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Bom estou em uma discussão que esta se tornando 'acalorada' aqui em minha escola EJA (adultos).
Existe ambiguidade em:
"Dia 20 não haverá aula somente no período noturno."
?????
Não tenho clareza na resposta.
Cito, para quem não sabe sobre ambiguidade:
| Quote: | A duplicidade de sentido, seja de uma palavra ou de uma expressão, dá-se o nome de ambigüidade. Exemplos: Crianças que recebem leite materno freqüentemente são mais sadias.
As crianças são mais sadias porque recebem leite freqüentemente ou são freqüentemente mais sadias porque recebem leite?
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fonte: www.brasilescola.com
O primeiro sentido, mais claro, seria esse:
"Dia 20 não haverá aula somente no período noturno."
(não haverá aula para os alunos do período noturno no dia 20).
Qual seria o outro?
Não há outro sentido. Minha única observação é que a frase poderia ser mais clara com uma inversão de termos: "Dia 20, somente no período noturno, não haverá aula ."
| janeaustenfanfics wrote: | O primeiro sentido, mais claro, seria esse:
(não haverá aula para os alunos do período noturno no dia 20).
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acho que ficaria assim mesmo, fica mais "legível" e coerente.
É aí que entra o poder da vírgula. Passa tão despercebida que as pessoas se habituam a escrever e ler sem a pobre. Ela poderia, inclusive, tornar a frase ambígua.
*Dia 20 não haverá aula somente no período noturno.
Dia 20 não haverá aula, somente no período noturno.
*Atacar, não recuar!
Atacar não, recuar!
E vai que quem escreveu não estava nem aí para a vígula? Haverá ou nao aula?
O ideal seria escolher onde a vírgula entra dependendo da sua vontade de estudar ou não. ^^
*Bom, hoje saberemos.
EDIT: Que viagem, pensei que hoje fosse 20. 
É vinte de abril!!!
hehehe
E não haverá aula a noite neste dia...
Mas então... esta assim mesmo, como falei, exposto nos corredores da escola..
fonte da foto: meu V3x hii
Então alguem resolveu dizer que existia este problema e foi colado um papel cobrindo a palavra "somente" hehehe
Eu discordo que seja necessário fazer isso, tendo em vista que do meu ponto de vista, não há
Bom eu continuo sem saber a forma correta.
Eu não diria que é um caso de ambigüidade propriamente, a redação é que não ficou muito boa.
A vírgula daria uma melhorada, mas a segunda solução adotada ficou melhor: "No dia 02 de abril não haverá aula no período noturno."
Muito provável que o "somente" tenha sido usado pra reforçar o fato de que só no noturno as aulas seriam suspensas e não nos outros turnos. Isso porque em se tratando de avisar que "não haverá aulas" é preciso ser muito claro mesmo, pois os alunos costumam nem ouvir o resto de tão eufóricos!
Em tempo: sou professora.
Agora há um detalhe que não entendi: é no dia 20 ou dia 02 que não haverá aula?
| Lviter wrote: | Isso porque em se tratando de avisar que "não haverá aulas" é preciso ser muito claro mesmo, pois os alunos costumam nem ouvir o resto de tão eufóricos!  |
"Para os alunos do período noturno, não haverá aulas no dia 20". Está bom assim? 
Vocês viram que há uma espécie de conselho de países que falam lingua portuguesa tentanto unificar a gramática (ou ortografia - nunca sei a diferença) do português.
Eles querem por exemplo, excluir o hifen (-), o acento circuflexo (^), e o agudo e grave de algumas palavras.
Sendo assim, as palavras ficariam assim:
guarda-roupa -> guardarroupa
vôo -> voo
idéia -> ideia
E também seria um grande avanço em suplir as diferenças entre o portugues do Brasil com o do resto do mundo.
