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[GERAL] - Ortotanásia: você concorda?





Kashinilaya
O assunto é pra lá de polêmico, por isso, se não conseguirmos manter um nível aceitável de debate, não me importarei se os moderadores decidirem bloquear o tópico.

Decidi iniciar essa discussão porque estou vivenciando o drama atualmente e sinto pessoalmente a dificuldade emocional que envolve o assunto.

Uma pessoa muito querida e chegada está no leito de morte, sem que haja possibilidade de cura ou melhora, e a família discute a possibilidade de interromper o tratamento. Tal procedimento é regularmente aceito pelo Conselho Federal de Medicina, tendo este emitido uma resolução no sentido de autorizar o médico a praticar a ortotanásia, em casos específicos, respeitando a vontade do paciente ou, na impossibilidade de o mesmo se manifestar, a vontade de seus representantes legais.

Importante esclarecer as diversas possibilidades:

EUTANÁSIA: Abreviação deliberada de uma vida que, embora com sofrimento, ainda se estenderia por tempo indefinido (considerada crime, no Brasil);

ORTOTANÁSIA: Interrupção de tratamento de paciente terminal, sem possibilidades de recuperação e que, portanto, teria efeito apenas retardatório da morte e o conseqüente aumento do sofrimento;

DISTANÁSIA: Manutenção da vida a todo custo, por meios artificiais, mesmo que o paciente se encontre em vida vegetativa e não haja possibilidade de melhora ou cura (é a prática mais amplamente praticada pelos médicos brasileiros).

Havendo necessidade, colocarei definições mais técnicas.

Por muito tempo rejeitei qualquer alternativa à distanásia. Entretanto, agora que vivencio o problema, percebo a falta de humanidade em tal prática. Em muitos casos, a ortotanásia parece ser a única possibilidade humanitária e que pode respeitar o princípio constitucional da dignidade humana!

Deixe, então, o seu comentário e vamos ver no que dá!

PS: Ando meio sem tempo para o Frihost; talvez demore para responder ao tópico.

Um abraço.
mariohs
Eu pessoalmente nunca ouvi falar no termo, estou aprendendo agora. Depois de filosofar por 2 minutos, não consegui chegar a uma opinião decente. É um caso muito muito delicado, que terá a mesma conseqüência da eutanásia. Embora menos polêmico que a eutanásia, esta situação também é complicada, pois tem-se a consciência de que o paciente virá a falecer.

Ao que entendi, utilizando linguagem mais "popular", eutanásia é forçar a morte do paciente, e ortotanásia é suspender os tratamentos que o mantém vivo, deixando que venha a falecer "naturalmente". Corrija-me se estiver errado.

Tenho uma dúvida...
Se uma pessoa respira com ajuda de aparelhos, o aparelho pode ser considerado um tratamento que a mantém viva. Desligar o aparelho é considerado eutanásia ou ortotanásia?
Vanilla
Sei que eu sou dada a polêmicas, então vamos lá...

Infelizmente, convivi com mais de um caso onde, acho eu, a eutanásia era a melhor saída. De todos, o mais próximo foi o meu pai, que ficou duas semanas sofrendo antes de partir definitivamente. Eu, como pessoa que amava profundamente meus familiares que passaram por essa situação, acredito que era o melhor porque não adianta manter alguém vivo à qualquer custo. E se parar bem pra pensar, é egoísmo da sua parte. Você não quer deixar a pessoa ir, pensando no que você vai sentir. Mas se pensar bem, vai ver o que o indivíduo que ali está deitado naquela cama já não é mais quem você queria que fosse. Prolongar o sofrimento é crueldade, na minha opinião. E eu já deixei avisado aos mais próximos que se algo do tipo acontecer comigo, quero que desliguem os aparelhos e me deixem ir em paz.

É uma escolha, é a minha opinião. Não sou religiosa e nem estou desmerecendo quem seja, só estou dizendo que se fosse o meu caso, eu não quero ficar presa à uma cama de hospital. É doloroso pra quem está nessa situação, e é doloroso pra quem convive. Então melhor que tudo acabe de uma vez.
mariohs
@Vanilla
Independente de ser dada a polêmicas ou não, esse assunto é polêmico por si só. Concordar ou não concordar com eutanásia ou ortotanásia vai gerar polêmica. Eu tenho a tendência a pensar como você, mas isso vai gerar uma repercussão muito grande, principalmente dos que são contra. Mas concordo com você, não deixar que a pessoa se vá enquanto encontra-se naquele estado é egoísmo de nossa parte. Mas até que ponto fazer a eutanásia é realmente tirar a vida de uma pessoa ou não? O que é considerado morte?

