o advento do peronismo, balbúrdia política, golpes de estado, etc, etc, A Argentina chegou quebrada nos anos 80, sem dinheiro e com o parque industrial sucateado. Normalmente se perde primeiro o dinheiro, depois o status.

Quote:
Quote:
Custo das guerras no Afeganistão e Iraque (6 anos) - 1 PIB americano, 15 tri.


2 Guerra mundial-Fabricaram milhares de aviões(um bombardeiro B-29 não durava 60 dias)
Milhares navios, os que não foram afundados hoje devem ser sucatas, uma guerra das mais caras que deve se ter visto, e ainda sobrou dinheiro para reconstruir a europa (plano Marshall)

Guerra do Vietna- Acelerou a econômia

Guerra do Golfo-Recessão...vai entender

Econômia infelismente não se resume na fabricação de coisas úteis a subsistência, além do mais a guerra do Iraque é puramente econômica, pois o pais estava em embargo de petróleo, tirando o Sadam tudo se resolve e preço do barril deve diminuir (pelo menos é essa a idéia).


A primeira coisa a se lembrar o tamanho do rombo ou do impulso da guerra na economia. A segunda é que a guerra não tem interesses econômicos de forma ampla, há interesses estritos muitas vezes não de acordo com "interesses nacionais" amplos. Cada guerra é uma história diferente. Assim como havia interesses para os EUA ficarem neutros na segunda guerra, havia interesses para que o país entrasse na guerra. E vc entra em algumas guerras para perder. É o caso do Vietnã. É o caso do ataque da Geórgia às províncias separatistas.

As questões que envolvem interesses econômicos e geopolítica não são tão simples de se explicar. A segunda guerra do golfo até faz sentido, mas algumas coisas deram errado. Principalmente o fim do crédito dos CDS.

Quote:
Quote:
Eu não vejo opções muito realistas para a crise. É bem possível que os países ricos tenham que emitir dinheiro em grande quantidade. Ou seja, inflação de 2 dígitos. Talvez 3 dígitos. Voltando ao exemplo do câncer, não dá pra saber se a quimioterapia seja uma opção tão boa ao câncer.


Se tiver recessão não vejo o porque emitir papel moeda, pois a econômia desacelera, menor circulação dinheiro, menor inflação também...


Falando sobre economia. Muita gente acha que o dinheiro que circula se resume às cédulas e moedas emitidas pelo governo. O dinheiro "manual" é um certificado emitido pelo governo. A base monetária são os certificados emitidos pelo governo: papel-moeda e títulos do governo, isto dá o M1. Só que o dinheiro em circulação não se resume a isto. Existem M2, M3 e M4. Que vão incluindo depósitos bancários, títulos privados, etc. Vc precisa de um determinado de volume de dinheiro (M4, que seja) para permitir que a economia funcione. Se os bancos quebram e os títulos privados vão pro buraco, a alternativa é aumentar a participação do governo na quantidade total de moeda disponível, mantendo a relação moeda/PIB. Como pode não haver compradores para títulos públicos, sobra emitir dinheiro. Se M1 se torna quase igual a M4, o setor privado faliu e o país está em recessão - considerando que não seja um país com economia estatizada.

E existem casos de recessão com inflação. O governo, na dificuldade de obter dinheiro para pagar as contas, emite dinheiro. Mesmo com o país em recessão, empresas demitindo, baixas vendas, etc. Bem vindo aos anos 80 no Brasil. E a circulação de dinheiro era veloz.
cparakawa
mariohs wrote:
O Lehman quebrou justamente pelo calote das hipotecas?

O trigger/gatilho da crise foi o subprime, só que ninguém menciona que o subprime só foi possível por causa do excesso de crédito advindo do CDS.
O Lehman era um banco que operava fortemente no CDS, assim como o Merryl.
É mais fácil explicar pro povão que a crise veio de calotes na hipotecas do que explicar porque os bancos emprestaram dinheiro para quem provavelmente ia dar calote.

Quote:
Qual o impacto direto e indireto para nós?

