FRIHOSTFORUMSSEARCHFAQTOSBLOGSCOMPETITIONS
You are invited to Log in or Register a free Frihost Account!


Bookcrossing - Perca um livro





Lviter
Esta é um projeto internacional de incentivo à leitura. A idéia é "perder" um livro em um local público onde poderá ser achado e lido por outra pessoa que por sua vez deverá fazer o mesmo.

Você colocará uma ficha no livro com seu comentário , uma explicação sobre a campanha e a recomendação que ela passe o livro adiante após ler, além de um código que a pessoa poderá digitar nos sites da campanha para "rastrear" o livro.


Internacional: http://www.bookcrossing.com/
Brasil: http://www.livr.us/
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=40534409

P.S.: A idéia é passar adiante um livro do qual você realmente gostou!
mariohs
Existe algo "parecido" no Japão, nas estações de metrô. Estantes com vários livros doados, aonde você pode pegar, ler e devolver. É livre.

Tanto este quando o projeto de Bookcrossing são muito bonitos e funcionam em países com pessoas que tenham o mínimo de educação, e infelizmente o Brasil não se encaixa nesse perfil. Mas não quero entrar nesse assunto (de novo).

Se eu participaria? Com certeza, mas não aqui no Brasil.
cparakawa
Em vários países, o normal é deixar o jornal do dia abandonado no trem ou no ônibus. Quem quiser, lê e deixa lá de volta. Se não funciona nem com jornal - que no dia seguinte só serve pra reciclar, não boto muita fé que funcione com livros.
Aidmar
Se alguém tentar fazer esse tipo de coisa por aqui, provavelmente algum morador de rua vai querer usar o livro ou jornal como papel higiênico ou para apertar baseado...rs. E além de tudo, o brasileiro ainda tem aquela mentalidade de que é bom se dar bem em tudo, e por isso quem achar o livro vai colocá-lo embaixo do braço (com cuidado para ninguém ver, pois o "dono pode estar por perto"), levar para casa e fazer Deus-sabe-o-quê com ele (e provavelmente nem vai lê-lo). É realmente desanimador... Crying or Very sad
sergio_ykz
A idéia é interessante, principalmente pelo fato que as pessoas acabem lendo o livro só por curiosidade, visto que o brasileiro é bem curioso, apesar de pouco apegado a leitura.

Porém a idéia de rastrear e consientizar as pessoas a "perder" livro é um pouco dificil de acontecer.

Acho mais interessante a idéia daquele site onde você doa livros e recebe llivros doados, pena que não lembro o nome agora.

Lembrei, tá aqui --> http://www.frihost.com/forums/vt-95769.html
Guardian
Ah, pra mim o brasileiro é bem espertinho... Vai logo pegar o livro e passar no dinheiro hehe. Sem falar nos dias que dão uns torós do nada e chove repentinamente... Menos um/uns livros na praça literalmente...

Quote:
Acho mais interessante a idéia daquele site onde você doa livros e recebe llivros doados, pena que não lembro o nome agora.

Lembrei, tá aqui --> http://www.frihost.com/forums/vt-95769.html

Também acho...
sergio_ykz
Guardian wrote:
Ah, pra mim o brasileiro é bem espertinho... Vai logo pegar o livro e passar no dinheiro hehe. Sem falar nos dias que dão uns torós do nada e chove repentinamente... Menos um/uns livros na praça literalmente...


Você pode perder um cima da mesa de um shopping, um bar, etc.
Lviter
Acho todas as formas de incentivar a leitura válidas, a gente descobre histórias fantásticas de bibliotecas comunitáriasabertas nos lugares mais incríveis como oficinas por exemplo. No Brasil se lê pouco, por isso se pensa pouco e se escreve mal. Como dizia Monteiro Lobato: "Quem não lê, mal sabe, mal ouve, mal vê."

Costumo doar livros periodicamente para amigos e bibliotecas. Se desapegar de coisas materiais é sempre bom. Mas achei o "Perca um livro" uma proposta criativa, e pretendo adotar e ficar por perto observando a reação de quem for encontrar. Mas concordo que rastrear é meio complicado, porém o acompanhamento é algo absolutamente dispensável. Afinal, livros são para serem lidos e não para empoeirar em estantes sem utilidade.