Uma pequena busca no Google traz diversas fontes de referencia, eu vi ontem no Jornal Hoje, da poderosa (aos portugueses, TV Globo).
| sergio_ykz wrote: | Vocês viram que há uma espécie de conselho de países que falam lingua portuguesa tentanto unificar a gramática (ou ortografia - nunca sei a diferença) do português.
Eles querem por exemplo, excluir o hifen (-), o acento circuflexo (^), e o agudo e grave de algumas palavras.
Sendo assim, as palavras ficariam assim:
guarda-roupa -> guardarroupa
vôo -> voo
idéia -> ideia
E também seria um grande avanço em suplir as diferenças entre o portugues do Brasil com o do resto do mundo.
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Na verdade esssa proposta de reforma da Língua Portuguesa está rolando há bastante tempo, o Brasil assinou desde 2004, mas só recentemente Portugal aderiu. Em minha opinião a reforma deveria ser ainda mais radical, extinguindo a crase também, p.ex.
| sergio_ykz wrote: | | Vocês viram que há uma espécie de conselho de países que falam lingua portuguesa tentanto unificar a gramática (ou ortografia - nunca sei a diferença) do português. |
Trata-se da ortografia (maneira correta de escrever as palavras). Gramática é o conjunto de todas as normas e descrições do idioma. Seria impossível unificar a gramática, dado que em Portugal e nos outros países de língua portuguesa o uso da língua é extremamente diferente ao nosso uso brasileiro.
Eu sou absolutamente contra esse acordo ortográfico.
| Lviter wrote: | | Na verdade esssa proposta de reforma da Língua Portuguesa está rolando há bastante tempo, o Brasil assinou desde 2004, mas só recentemente Portugal aderiu. Em minha opinião a reforma deveria ser ainda mais radical, extinguindo a crase também, p.ex. |
Segundo vi, são 8 paises envolvidos nesta brincadeira, para o Brasil, só falta o Lula assinar e já tá valendo. Dai, serão 3 anos de adaptação, valendo as duas normas em livros, concursos e vestibulares. Depois, só a nova norma.
PS.: O K, Y (letra K e letra Y, não é aquele gelzinho ha J&J) e W farão parte integrante do alfabeto de todos os paises onde o português é a lingua mãe.
| escritor wrote: | | Trata-se da ortografia (maneira correta de escrever as palavras). Gramática é o conjunto de todas as normas e descrições do idioma. Seria impossível unificar a gramática, dado que em Portugal e nos outros países de língua portuguesa o uso da língua é extremamente diferente ao nosso uso brasileiro. |
Grato, pela explicação, sempre preferi exatas, pois se não sabe, sempre dá para improsivar.
| escritor wrote: | | Eu sou absolutamente contra esse acordo ortográfico. |
Eu acho importante está integração. Vendo que o Portugal teve um papel importante na época da expansão europeia, poucos paises falam Português e é importante que eles se unam.
| sergio_ykz wrote: | | Eu acho importante está integração. Vendo que o Portugal teve um papel importante na época da expansão europeia, poucos paises falam Português e é importante que eles se unam. |
Mas esta é a questão! As variedades do português estão tão diferentes que é impossível uni-las. Não adianta tirar o acento de idéia no Brasil e tirar o p de óptimo em Portugal. Há diferenças enormes de vocabulário, uso de verbos etc.
| Quote: | | A unificação ortográfica, que era a razão de ser da reforma, cai como um castelo de cartas — sem falar nas incontornáveis diferenças lexicais entre um país que apregoa "berbequim para betão ao desbarato" de outro que anuncia "furadeira para concreto em oferta" — e estão falando da mesma coisa. |
O trecho citado acima é do professor Cláudio Moreno. Leia o artigo na íntegra e entenda o porquê da inutilidade dessa reforma.