Para quem tem ações, trabalha no mercado financeiro, aplica em qualquer fundo lastreado em títulos privados, a crise já está aí.
O desemprego só chega quando as empresas tem que apertar o cinto ou simplesmente quebram, o que já é o caso nos países ricos.
No caso do Brasil, devido à nossa forte dependência de commodities/exportações, as empresas da área vão enfrentar problemas com queda dos valores de produtos e mesmo cancelamento de contratos devido à recessão nos países ricos, que vão passar a comprar menos. Soja, laranja, aviões, etc. Possibilidade de desemprego direto.
Outro problema são empresas brasileiras que levantaram dinheiro no exterior, como é o caso da Gol. Além de ficarem sem acesso a este tipo de recursos para financiamento, tem que pagar mais em reais devido à desvalorização cambial.
O contágio da crise mundial pode ter um impacto menor no Brasil, mas talvez o Brasil possa enfrentar apenas uma queda no crescimento. Vai depender de Brasília. As instituições brasileiras não operam fortemente no mercado de CDS, o que já é um alívio.

Quote:
O quer fazer para quem tem dinheiro aplicado em fundos, em ações, etc?

O ideal é não se afobar. Caso vc consiga diminuir as perdas, venda. Só para ter uma idéia, as ações perderam 90% do valor na crise de 29. Este valor foi recuperado em 30 anos, valores médios. Quem quiser esperar, que espere. A maior parte das perdas não vai ser recuperada num prazo de um ano. Ponto. Se vc pagou 100 e puder vender por 50, antes de cair para 30, já tá valendo. Se vc quiser vender agora e esperar para recomprar quando bater 30, é uma opção. Se quiser esperar voltar a 100, sente e espere.

Devido à entrada dos governos no mercados, a bolsa voltou a subir. Está muito longe de recuperar as perdas da semana passada, muito menos o acumulado do ano. Resta saber se esta alta é só um alívio antes de uma próxima queda ou o mercado vai se estabilizar.

Quote:
Tem solução para essa crise toda? Acha que vai dar certo?

A única solução possível é a que vem sendo tomada: injeções maciças de dinheiro público nos mercados financeiros. São dois objetivos: impedir que grandes instituições quebrem e dar liquidez ao mercado - ou seja, permitir que haja muito dinheiro disponível e que as instituições financeiras voltem a emprestar entre si, às empresas e às pessoas físicas.
Que funciona, funciona. Só resta saber o quanto de dinheiro precisa ser jogado no mercado. Estou sem dados atualizados, mas é provável que o socorro, com estes novos pacotes, atinja mais de $5 TRI. É suficiente? Ninguém sabe. Ninguém. Pode estancar a hemorrogia e deixar apenas uns sangramentos. Pode estancar e estourar de novo. Na minha opinião, não dá pros governos, mesmo que queiram, segurar todas as instituições financeiras. Algumas vão ter que ficar de fora do guarda-chuva, e muitas já quebraram. Saber qual a quantidade de dinheiro que vai permitir salvar parte do mercado financeiro, ao ponto de impedir que a recessão se torne em depressão, é uma grande incógnita.

Quote:
O que acha que realmente vai acontecer daqui pra frente?

Esqueletos vão continuar aparecendo, bancos vão continuar quebrando e a recessão vai piorar nos países ricos. Meu cenário otimista é que o aprofundamento da crise seja lento, então vai ser possível que a recessão seja menos contundente, e o próprio tempo é um fator para a recuperação econômica. Meu cenário pessimista é que as injeções não são suficientes e talvez nem sejam, o setor financeiro entre em crise sistêmica e muitas empresas que não se sustentam sem empréstimos quebrem. E estas empresas empurram outras pro buraco e a quebradeira se alastra. Se vc chega num ponto em que a infra-estrutura do país fica comprometida e em que o governo não consegue pagar suas contas, virou depressão.

Se vcs acham que é irreal acontecer isto:
http://online.wsj.com/article/SB122367066649923931.html

A indústria automobilística tem uma capacidade de linkage (influenciar outros setores da economia) muito alta, só perde para o setor de imóveis (que foi pro buraco nos EUA e Europa). A indústria automobilística americana já vinha em uma situação ruim, agora está pior.