A troca pela net também é bacana, mas envolve o custo adicional do frete, enquanto no "bookcrossing" basta ter o livro e escolher o lugar (não se esquecendo de indicar no o livro que ele foi "esquecido" propositalmente). E você vai atingir exatamente alguém que talvez precise ser estimulado a ler (quem se propõe a trocar normalmente já é um leitor).

Para quem receia a reação de um morador de rua diante de um livro, leia esta reportagem.
É de tocar o coração de uma pedra:

"Catador de lixo em São Paulo monta biblioteca comunitária com mais de 7.000 volumes"

Quote:
O catador de lixo Severino Manoel de Souza fechou os olhos. A guilhotina preparava-se para decepar Machado de Assis. Algumas das melhores páginas da literatura brasileira seriam reduzidas a papel branco, 8 centavos o quilo. "Pára", gritou Severino. "Isso é um crime muito grande." Foi nesse momento, tendo por cenário um galpão de reciclagem, que começou a biblioteca dos sem-teto do edifício Prestes Maia... (continua...)
cparakawa
O que mais tocou -talvez, a única coisa- foi:

Quote:
Tomado de tais amores pela biblioteca que ajudou a fundar, a renda caiu muito desde então, e os sete membros da família sobrevivem hoje com menos de R$ 100 por mês.


Com sete membros na família, viver com R$100 por mês, é dose. Tudo bem, hoje eles devem ser beneficiados pela bolsa-família.

Quote:
0 cometários


Quem fez o site também precisava ler mais.

++++++++++++++++

Retornando ao assunto da leitura, eu também acho que todas as formas de incentivar a leitura válidas. Inclusive as pouquíssimas igrejas que tem programas de alfabetização para que os fiéis consigam ler a Bíblia.

Eu ainda acho que o jornal "comunitário" funciona até melhor. São tantos os gêneros literários que o mais fácil é achar um que não goste. Eu cresci vendo muita gente pegando aversão à leitura sendo OBRIGADA a ler coisas que não gostavam na escola. A maior parte dos livros que eu li obrigado era um lixo pro meu gosto pessoal.

Eu não peguei aversão porque eu tive acesso a uma biblioteca dentro de casa, minha mãe sempre fez questão de comprar várias enciclopédias para garantir que os filhos só não estudariam por total falta de vontade. Eu tinha Barsa, Conhecer, Mirador, Larousse e outras, e pra quem gosta de História e Geografia, é um prato cheio, informação com gravuras e fotos. Eu sei que é bem incomum. Meu avô paterno também sempre gostou de livros.

Há muito tempo atrás, eu assisti uma palestra falando sobre como a população brasileira "pulou" uma etapa na transmissão de conhecimento. Mais especificamente, falando sobre a população em geral, até o começo do século XX as pessoas comuns obtinham informação por via oral. Com a educação universal, as pessoas passaram a se informar lendo. Entretanto, no Brasil o processo passou de oral para visual (televisão), a educação se tornou universal concomitantemente com a propagação da TV. É mais fácil se informar ligando no telejornal do que lendo um jornal. Aliando isto à péssima didática reinante, ao custo do livro/jornal e ao subdesenvolvimento cultural no Brasil, temos isto aí que se vê. Eu ainda tenho a impressão de que está ficando pior, já que muitos acham LINDO escrever em miguxês.

Eu não condeno nenhuma destas inciativas de promoção da leitura, só que a abrangência é muito restrita. O problema é amplo e generalizado, esforço "formiguinha" pode ser louvável, mas não é eficiente. É só um paliativo, é como distribuir sopa gratuitamente para quem está desempregado, ajuda mas não resolve.

Todos os livros que eu só li uma vez, ou que eu não li e nem esperava ler, já foram doados. Espero que quem os tenha recebido tenham feito bom uso deles, mesmo que vendendo pra reciclagem. Inclusive os que eu emprestei e nunca foram devolvidos.

[]'s
Lviter
cparakawa wrote:
O que mais tocou -talvez, a única coisa- foi:

Quote:
Tomado de tais amores pela biblioteca que ajudou a fundar, a renda caiu muito desde então, e os sete membros da família sobrevivem hoje com menos de R$ 100 por mês.


Com sete membros na família, viver com R$100 por mês, é dose. Tudo bem, hoje eles devem ser beneficiados pela bolsa-família.



A matéria é da revista Época de 2006, eu tenho o original em casa. Mas às vezes a gente não acredita que as pessoas possam viver com tão pouco porque nossa realidade é diferente.