| sergio_ykz wrote: | | Lviter wrote: | | Na verdade esssa proposta de reforma da Língua Portuguesa está rolando há bastante tempo, o Brasil assinou desde 2004, mas só recentemente Portugal aderiu. Em minha opinião a reforma deveria ser ainda mais radical, extinguindo a crase também, p.ex. |
Segundo vi, são 8 paises envolvidos nesta brincadeira, para o Brasil, só falta o Lula assinar e já tá valendo. Dai, serão 3 anos de adaptação, valendo as duas normas em livros, concursos e vestibulares. Depois, só a nova norma. |
Não é verdade quanto ao Brasil, a informação correta é a que eu transcrevi. Em nosso país a reforma entraria em vigor a partir de 2008 de qualquer modo, pois bastavam três países entre os oito da comunidade lusófona assinarem. Como Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, além do Brasil, haviam assinado antes, mesmo que Portugal não houvesse aderido a coisa começaria.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u379516.shtml
| sergio_ykz wrote: |
Grato, pela explicação, sempre preferi exatas, pois se não sabe, sempre dá para improsivar. |
Eu pensava que fosse exatamente o contrário!
| escritor wrote: |
Eu sou absolutamente contra esse acordo ortográfico. |
Também discordo de muita coisa nele. Acho que deveriam extinguir todos os acentos, e não somente alguns. Além disso, sabemos que as variações linguísticas de uma região ou país para o outro não se mudam por decreto, são fatos culturais, então a unificação é uma utopia(?). O que pode se tentar é uma certa aproximação, dentro do possível.
Mas precisamos mesmo de uma reforma mais radical, pois o português ensinado nas escolas, pelo menos no Brasil, está cada vez mais distante da realidade, o que dificulta muito o aprendizado e o domínio da língua pelos seus próprios falantes.
Este lingüista (ainda coloquei o trema, mas vai acabar!) é um dos que defendem esta proposta:
| Marcos Bagno wrote: | De um lado, temos uma norma-padrão, um ideal de língua que se baseia ainda no uso feito pelos chamados grandes escritores, e que tenta espelhar a língua falada e escrita em Portugal. Do outro lado, temos todo o grande conjunto das variedades lingüísticas do português brasileiro, que não são padrões ideais, mas realizações concretas, e que, em seus grandes traços comuns, constituem o nosso vernáculo, a nossa língua materna. As gramáticas normativas, a pedagogia tradicionalista e os atuais representantes do conservadorismo gramatical que se apoderaram da mídia usam muito o adjetivo "culto" para se referir ao padrão lingüístico ideal que eles dizem ser o único admissível, a única forma legítima de "português".
Esses autores, na linha dos estudos gramaticais tradicionais, desde o século III antes de Cristo, continuam associando língua culta com linguagem literária. A gramática deles, portanto, só deveria, teoricamente, ser consultada por quem quisesse escrever um texto literário. No entanto, as regras que ela descreve e prescreve supostamente valem para todas as demais formas de uso da língua.O que se pode verificar, porém, é que os autores de gramáticas normativas terão cada vez mais dificuldades para colher nas obras literárias os exemplos para o suposto "uso correto" da língua.
Os escritores há mais de um século vêm se rebelando contra essa instrumentalização de seu trabalho estético, e na produção literária moderna e contemporânea é muito fácil encontrar, para cada exemplo de uso tradicional, muitas opções lingüísticas que nenhuma gramática consideraria "recomendável" ou "certa".Evitando falar de literatura, o conhecido compêndio gramatical de Domingos Paschoal Cegalla é apresentado do seguinte modo: "Este livro pretende ser uma Gramática Normativa da Língua Portuguesa, conforme a falam e escrevem as pessoas cultas na época atual". Muito bem. Mas quem são essas pessoas cultas? Que critérios o autor utilizou para classificá-las assim: onde, quando e com que metodologia científica?