A única coisa boa de uma crise grave é que o Brasil vai sofrer um impacto relativamente bem menor caso ela se transforme em depressão. Até o ministro Mantega, que dizia aos 4 ventos que nós estávamos imunes à crise, já mudou o discurso e já fala sobre nossa vulnerabilidade.

Quote:
Pode explicar o CDO também? Very Happy

http://en.wikipedia.org/wiki/Collateralized_debt_obligation
Acho que explica bem. Quando vc começa a destrinchar os diversos tipos de operação, aí começa a virar bagunça. É quase impossível alguém conhecer todos os tipos de operações possíveis e imagináveis. É que nem imaginar o Photoshop e a quantidade de plugins e penduricalhos possíveis.

[]'s
mariohs
Muitíssimo obrigado pelas respostas.

Sobre emprestar dinheiro pra quem provavelmente vai dar calote e CDS. Deixa eu ver se entendi. Basicamente eu tenho dinheiro sobrando, resolvo emprestar para alguém. Para evitar o calote, eu faço uma operação de CDS, com um banco, caso eu leve calote, o banco me paga um certo montante. É isso? O tal banco pode fazer um CDS também sobre o "empréstimo" que fez a mim, caso eu quebre e não consiga pagá-lo, e assim por diante? Li algo sobre venda de "apólices" de CDS para outras instituições, tem dessa também? E é dessa tal farra que você fala quando diz que CDS não é algo regulado?
cparakawa
Como seria uma operação entre pessoas "normais"?

No caso da hipoteca: vc pega o dinheiro da instituição financeira e dá, como garantia, a própria casa a ser comprada. No caso de um banco central, as regras são bem restritas, o empréstimo tem que ser feito a risco zero. Ou seja, o banco central empresta dinheiro e o emprestador tem que dar títulos do tesouro ou do próprio banco central como garantia, não dá pra ter garantia maior que esta.

No caso dos CDSs, não existe garantia. Teoricamente, o próprio tamanho de dois bancos já é uma garantia. Entretanto, são dois problemas. Um é que a instituição financeira pode lançar CDSs em quantidade muito superior ao tamanho do próprio banco. O outro é que instituições inexpressivas também entraram no trem da alegria.

Pessoas físicas não fazem este tipo de operação, da mesma forma que pessoas físicas não tem acesso a um título público.

Algumas operações de CDS funcionam como uma espécie de seguro. Mas existem operações de CDS que são cassino puro. Por exemplo: Um contrato de 100.000, se a bolsa atinge um determinado patamar, vc leva tudo. Se não atingir, vc paga os 100.000. Parece brincadeira, mas existe este tipo de operação em alguns mercados, mesmo para pessoas físicas, mas vc precisa de um depósito que não cobre todo o valor (20-50%). São operações alavancadas, vc não tem dinheiro suficiente para bancá-las. Vc pode alavancar uma operação para ter valor suficiente para alavancar outra(s). É estranho acreditar que uma instituição financeira fazia operações apenas baseada na "palavra" do outro. Mas funcionou assim.

Quem fala em aplicar na bolsa à longo prazo, a meu ver, é uma anta. Sinto muito. E já penso assim desde muito antes da crise. Não dá pra criar um portfólio e ficar sentado em cima dele esperando valorizar. Vc não precisa alterar suas aplicações diariamente, mas ao longo do tempo um portfólio com boa rentabilidade/risco pode ser ótimo hoje e péssimo daqui 6 meses.

É por isto que a farra dos CDSs foi gigantesca. Era excelente, mesmo sabendo da quantidade de CDSs podres. Só que a maré virou. Neste momento, quando vc não confia no mercado financeiro, bolsas caem, governos podem emitir para combater a recessão, vc tem idéia de qual o investimento que tem subido?

http://newsvote.bbc.co.uk/1/shared/fds/hi/business/market_data/commodities/11632/one_month.stm

Em barra, papel não serve. Investimento garantido faz milhares de anos.