Mas o trecho que mais me tocou foi esse daqui:

Quote:

Severino, sertanejo de Pernambuco, nunca sentou em um banco de escola. "Não tenho nem cultura nem literatura", diz. Depois de descarregar um caminhão nos arredores do Recife, ainda garoto, Severino se perdeu. Varou a noite sem conseguir decifrar destinos de ônibus e indicações de placas. Quando finalmente chegou em casa, avisou ao tio: "A partir de hoje vou parar de ser pessoa burra, analfabeta, cega e tapada".

Postou-se diante de uma banca de jornal e pediu: "Moço, vosmecê tem uma carta de ABC?". O moço tinha. Deu até de presente. "Coloquei o abecedário, o primeiro livro fundado no Nordeste, debaixo do meu chapéu de couro e andei com ele na cabeça por cinco meses", diz Severino. "Tinha ouvido falar que a ciência do livro vai passando para a cabeça." Por sorte também estudou um tanto na boléia do caminhão. O tio avisou: "Vai ficar traumatizado de tanto ler".

Ele aprendeu. Passou então a escrever o nome em carvão, na areia, nos postes, povoou um pedaço de Pernambuco com traçados severinos. Quando achou que estava bonito, comprou um "lápis de pau-brasil". Ficou tão sabido que voltou ao sertão com duas canetas e uma caderneta no bolso. Quando começou a alfabetizar, tinha 26 alunos. Acabou ensinando 231 a "assinar o nome e conhecer literatura".
cparakawa
Eu não consigo me sentir tocado pelo trecho que vc citou.

Existe um motivo muito grande pra isto: não só pelo histórico de luta e sobrevivência da minha família, mas porque eu cresci num bairro que era a periferia podre de São Paulo na década de 50. O que vc mais encontrava eram pessoas que sobreviveram à segunda guerra mundial. Muitos e muitos. A maioria dos meus colegas de infância tinham pais ou avós que sobreviveram à guerra. Gente que nunca voltou 100% ao normal vivendo os horrores da guerra.

Um dos casos é o do meu professor de matemática. O pai dele fugiu da Rússia (então União Soviética) durante a guerra. FUGIU A PÉ. Perdeu parte da mobilidade das pernas no inverno. Aprendeu 11 línguas. Até que chegou em Portugal - que não estava em guerra, mas estava f*d*d*. Pegou um navio e chegou no Brasil. Nunca precisou viver de invasão ou mendigar. Nunca teve ajuda de governo algum. O pai de um amigo meu (e que é amigo do meu pai), fugiu da Bulgária, não tinha audição perfeita de um dos ouvidos por causa de uma explosão de granada. Eu conheci gente que sobreviveu à Guerra Civil espanhola - é só olhar o Guernica. São inúmeros casos.

Quando eu vejo os casos de gente que está na m*rd* no Brasil e apela pro espírito de "coitadinho", eu só vejo uma pessoa fraca que apela pra compaixão alheia. Milhões imigraram pro Brasil, a maioria com histórias PIORES que a maioria dos retirantes nordestinos. Eu sinto orgulho quando eu vejo uma família de retirantes que fugiu pro Sul e conseguiu mudar o próprio destino. Não é o caso do cidadão da reportagem. Talvez seja para os filhos dele.

Falando de uma história real: na faculdade, um dos meus colegas era filho de retirante. Vieram do Ceará. O pai era pedreiro, viviam num bairro ferrado de São Paulo. O pai fez, das tripas, coração pro cara poder estudar. E ele respondeu à altura, se formou em economia na USP. Nunca fez papel de coitado por ter origem humilde, nem por ter cursado escolas públicas estaduais. Compensou muitas coisas na base da força interna. É o mesmo ideal de muitas famílias de imigrantes, se esforçar ao máximo para que a geração seguinte não tenha que passar pelas mesmas dificuldades. Pra isto, eu dou um valor extremo. Pro sujeito que continua na sarjeta e que continua maravilhado porque aprendeu a ler e escrever, meu conceito é diferente.

Pode ser que ele considere a própria família menos importante do que o esforço de alfabetizar os outros com uma biblioteca pública improvisada. Sinto pelos familiares. Sinto pelas pessoas que lêem o que eu escrevo e não estão preparadas para ler textos de alguém que não tem miguxismo no coração.