Para começar a desmontar todos esses equívocos, seria interessante introduzir na prática pedagógica, nos cursos de Letras e, se possível, no senso comum, o conceito de falante culto que vem sendo empregado pela pesquisa lingüística brasileira há mais de trinta anos. Nessa linha de trabalho científico, chama-se de falante culto aquele indivíduo nascido e criado em ambiente urbano e que possui nível de escolaridade superior completa. E é aí que podemos começar a subverter os conceitos de português certo e errado que vigoram na nossa cultura. Como? Investigando a língua realmente falada e escrita pelos brasileiros cultos. O que essa investigação revelará é que existe uma distância enorme entre a norma-padrão tradicional e a língua realmente empregada pelos falantes cultos do português do Brasil. |
http://www.marcosbagno.com.br/art_ensinar_portugues.htm
| Lviter wrote: | Não é verdade quanto ao Brasil, a informação correta é a que eu transcrevi. Em nosso país a reforma entraria em vigor a partir de 2008 de qualquer modo, pois bastavam três países entre os oito da comunidade lusófona assinarem. Como Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, além do Brasil, haviam assinado antes, mesmo que Portugal não houvesse aderido a coisa começaria.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u379516.shtml |
Acho que faria mais sentido se os dois maiores (Portugal e Brasil) entrassem em acordo e depois tentassem convercer os demais. Mas como envolve cultura e política, vai lá saber ...
| Quote: | | sergio_ykz wrote: |
Grato, pela explicação, sempre preferi exatas, pois se não sabe, sempre dá para improsivar. |
Eu pensava que fosse exatamente o contrário!  |
Acho que dá pra improvisar em quase qualquer coisa, fazem isto até com dogmas religiosos.
| Quote: | Também discordo de muita coisa nele. Acho que deveriam extinguir todos os acentos, e não somente alguns. Além disso, sabemos que as variações linguísticas de uma região ou país para o outro não se mudam por decreto, são fatos culturais, então a unificação é uma utopia(?). O que pode se tentar é uma certa aproximação, dentro do possível.
Mas precisamos mesmo de uma reforma mais radical, pois o português ensinado nas escolas, pelo menos no Brasil, está cada vez mais distante da realidade, o que dificulta muito o aprendizado e o domínio da língua pelos seus próprios falantes. |
Como eu estou postando de paraquedista, ouvi dizer que a língua em Portugal tem uma estrutura mais moderna do que a usada no Brasil. Alguém sabe se procede?
Se fosse por mim, eu preferia uma reforma bem radical, acabar com acentos, c cedilha, dois s, ch (usa o x), q, lh. Cada consoante com um som só. Pra mim, a riqueza da língua vem do vocabulário e da capacidade do usuário em usar as construções linguísticas. A falta de padronização acaba tornando mais difícil o aprendizado de trocentas palavras com escrita "própria", o que também cria o "mito" de que escrever direito é muito difícil - desculpa para todo deslize que se cometa. E eu escrevo um monte de coisa de forma errada. Reconheço que eu só estudei o que eu fui obrigado em termos de língua portuguesa.
Tbm não precisa chegar ao ponto de "1984", quando o governo central do Grande Irmão limitava o vocabulário permitido para se comunicar (eram umas 2000 ou 3000 palavras só). Limitar o vocabulário é uma forma de limitar a construção de idéias. É algo bem diferente de uma simplificação ortográfica.
[]'s
| cparakawa wrote: | | Se fosse por mim, eu preferia uma reforma bem radical, acabar com acentos, c cedilha, dois s, ch (usa o x), q, lh. Cada consoante com um som só. |
Concordo parcialmente. Acredito que qualquer pessoa com bom senso apoiaria uma só letra para cada fonema (som) e um só fonema para cada letra. Não entendi porque você citou a letra q e o dígrafo lh, cujos sons não possuem representação alternativa.