E sim, o banco pode fazer CDS sobre CDS, do mesmo tipo ou tipos diversos. E vários CDSs em cima de uma mesma operação "real", que é o caso das hipotecas. É como as pirâmides que já foram moda no Brasil, enquanto está subindo, mesmo sem base real alguma, todo mundo entra, todo mundo tá feliz. Só que alguma hora a pirâmide desaba. A pirâmide dos CDSs está desmoronando agora.

As bolsas subiram fortemente hoje. Mas olhe a notícia:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/7668020.stm

FTSE (Bovespa da Inglaterra) sobe mais de 8% e governo injeta quase £60 bi nos bancos. E as ações dos bancos caem. Tem muita coisa pra ser derretida ainda.

Outra coisa que muitos não notam. Bolsas não representam a economia real. No Brasil, a Bovespa se move de Petrobrás e Vale. É meio óbvio que estas empresas não são tão importantes na vida das pessoas. Nas bolsas dos países ricos, os índices são formados por empresas escolhidas a dedo. Grandes empresas do mundo "real" podem ficar fora do índice para diminuir o impacto negativo destas. A crise dos CDSs não se reflete diretamente nas bolsas, estas podem refletir a crise de forma mais abrasiva ou mais amena. Então o FTSE sobe e as ações dos grandes bancos britânicos cai, mesmo com um aporte monstro do governo do reino unido.

Não é difícil imaginar as bolsas estáveis e mesmo subindo, ao mesmo tempo que vários setores do mundo "real" entram em colapso. Como disse o Itamar, "os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números". Vai confiar em quem? É por isto que os bancos pararam de emprestar e a crise de crédito já chegou - é esta a crise que os governos dos países ricos estão combatendo.
mariohs
Eu usei pessoas físicas para facilitar o entendimento só. Mas acho que entendi boa parte já. Muitíssimo obrigado pelo esclarecimento.

Pelo que vi, é terra de ninguém. Se eu sou um banco, posso fazer um CDS com qualquer valor, a garantia seria o próprio banco, mesmo que o valor do CDS supere o valor do meu próprio banco? O que acontece no caso de eu ter que pagar? Quebrei, quem fez o CDS comigo quebrou, e assim vai?
cparakawa
mariohs wrote:
Pelo que vi, é terra de ninguém. Se eu sou um banco, posso fazer um CDS com qualquer valor, a garantia seria o próprio banco, mesmo que o valor do CDS supere o valor do meu próprio banco? O que acontece no caso de eu ter que pagar? Quebrei, quem fez o CDS comigo quebrou, e assim vai?


Vou dar um exemplo real.
A Islândia é um país pequeno, o PIB é de uns $12 bilhões. Os bancos da pequena Islândia levantaram recursos em torno de $120 bilhões. Ou seja, os bancos islandeses foram buscar dinheiro nos outros países em quantia 10 vezes maior do que tudo que a Islândia produz por ano. Diz-se que o rombo dos bancos islandeses é de $80 BI, 7,5 mais do que o que o país produz por ano. Resultado: os bancos quebraram, e os 3 maiores bancos da Islândia foram estatizados. A questão é que os bancos abriram muitos braços em outros países, no varejo mesmo. No Reino Unido, se estima que o calote islandês é equivalente a $30 BI. O governo de Gordon Brown (primeiro-ministro britânico) acionou a LEI ANTI-TERRORISMO e confiscou todos os bens islandeses na Grã-Bretanha, mesmo os não ligados diretamente às instituições quebradas. Da hora. O governo da Islândia tá passando o pires, inclusive implorou pra Rússia emprestar uma grana.

Para quem tiver estômago/interesse e entender um pouco de economês. O jornal Estado de São Paulo promoveu um debate hoje sobre a crise, é interessante assistir.
http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowVideos.action?destaque.idGuidSelect=C67C52435E9E4695AC7FBEBD8DA54B33

Atenção para o Delfim Netto: para quem não sabe, o Delfim Netto é o Paulo Coelho da economia. Ele é inteligentíssimo, manja muito do assunto, utiliza os seus conhecimentos em proveito próprio e, quando fala em público (Paulo Coelho "fala" nos livros), mistura abobrinha com coisas sérias para entreter as massas. Para quem não entende, pode mais confundir do que explicar. Para quem entende, não deixa de ser engraçado.