[]'s
Lviter
Cparakawa,

Minha leitura (como essa palavra é polissêmica...) do texto é diferente da sua.
Mas prefiro não polemizar... Talvez minha chamada inicial tenha soado bem "miguxa"
mesmo e eu percebi isso depois que escrevi, mas deliberadamente preferi não editar.
Às vezes me dou ao direito de ser sentimental. Parabéns pelas referências que você recebeu
de sua família. Nem todos tem a mesma sorte.

Creio que um dos objetivos para a gente estar vivo é aprender e dividir o conhecimento
de todas as formas possíveis. Inclusive o próprio auto-conhecimento e o trabalhar nossas emoções. E é neste sentido que me sinto tocada a cada vez que vejo alguém se esforçar para fazer isso.


Peace! Tenha um bom domingo!
cparakawa
Lviter wrote:
Cparakawa,

Minha leitura (como essa palavra é polissêmica...) do texto é diferente da sua.
Mas prefiro não polemizar... Talvez minha chamada inicial tenha soado bem "miguxa"
mesmo e eu percebi isso depois que escrevi, mas deliberadamente preferi não editar.
Às vezes me dou ao direito de ser sentimental. Parabéns pelas referências que você recebeu
de sua família. Nem todos tem a mesma sorte.

Creio que um dos objetivos para a gente estar vivo é aprender e dividir o conhecimento
de todas as formas possíveis. Inclusive o próprio auto-conhecimento e o trabalhar nossas emoções. E é neste sentido que me sinto tocada a cada vez que vejo alguém se esforçar para fazer isso.


Peace! Tenha um bom domingo!


Acho que existe o problema de se confundir sentimentos com sentimentalismo (barato). Todos, em menor ou maior grau, se guiam pelos sentimentos. Só que o sentimentalismo barato, a meu ver, é uma praga que infesta a sociedade brasileira. Realmente eu não gosto do "Dia de Princesa". A minha crítica não é direcionada à você, é direcionada ao padrão cultural brasileiro que diz que todo mundo que está em situação ruim é digno de piedade, que qualquer conquista vindo destes é gigantesca, por menor e insignificante que seja. É como o bronze olímpico, que vale ouro. Pode ser pros atletas, mas pro país é só um sinal de que, em termos esportivos, somos uma m*rd*. Analogamente, pro cidadão que montou a biblioteca, pode ser uma grande conquista, mas pro país é só um sinal da calamidade que é nossa educação.

E aposto que a pessoa que aprendeu a ler sozinha está melhor alfabetizada que muitos que concluem o ensino médio. Neste ponto, pode ser um motivo de orgulho de quem se alfabetizou adulto, mas é uma vergonha para o país. O sujeito miserável conseguiu se alfabetizar sozinho, milhões de pessoas que custaram bilhões pro governo são analfabetos funcionais.

Eu já vi ambulante conseguir se formar médico. Tem a história da faxineira que concluiu ensino médio, faculdade e está fazendo mestrado. Meu conceito de força e fraqueza interior é muito estrito, pautado em exemplos de pessoas que realmente viraram a mesa. É, eu gosto da história real dos antigos highlanders.

Concordo que o nível que eu exijo seja demasiado alto, mas deixar o nível baixo é muito pior, é só ver a progressão continua nas escolas. Baixar o nível pra dizer que tudo mundo tem segundo grau (e é analfabeto funcional) resolve tanto quanto dizer que todos são vencedores numa sociedade em que as pessoas ou não tem ou não se esforçam para ter condições de vida melhores para si e/ou futuras gerações. Você só está iludindo ainda mais as pessoas. Eu prefiro socar a realidade nas pessoas do que insuflar a fantasia reinante no país. Pelo que eu vejo, os brasileiros em geral tem séria dificuldade em separar realidade de fantasia, vira uma coisa só.

Desculpe-me se fui agressivo, mas eu não consigo deixar de enfiar o "dedo na ferida" sempre que posso. Eu nem fiquei revoltado com a reportagem "coitadinho" da pessoa, é muito pior ver heróis forjados pela mídia, como Gandhi e Ronaldo - este último acabou rodando. Neste ponto, eu reflito se as pessoas suportariam viver num mundo sem mentiras e ilusões. Provavelmente não.

E hoje é o peace one day. Um bom domingo.