Quanto ao caso de ortotanásia, existe uma fina linha entre os dois... ao passo que você suspende os meios que deixam o paciente vivo, você não o está induzindo à morte?
Vanilla
Eu acho que mesmo a eutanásia (que vem do grego e significa "morte boa") ainda é melhor do que ver alguém que você ama em estado vegetativo, por tempo indefinido. Hoje em dia a tendência é considerar morte a partir da morte encefálica, mas há muitos casos onde a morte encefálica é constatada e a família continua mantendo o paciente vivo com a ajuda de aparelhos.
Kashinilaya
Ontem estive conversando com um amigo que é advogado e ele me alertou para um fato importante que se extrai da definição normal dos termos:

a EUTANÁSIA consiste em se abreviar a vida que se manteria por um tempo em condições normais;

a ORTOTANÁSIA (que significa "morte normal") consiste em não se utilizar de meios artificiais para se manter a vida, ou seja, deixar que a vida se mantenha em seu ritmo normal;

a DISTANÁSIA consiste em se manter, por meios artificiais, a vida além do período normal (veja bem, existe uma diferença entre se tratar uma doença que pode levar à morte e tentar manter uma vida em que não haja esperanças de cura).

A observação dele estava no posicionamento da ação no tempo, relativo ao período "normal" de vida. Ou seja, na eutanásia a vida é suprimida antes de se alcançar o tempo normal de vida, na ortotanásia, permite-se que a vida chegue a termo no momento em que o corpo não é mais de sustentá-la, enquanto que na distanásia, ultrapassa-se o período normal da existência.

A importância de tal observação é que quando se entra na distanásia, não há mais como se praticar a eutanásia, ou seja, desligar o aparelho que mantém a pessoa viva não pode ser mais interpretado como eutanásia (que no Brasil é crime), mas deve ser tratado como ortotanásia (autorizada pelo Conselho Federal de Medicina).

Há que se considerar, como já dito acima, a condição clínica do paciente. Se há possibilidade de cura, não se atingiu ainda a distanásia.

É complexo, sem dúvida, mas não tanto quanto tomar a decisão de apagar as luzes daquela vida!
cparakawa
É muito difícil dizer o que é certo ou errado em relação à vida. Os mais radicais vão dizer que tem que se manter a vida a QUALQUER CUSTO. Meu avô tinha uma vida normal, mas quebrou a bacia e, por ser de idade e ser obrigado a ter uma vida sedentária, acabou tendo várias complicações de saúde. Foi definhando até morrer, após 3 anos. Se ele pudesse escolher, especialmente no último ano, ele optaria pela eutanásia.

No caso da ortotanásia (pelo que eu entendi), o paciente muitas vezes não tem como fazer a escolha. Eu tbm já tive casos em família de doentes que se mantém por aparelhos (e medicamentos) e a família se recusa a desligar os aparelhos. É aquela esperança de acontecer algum milagre, especialmente se a pessoa é jovem. Isto envolve sofrimento do paciente e da família, fora que pode implicar em gastos altíssimos que a família vai ter que arcar - e sem expectativa "técnica" da pessoa se recuperar.

Ao contrário dos pró-vida radicais, EU considero que a vida é de cada um. Se a pessoa quer se suicidar, é decisão dela. A eutanásia é uma forma de suicídio.

Ao se tratar da vida de outros, como a ortotanásia, a questão moral é muito forte. Vc decide pela morte de outro. É como um aborto em que o feto apresente problemas (mais ou menos graves, perigo de vida, deficiência mental, etc). A diferença é que no aborto vc contraria o ciclo normal da vida. Na ortotanásia vc deixa o ciclo normal da vida fluir.

Se fosse MINHA escolha, provavelmente com o tempo eu ia acabar por optar por desligar a aparelhagem. Não só pela expectativa do sofrimento e de uma possível vida vegetativa. Eu faço parte daquela minoria que não tem pavor da morte, embora algum medo ou receio exista. As crenças espirituais da pessoa que toma a decisão de vida e morte são muito importantes.

A pessoa precisa estar convicta de que a decisão a tomar é a melhor possível, e muitas vezes esta convicção não deriva da racionalidade pura. Vc pode manter a pessoa sob aparelhos na crença de um milagre - ele pode acontecer. Vc pode optar por permitir que a pessoa morra, na crença de a "pós-vida" do paciente exista e seja agradável ou mesmo necessária (parte do ciclo).

Sempre vão existir, dentro da família, os que se opõe totalmente a desligada dos aparelhos. Alguns se curvam à dureza dos fatos com o tempo, alguns não. Espero que vc e sua família saibam ponderar para tomar a decisão que VOCÊS considerem certa. Não é uma decisão fácil e muito menos rápida.
mariohs
Quote:
Ao contrário dos pró-vida radicais, EU considero que a vida é de cada um. Se a pessoa quer se suicidar, é decisão dela. A eutanásia é uma forma de suicídio.