[]'s

P.S.: Nota interessante: Os Estados Unidos retiraram a Coréia do Norte da lista dos países terroristas. É evidente que isto é ligado à crise, é um mimo pra China não retirar os recursos do governo americano. O governo chinês é o maior detentor de títulos públicos americanos. O Brasil tem mais de US$200 BI em reservas, uns US$150 BI estão em títulos americanos. Imagina o quanto a China tem ... Do que adianta fazer um pacote de 750 BI se a China pode retirar a mesma quantia do mercado americano. Tem coisas mais importantes pra se preocupar do que com a Coréia do Norte.
rudny
eu pelo ao menos estou tendo dificuldades pois ta muito caro, ainda bem que os pacotes feitos pelos países estão fazendo a diminuição do dolar, porém não vejo o Brasil fazer nada, me deixa mais nervoso em saber que o banco central de 50% dos juros congelados la é dinheiro que poderia ser usado para acreção na diminuição do dolar, mais como o LULA é seguro na grana só quer saber de juntar impostos+impostos porem na hora que precisa não se faz nada, só que devido a economia BRASILEIRA está bem preparada para a crise em alguns pontos, claro que é ruim pois há muita perda em algumas empresas que oferece serviço internacional.
cparakawa
rudny wrote:
eu pelo ao menos estou tendo dificuldades pois ta muito caro, ainda bem que os pacotes feitos pelos países estão fazendo a diminuição do dolar, porém não vejo o Brasil fazer nada, me deixa mais nervoso em saber que o banco central de 50% dos juros congelados la é dinheiro que poderia ser usado para acreção na diminuição do dolar, mais como o LULA é seguro na grana só quer saber de juntar impostos+impostos porem na hora que precisa não se faz nada, só que devido a economia BRASILEIRA está bem preparada para a crise em alguns pontos, claro que é ruim pois há muita perda em algumas empresas que oferece serviço internacional.


Eu não sou petista e nem curto o Lula, mas não dá pra reclamar do governo nesta crise.
Ao contrário dos países ricos, onde o governo tem gastado mais do que arrecada, o governo brasileiro tem seguido metas de superávit primário. Por isto a cascata de impostos, se eles são bem gastos é outra questão.

O governo brasileiro só tomou duas grandes medidas até agora: intervenção do banco central para segurar o dólar e liberação do compulsório para aumentar a oferta de crédito. Pode parecer pouco, mas a questão é que o Brasil não tem opção melhor. Primeiro porque o mercado financeiro tem regras bem mais restritivas no Brasil e segundo porque não estamos expostos diretamente à crise de crédito e insolvência nos EUA e Europa, estamos sofrendo efeitos colaterais e dependemos de medidas drásticas nas economias centrais.

O Brasil tem sido mais austero porque o governo tem centrado fogo no controle da inflação, o que tem sido expresso num controle de crédito. A crise é externa ao Brasil. A meu ver, as medidas tem sido corretas. Evitar pânico infundado e controlar inflação e câmbio. É muito diferente de ver crédito "evaporar" e fazer injeções monstruosas para os bancos não quebrarem. O único país rico que está razoavelmente solvente por dentro é o Japão, pelo simples fato de que os bancos de lá já quebraram algum tempo atrás, o governo investiu muito dinheiro e forçou mega fusões.

http://www.estadao.com.br/economia/not_eco260178,0.htm
sergio_ykz
Eu não sou fanático em ações, mas motivado pela crise, para "brincar", me inscrevi no Folha Invest no dia 07/10.

Sem saber, inicialmente comprei umas ações que estavam valorizando, comprei cerca de R$10k, e elas despencaram e vendi antes de ter mais preju, mas amarguei uma perda de cerca de R$ 2000.

Então, motivado pela baixa dos bancos, que esperava grande alta, comprei todos os R$ 200k em ações de bancos e então os EUA começaram a passar o chapeú, resultado, minha carteira chegou a ter R$40k de perda, em poucos dias.