[]'s
Kashinilaya
Não é uma má idéia para quem deseja divulgar um livro...
thi.dias
hum. Eu acho que todos são muito pessimistas com os Brasileiros. Porque não fazer um teste? Já que dá para rastrear o livro.
Vai em um sebo, gasta 5 reais para comprar um livro e tenta pra ver. É bem capaz de dar certo. No Brasil existe pessoas educadas sim. Não é como num país de primeiro mundo, porém existe! Acho que eu vou ver no que dá, vou comprar um livro e fazer isso. Vlw!
Aidmar
Quote:
É, eu gosto da história real dos antigos highlanders.


Cparakawa,

Desculpe a minha santa ignorância, mas... O que significa essa expressão??? Laughing
cparakawa
Aidmar wrote:
Quote:
É, eu gosto da história real dos antigos highlanders.


Cparakawa,

Desculpe a minha santa ignorância, mas... O que significa essa expressão??? Laughing


As pessoas, influenciadas pela TV, acham que os highlanders eram um grupo de guerreiros malucos da Escócia. A Escócia é o Highlands. Imagine um lugar frio e ferrado, com um monte de gente andando de saiote. Um sujeito numa situação destas não tem muito o que temer.

Desta situação, adviram dois tipos mais comuns de highlanders: o guerreiro mercenário-louco (existe até hoje), espírito braveheart. Dá pra ver em vários quadros e gravuras, das guerras do império britânico, os malucos de saiote na linha de frente. São um exemplo de bravura, mas também de loucura e demência.

O outro tipo são os highlanders que migraram pros Estados Unidos, sem um tostão no bolso. Muitos fizeram fortuna, como Andrew Carnegie, http://en.wikipedia.org/wiki/Andrew_Carnegie. Os highlanders bem sucedidos não foram uma exceção mínima.

Retornando ao post de onde vc tirou o excerto. No caso dos highlanders, eles já tavam na m*rd*. O que eles tinham a perder? Alguns usaram isto, aliado ao espírito de luta, para mudarem para um lugar melhor e construírem algo melhor para si e para suas famílias. Outros foram pra guerra e lutaram de forma insana, batalhas do estilo braveheart (Coração Valente) aconteceram várias vezes por toda a história do império britânico e até hoje existem os batalhões highlanders.

Retomando ao ponto em que eu não achava "linda" a história do sujeito que fez a biblioteca "alternativa". No Brasil, vc vê tanta gente que vem da m*rd*, e que tem uma garra enorme para melhorar de vida, para que os filhos não passem pelas mesmas agruras. O cidadão da reportagem não só se coloca, mas também a própria família, em segundo plano. Ou terceiro, talvez.

Tanta gente que vem lá debaixo, não importa raça, credo, grau de instrução ou gênero, que tem este espírito highlander de não só lutar pela sobrevivência, mas também para melhorar de vida e para mostrar o valor que possui. Eu é que não vou ficar comovido com quem não dá valor pra própria família. De "coitadinho", o Brasil já está cheio. Em vez de ficar compartilhando sofrimento, seria muito mais construtivo vangloriar os que lutam para melhorar e alcançam, estes são verdadeiros heróis. E suas histórias servem de exemplo não só em termos pessoais, mas para construir um país de pessoas mais ativas e vencedoras. É só olhar o nosso desempenho nas para-olimpíadas.

[]'s

P.S.: Os highlanders de hoje não são mais como antigamente. Dizem os ingleses que escocês só vive de benefício. Um amigo foi à Escócia este ano, ainda existem uns poucos malucos de saiote, gente de mais idade e mal-encarada. E é grande o número de pessoas com problemas mentais e inválidos, problemas sérios com álcool e drogas são comuns. Por isto que eu falei dos "antigos", os atuais já avacalharam bastante no antigo espírito de bravura da terra dos clãs guerreiros. Não sei até que ponto o governo, ao conceder benefícios de forma ampla, estimula as pessoas a empurrar a vida com a barriga. Aliás, este é um dos maiores motivos para eu achar o bolsa-família ruim no longo prazo, é importante que as pessoas não morram de fome, mas ao mesmo tempo tem que se evitar a criação de uma "casta" extra de acomodados.
Aidmar
Obrigado pela resposta!!!