Discordo quanto a "acabar com acentos". Eles são muito importantes para nossa língua, pois demonstram a pronúncia das palavras. As regras não são perfeitas e deveriam ser mudadas, porém eliminá-los só complicaria ainda mais. Acho interessante o sistema da língua grega, onde todas as palavras são acentuadas na sílaba tônica, assim nunca há dúvida quanto à acentuação ou pronúncia.
| escritor wrote: | | cparakawa wrote: | | Se fosse por mim, eu preferia uma reforma bem radical, acabar com acentos, c cedilha, dois s, ch (usa o x), q, lh. Cada consoante com um som só. |
Concordo parcialmente. Acredito que qualquer pessoa com bom senso apoiaria uma só letra para cada fonema (som) e um só fonema para cada letra. Não entendi porque você citou a letra q e o dígrafo lh, cujos sons não possuem representação alternativa.
Discordo quanto a "acabar com acentos". Eles são muito importantes para nossa língua, pois demonstram a pronúncia das palavras. As regras não são perfeitas e deveriam ser mudadas, porém eliminá-los só complicaria ainda mais. Acho interessante o sistema da língua grega, onde todas as palavras são acentuadas na sílaba tônica, assim nunca há dúvida quanto à acentuação ou pronúncia. |
Se ca, ce, ci, co, cu forem lidos como ka, ke, ki, ko, ku, vc acaba com a necessidade de "q". Ecuador, Ceijo e ecuino. Assim como ga, ge, gi, go, gu, aí ninguém ia ter dúvida com palavras como jeito (que é comum ver escrito errado) ou mesmo "jirafa". O "lh" sumiria como "li", palha=pália, talho=tálio. O h se tornaria somente um h aspirado, enquanto o r seria gutural (acho que é isto). Então rato=hato, carroça=cahosa, haver=aver. É muito estranho imaginar isto, mas acaba com a maior parte das dúvidas ortográficas. Se vc saber falar a palavra corretamente, vc sabe escrevê-la. Nunca vão aceitar um negócio destes, é só um devaneio meu.
Tem gente que acha lindo a língua portuguesa ser complexa e cheia de pequenos detalhes.
Tambem sou das exatas e abomino estudar a lingua portuguesa.
Gostaria que o acordo simplificasse estes ítens confusos e enrolados que eu não entendo de jeito nenhum.
Em contrapartida fico imaginando a matematica.. escrita em varias versoes diferentes ao redor do globo.. que confuso seria!!!
Moderadores: por favor, movam as mensagens relacionadas a esta discussão para um novo tópico.
| cparakawa wrote: |
Se ca, ce, ci, co, cu forem lidos como ka, ke, ki, ko, ku, vc acaba com a necessidade de "q". Ecuador, Ceijo e ecuino.
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A letra C é inútil e causaria dor de cabeça . Seria mais simples substituir a representação desse som (como em caqui) por K (kaki), assim ninguém cometeria erros durante a transição. Eu manteria o "q" para o sons como "quá". Exemplificando: Eqador, kaypora, Kanadá, eqino.
OBS: No meu sistema, o Y substituiria o I semivogal; o W, o U semivogal (quando formam ditongos).
| cparakawa wrote: | | Assim como ga, ge, gi, go, gu, aí ninguém ia ter dúvida com palavras como jeito (que é comum ver escrito errado) ou mesmo "jirafa". |
O G é mais comum com o som de "ga" e eu o usaria para esse som. Assim, no meu seria: gato, gerha (sobre o R, veja abaixo). Outros exemplos, já que gi equivale a gui, então gui equivale a güi: Magila, linguisa.
O J ficaria com o de sempre, em todos os casos: jelo, jirafa.
| cparakawa wrote: |
O h se tornaria somente um h aspirado, enquanto o r seria gutural (acho que é isto). Então rato=hato, carroça=cahosa, haver=aver. |
O som forte do R é o que mais varia na nossa língua. Veja a ilustração. O fato de usarmos o R tanto para esses sons "fortes" e o som "trilhado" de barata é culpa da história da nosso alfabeto. Nos alfabetos grego e russo, por exemplo, eles têm letras para carro (καχο, кахо) e caro (καρο, каро).