Neste domingo, minha carteira estava em R$ 38.000 de prejuizo e então foi lançado os super pacotes europeus e na segunda antes do almoço, estava tendo lucros na casa dos R$ 15.000, e sabia que era algo semelhante ao olho de um furacão, então não perdi tempo. Vendi todas as minhas ações que estavam com bons lucros.

Resultado, minha performance está em quase +4%, o que em duas semanas acho que não é nada mau.

Se tivesse mantido a carteira, estava novamente com uns R$ 20k de prejuizo.

Apesar das quedas na bolsa e perdas da economia, estou faturando quase R$ 10k com uma carteira de R$ 200k. Considerado as perdas.

Ou seja, o momento está ruim para a economia e há pessoas que irão ganhar muito dinheiro e pessoas que irão quebrar.

Uma opinião particular, é que o medo dos investidores de perder dinheiro aumentará o tamanho da crise, o que pode vir a ser um efeito dominó, ou uma reação em cadeia.

- - -

Em dados reais, um colega há dois meses, comprou R$15k de ações da Vale e R$ 15k de ações da Petrobras. Empresas que há alguns anos eram considerados investimentos de médio ou baixo risco.

Em seu ultima extrato, já havia perdido cerca de R$ 10000, isso em apenas dois meses.

Nestes tempos de crise, não sei qual investimento seria o mais seguro, talves investir em bens e imóveis. Assim, colocaria dinheiro na economia ao mesmo tempo que aumentaria-se os seus bens.
bloodrider
Gostei da tua explicação cparakawa Applause Obrigado por expores de forma simples este assunto Smile
Agora já me sinto mais elucidado sobre este "belo" problema. Por aqui (Portugal) não se fala doutra coisa a não ser da crise mas nos meios de comunicação nunca explicaram realmente a dimensão deste problema (é por isso que eu "adoro" os meios de comunicação, lavagem cerebral...), tal como disseste é para não fomentar o pânico.
Já se vem falando "entre-dentes" que isto vai piorar muito mais, a ver vamos, claro que vamos de arrasto com o resto da Europa mas penso(espero) que Portugal não seja dos mais afectados.


PS: Nunca gostei do "esquema da pirâmide" Razz
cparakawa
bloodrider wrote:
Já se vem falando "entre-dentes" que isto vai piorar muito mais, a ver vamos, claro que vamos de arrasto com o resto da Europa mas penso(espero) que Portugal não seja dos mais afectados.


Portugal já tinha problemas seríssimos antes da crise. Com a entrada dos 10 (mais Romênia e Bulgária), Portugal deixou de ser recebedor líquido de recursos de fundos da União Européia para ser contribuidor. Além disto, existe a própria limitação imposta pela UE para déficits máximos de 3% na zona do euro. Se bem que a Angela Merkel (primeira-ministra alemã) já falou que vai estourar este limite máximo.

Eu não consigo ver um futuro promissor para Portugal. A adesão do país à União Européia não conseguiu resultados tão vistosos quanto inicialmente imaginados. Mesmo que a crise não afete muito Portugal, as perspectivas futuras não são muito animadoras.

Quanto à saúde financeira de Portugal, eu não sei. Não faço idéia de como andam os grandes bancos como a Caixa Geral de Depósitos. É interessante também dizer que os grandes bancos portugueses tentaram entrar no Brasil e não aguentaram o tranco, ao contrário do Santander (Central-Hispano) e do HSBC. A opinião mais ou menos comum é que faltou "poder de fogo" devido ao tamanho dos bancos lusitanos. Talvez isto abra a possibilidade de instituições estrangeiras comprarem os bancos portugueses, com esta crise.

sergio_ykz wrote:
Nestes tempos de crise, não sei qual investimento seria o mais seguro, talves investir em bens e imóveis. Assim, colocaria dinheiro na economia ao mesmo tempo que aumentaria-se os seus bens.


Simulações de investimentos são bem diferentes dos resultados obtidos com investimentos propriamente ditos. Primeiro, porque vc precisa ter sangue frio para ficar pulando de investimento para o outro, com dinheiro imaginário é mais fácil. Segundo, porque as transações reais envolvem sempre algum custo, ou por meio de taxas ou mesmos de comissões aos agentes, o que diminui o nível de ganhos. Uma corretora vai cobrar valores diferentes para transferir seu dinheiro de uma aplicação para outra, por exemplo, se for 10.000 ou 200.000.