Inclusive, não sabia da história dos highlanders. Só conhecia o nome pelos filmes mesmo... Embarassed Laughing

Mais uma vez, desculpem a minha santa ignorância!!!
Aidmar
Acho que no fundo o problema é acomodação mesmo (ou comodismo???). Quando não se tem nada a perder, arrisca-se tudo. Essa é a lógica. Mas por aqui, se tá dando pra comer e pagar as dívidas (mesmo que pra isso se façam MAIS dívidas), tá bom. A auto-estima do brasileiro também é muito baixa. Um exemplo disso é a pessoa que vive de esmola, ganha uma casa e um emprego e volta a morar na rua porque ganha mais pedindo esmola do que trabalhando. Eu fico meio chateado com o povo daqui porque ninguém se interessa em tentar mudar, lutar de outras maneiras, votar em outros candidatos... a mentalidade daqui é a de manter sempre o mesmo candidato no poder porque dele já sabemos o que esperar. Mesmo que seja uma m**da...
cparakawa
Quote:
Nação, em seu sentido político moderno, é uma comunidade de indivíduos vinculados social e economicamente, que compartilham um certo território, que reconhecem a existência de um passado comum, ainda que divirjam sobre aspectos desse passado; que têm uma visão de futuro em comum; e que acreditam que este futuro será melhor se se mantiverem unidos do que se separarem, ainda que alguns aspirem modificar a organização social da nação e seu sistema político, o Estado.


Eu não achei um conceito melhor, numa busca rápida pelo Google.
A meu ver, o maior impecilho é a falta de uma nação forte no Brasil. O único laço forte que une os brasileiros é a língua, aliás muito mal tratada. Historicamente, as diversas partes do Brasil nunca foram coesas, socialmente sempre houve diferenças e até hoje não há forte integração econômica em várias regiões. Não há uma perspectiva coletiva de futuro. "Nação gaúcha" e "nação rubro negra" têm maior coesão do que nação brasileira. Esta falta de sentimento coletivo impede que se trace um plano de futuro que seja razoavelmente amparado pela população em geral. É só ver as discussões sobre o que fazer com o rendimento extra com as reservas de petróleo do pré-sal.

Retomando o tema do bookcrossing. Considerando que não é uma iniciativa governamental, para que as pessoas a adotem de forma extensa, seria necessário que se dissesse qual o objetivo da mesma. "Disseminar cultura", caso exista interesse e capacidade dos que recebam os livros. Pra quê? Para que serve disseminar cultura dentro de um projeto maior de país? Em geral, as pessoas não estão muito preocupadas nem com a qualidade da educação. Aliás, as pessoas falam de educação, mas muitos não imaginam nem para que serve a educação como um todo. A educação é um instrumento básico em direção de um futuro melhor. Nós não concordamos nem sobre o que seria um futuro melhor, muito menos qual a direção deste. Educação e cultura pedem um suporte de longo prazo que nós não temos. Porque nós não somos uma nação de verdade, somos um bando que mora num mesmo território e que fala a mesma língua.
Alice
Acho que com o jornal pode até dar certo, mas livro creio que seja difícil! Mas a idéia é boa! Wink
Kashinilaya
Há um projeto em andamento, ao menos no DF, que consiste em se doar livros para serem lidos por quem quiser, deixados em prateleiras nos pontos dos ônibus. Quem pegar deve devolvê-lo em algum ponto de ônibus para ser encontrado por outra pessoa. Parece estar dando certo. A Petrobrás patrocinou a colocação de algumas prateleiras.
Related topics
[SITE] Melhores sites portugueses.frihost.net
[DESIGNER]dreamweaver, frontpage ou mambo??
Piores Capas de Video Game do mundo
[Geral] O quê ver na TV do Domingo???
[Literatura] - Opiniões sobre livros que vocês leram.
[Geral] Microsoft prepara pc ultrapequenoo
[FILMES] Já fui ver o Código da Vinci
Clube Bilderberg
Aos Pescadores!!
Por que o Brasil foi eliminado da Copa?
Que livro você está lendo ou leu recentemente?
Você já sentiu vontade de escrever (ou escreveu) um livro?
CDs, jogos e livro(s) de graça
Como eu sei se eu seria um bom escritor?
Reply to topic    Frihost Forum Index -> Language Forums -> Portuguese

FRIHOST HOME | FAQ | TOS | ABOUT US | CONTACT US | SITE MAP
© 2005-2011 Frihost, forums powered by phpBB.