Eu acho que eu usaria rh para o som forte e r sozinho continuaria com a fraco: rhato, rhey, morho, barata.
| cparakawa wrote: |
É muito estranho imaginar isto, mas acaba com a maior parte das dúvidas ortográficas. Se vc saber falar a palavra corretamente, vc sabe escrevê-la. Nunca vão aceitar um negócio destes, é só um devaneio meu.
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Eu não acho estranho. Acho essas simplicações soluções ideais que só não são feitas por ignorância... Todo mundo aprenderia a escrever mais rápido - e melhor - e teríamos mais tempo para aprender coisas mais úteis nas escolas. Por exemplo, na faculdade, semana retrasada tive aulas de diferença entre mal/mau e do uso dos porquês, e muita gente não sabia.
Hoje é difícil pensar em tantas mudanças radicais por causa das bilhões de páginas de livros e da Internet, mas num futuro remoto, tenho certeza que as pessoas não conseguirão entender porque usávamos esses sistemas tão complicados nas línguas européias.
Eu tive vários professores de língua portuguesa, e sempre foi uma matéria horrível porque diferia das outras em um aspecto: não existe como vc aprender de forma puramente lógica. Eu tive bons professores que explicavam que todas estas regras e exceções vinham do desenvolvimento histórico da língua. Mas mesmo assim, sempre o mais fácil era decorar do que entender o porquê de ser assim. Nas outras disciplinas, o fio condutor lógico é bem mais evidente (matemática, geografia, história, biologia, química, física e tal); gostando ou não da disciplina, o aluno consegue entender o porquê das coisas.
É muito estranho ficar explicando que o c cedilha se originou, provavelmente, de monges da idade média que escreviam c e, para indicar que o som era de s, escreviam um pequeno s abaixo do c. Isto aí é tortura pra grande parte dos alunos. A língua deve ser de alcance "universal", inclusive pros meio relapsos, sem boa memória e/ou dificuldades relativas de aprendizagem. Caso contrário, parece algo para escribas. É nítido que qualquer um tenha que se exercitar bastante para se expressar de forma escrita (e bem) em qualquer língua. Só que é meio absurdo gastar tanto tempo com ortografia ao invés de se esmerar mais na capacidade de utilizar as estruturas de composição e capacidade de transmitir idéias de forma clara.
| cparakawa wrote: | | A língua deve ser de alcance "universal", inclusive pros meio relapsos, sem boa memória e/ou dificuldades relativas de aprendizagem. Caso contrário, parece algo para escribas. É nítido que qualquer um tenha que se exercitar bastante para se expressar de forma escrita (e bem) em qualquer língua. Só que é meio absurdo gastar tanto tempo com ortografia ao invés de se esmerar mais na capacidade de utilizar as estruturas de composição e capacidade de transmitir idéias de forma clara. |
No caso do ensino da língua, isso depende da abordagem do professor, a tendência atualmente é colocar o aspecto teórico em segundo plano e enfatizar bem mais o lado prático, utilizando textos de todos os tipos e não só literários.
Mas há todo um contexto ideológico e histórico orientado para que a língua dita "culta" seja também um instrumento de poder e de opressão. Dá um tratado sociológico.
| Quote: |
Aula de Português
A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas da minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
Carlos Drummond de Andrade |
| Lviter wrote: | | cparakawa wrote: | | A língua deve ser de alcance "universal", inclusive pros meio relapsos, sem boa memória e/ou dificuldades relativas de aprendizagem. Caso contrário, parece algo para escribas. É nítido que qualquer um tenha que se exercitar bastante para se expressar de forma escrita (e bem) em qualquer língua. Só que é meio absurdo gastar tanto tempo com ortografia ao invés de se esmerar mais na capacidade de utilizar as estruturas de composição e capacidade de transmitir idéias de forma clara. |
No caso do ensino da língua, isso depende da abordagem do professor, a tendência atualmente é colocar o aspecto teórico em segundo plano e enfatizar bem mais o lado prático, utilizando textos de todos os tipos e não só literários.