Quanto ao mercado imobiliário, tem que se avaliar bem a localização do imóvel e perspectivas para a região. Nos países ricos, alguns tem investido em ouro (em barras mesmo), pois é o ativo mais seguro ao longo de milênios.

http://newsvote.bbc.co.uk/1/shared/fds/hi/business/market_data/commodities/11632/three_month.stm

É só observar que, quando a crise se agrava, a cotação do ouro sobe. Mais interessante, hoje o dow jones caiu quase 8% e o ouro subiu quase 2%.

Ontem as bolsas estavam subindo vertiginosamente por causa dos pacotes de fim de semana, hoje já estão em forte queda devido a mais dados apontando a recessão já existente nos EUA. Aparentemente, as injeções de dinheiro nos bancos já está garantindo que os grandes não quebrem. O passo 2 seria fazer os bancos funcionarem novamente, emprestando dinheiro uns aos outros e também ao mercado (empresas, veículos, hipotecas, etc). Continua o mesmo problema, o como substituir todo o volume de crédito "podre" advindo de operações de baixíssima qualidade, normalmente em swaps como os CDSs. Projeções otimistas dizem que a crise começa a ser superada em um ano.
sergio_ykz
cparakawa wrote:
Simulações de investimentos são bem diferentes dos resultados obtidos com investimentos propriamente ditos. Primeiro, porque vc precisa ter sangue frio para ficar pulando de investimento para o outro, com dinheiro imaginário é mais fácil. Segundo, porque as transações reais envolvem sempre algum custo, ou por meio de taxas ou mesmos de comissões aos agentes, o que diminui o nível de ganhos. Uma corretora vai cobrar valores diferentes para transferir seu dinheiro de uma aplicação para outra, por exemplo, se for 10.000 ou 200.000.


Há a cobrança de taxas, semelhante a bolsa real, porém é bem abaixo das corretoras, mas deu mais de R$ 2500, incluinco emolumentos, corretagens e custodia.

Sou cliente do HSBC e ele tem opção de home broker e as taxas são bem mais altas.

A ideia é "aprender" sobre ações com o FolhaInvest antes de perder dinheiro real, e trabalhar o sangue frio (que já tenho) para não ter medo de investir.

Porém, penso em brincar com isso só daqui há uns dois anos, quando tiver um bom volume de dinheiro em caixa, de modo a não arriscar perder o da cerveja.

Só por curiosidade, no FolhaInvest já estou entre os 1000 do mês e 2000 do ano, pois esta semana ganhei muito dinheiro lá.
cparakawa
sergio_ykz wrote:
Há a cobrança de taxas, semelhante a bolsa real, porém é bem abaixo das corretoras, mas deu mais de R$ 2500, incluinco emolumentos, corretagens e custodia.

Sou cliente do HSBC e ele tem opção de home broker e as taxas são bem mais altas.

A ideia é "aprender" sobre ações com o FolhaInvest antes de perder dinheiro real, e trabalhar o sangue frio (que já tenho) para não ter medo de investir.

Porém, penso em brincar com isso só daqui há uns dois anos, quando tiver um bom volume de dinheiro em caixa, de modo a não arriscar perder o da cerveja.

Só por curiosidade, no FolhaInvest já estou entre os 1000 do mês e 2000 do ano, pois esta semana ganhei muito dinheiro lá.


Bem, 2500 sobre 200k dá 1,25%. Vamos arredondar para 4%am. Entretanto, como os custos das operações iriam ser maiores no mundo real, digamos que dê 2%am. Talvez dê menos; se vc quiser fazer as contas das operações usando dados "reais" do HSBC, ia ser interessante. Não duvido nem que fique negativo, se vc fez várias operações.

Sobre o sangue frio, é algo bom, visto que vc precisa dele para qualquer tipo de investimento, não só no mercado financeiro. Espero não só que vc salve o da cerveja, mas que ganhe o suficiente para comprar uma cervejaria. O mercado financeiro, afinal de contas, é um grande cassino.

[]'s
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