Mas há todo um contexto ideológico e histórico orientado para que a língua dita "culta" seja também um instrumento de poder e de opressão. Dá um tratado sociológico. |
Eu não sei se é assim em Portugal tbm, mas no Brasil funciona assim: ou vc fala um português "castiço" ou vc é um cidadão de "segunda linha". Se fala e/ou escreve com a precisão e a "pompa" necessária, vc tem um tratamento muito melhor ao tratar de qualquer coisa numa repartição pública ou empresa. As coisas fluem melhor a seu favor, já que vc aparenta ares de "doutor". É um lixo, mas funciona assim. Eu concordo plenamente que a língua culta é instrumento de poder e opressão no Brasil. Embora seja teoria conspiratória, a dificuldade em se utilizar a língua culta de forma plena é uma forma de alijar o grosso da população. Eu sempre tenho a impressão de que cada vez é menor (porcentualmente) o número de pessoas capazes de se comunicar em língua culta.
É só ver a quantidade de pessoas que se maravilham porque "fulano" (político, religioso, etc) fala "tão bonito".
| cparakawa wrote: | | É só ver a quantidade de pessoas que se maravilham porque "fulano" [...] fala "tão bonito". |
A parte infame da história é que nem sempre a mensagem da pessoa elogiada é compreendida. Não há beleza em usar palavras difíceis que não são entendidas pelo público-alvo. Na verdade, isso só atrapalha a eficácia da comunicação. 
| escritor wrote: | | cparakawa wrote: | | É só ver a quantidade de pessoas que se maravilham porque "fulano" [...] fala "tão bonito". |
A parte infame da história é que nem sempre a mensagem da pessoa elogiada é compreendida. Não há beleza em usar palavras difíceis que não são entendidas pelo público-alvo. Na verdade, isso só atrapalha a eficácia da comunicação.  |
Nem sei se é tão infame. Muitas vezes alguém utiliza a língua culta com uma pessoa que não a domine como uma forma de convencimento ou mesmo dengo. Imagine o caso de um vendedor. A pessoa que não teve uma educação muito "primorosa" se sente muito bem tratada caso o vendedor se dirija a ela de forma educada e culta. O excesso de palavras não habituais (ou desconhecidas) ao cliente pode dificultar a venda, mas algumas tem que se usadas como parte da "ritualística". O que retorna à questão da língua culta ser usada como forma de controle, mesmo que ao ouvinte soe confuso ou ambíguo. Pode não ser eficiente para transmitir uma idéia, mas é eficiente ao se obter o efeito desejado, que é construir uma relação de dominação.
^Não tinha pensando em situações como essa, talvez por não ter o costume de tentar "dominar" alguém, mas você está certo.
O problema é usar essa cultura com todo mundo. Podem pensar que é arrogância.
A língua é como um guarda-roupa: vc usa o que é mais adequado à ocasião. É assim que eu encaro. Vc não vai fazer compras na feira ou na padaria e fica falando "bonito". O problema é que a maior parte das pessoas só tem camisa furada e bermuda surrada pra usar. Aí não tem o que usar em ocasiões especiais. 
^E há aqueles que só tem terno e smoking. Tão desagradável quanto o exempo da bermuda. 
Esta que é a parte legal. Se vc restringe sua forma de falar/escrever a um tipo de "vestuário", vc limita suas possibilidades de interação. Eu não sei se é mais difícil "descer do pedestal" da língua culta por causa da soberba e do orgulho ou melhorar o domínio da língua enfrentando a falta de tempo/dinheiro/vontade. Eu consigo circular razoavelmente, o que me é suficiente. Talvez assim o seja com quem só se expresse em língua culta ou só se expresse em linguagem popular. Fora que linguagem popular é um termo bem genérico. "Língua dos manos" é uma forma de linguagem popular, mas a maioria das pessoas não falam igual "mano". Miguxês é linguagem popular? 
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