Eu acho que eutanásia não chega a ser suicídio, tecnicamente falando. Não é você quem se mata, é o médico (espero não estar falando besteira). Resguardandos as diferenças, é como se eu quisesse cometer suicídio e pedisse para que outra pessoa desse um tiro em minha cabeça.

Votando a ortotanásia..
Quote:
A importância de tal observação é que quando se entra na distanásia, não há mais como se praticar a eutanásia, ou seja, desligar o aparelho que mantém a pessoa viva não pode ser mais interpretado como eutanásia (que no Brasil é crime), mas deve ser tratado como ortotanásia (autorizada pelo Conselho Federal de Medicina).

Isso gera muita interpretação e subjetividade... A partir de um momento em que eu começo a fazer tratamento de alguma doença incurável, por exemplo aids, já entro em processo de distanásia? Já que pela definição, ainda não existem esperanças de cura? Se no meio do processo, eu estiver consciente e quiser interromper o tratamento, mas estou "saudável", consciente, andando e falando. Mas quero morrer agora, isso é ortotanásia ou eutanásia?
cparakawa
mariohs wrote:
Quote:
Ao contrário dos pró-vida radicais, EU considero que a vida é de cada um. Se a pessoa quer se suicidar, é decisão dela. A eutanásia é uma forma de suicídio.

Eu acho que eutanásia não chega a ser suicídio, tecnicamente falando. Não é você quem se mata, é o médico (espero não estar falando besteira). Resguardandos as diferenças, é como se eu quisesse cometer suicídio e pedisse para que outra pessoa desse um tiro em minha cabeça.


É que nem mandante de assassinato. O que não dá o tiro, mas contrata o pistoleiro. O dr kervorkian (acho que era este o nome) carregava a máquina de eutanásia no carro, mas quem apertava o botão de ligar era o "paciente", pra barra não pesar pro médico. Pra mim não deixa de ser suicídio. No extremo, vc pode dizer que o sujeito não se matou, embora tenha se jogado de carro de um penhasco. Ou se a pessoa se jogar na frente de um caminhão ou na linha do trem. Se matou, direta ou indiretamente. Pra mim, não faz muita diferença.

Considero que a vida é o maior dom que temos, não importa no que acreditemos ou não acreditemos. Por isto tem que ser tratada com cuidado. Entretanto, existe uma hora em que ela acaba; não existe cura pra tudo, não existe nada que impeça as pessoas de morrerem; por maior que seja o medo da morte. Permitir que uma pessoa possa "descansar em paz" é uma prova de maturidade.

"Quem morre é que perde a vida", existem as pessoas que "morrem" junto com o ente querido. E é óbvio, é mais fácil falar do que passar por isto na pele.

[]'s
Lviter
Este sempre será um assunto polêmico. Acredito que devemos lutar pela vida, enquanto for possível. Mas frequentemente as máquinas e as drogas apenas fazem com que a pessoa vegete por mais tempo. Em determinados casos, acho mais humano desligar os aparelhos e permitir que a Natureza faça sua parte.
mariohs
Quote:
É que nem mandante de assassinato. O que não dá o tiro, mas contrata o pistoleiro. O dr kervorkian (acho que era este o nome) carregava a máquina de eutanásia no carro, mas quem apertava o botão de ligar era o "paciente", pra barra não pesar pro médico. Pra mim não deixa de ser suicídio. No extremo, vc pode dizer que o sujeito não se matou, embora tenha se jogado de carro de um penhasco. Ou se a pessoa se jogar na frente de um caminhão ou na linha do trem. Se matou, direta ou indiretamente. Pra mim, não faz muita diferença.

É por isso que eu disse "tecnicamente". Objetivamente falando, o paciente apertar o botão ou o médico, são coisas diferentes. No final o resultado é o mesmo. Para mim também é a mesma coisa que suicídio, mas não acho que seja assim que se lidam com os casos, já que tanta polêmica gira em torno desse assunto...
pamelaBM
Eu concordo. Hoje em dia as pessoas são obrigadas a viver apenas para dar estatisticas de longevidade, não importa o quão a pessoa esteja doente ou impossibilitada.
fabiotemp
A questão é o que eh viver?
Antigamente, esse termos eram pouco usados, pois a medicina não dispunha de recursos para manter as pesoas com o corpo funcionando. Com o passar dos tempos isso vem se tornando inevitável. Com o avanço da medicina fica cada vez mais fácil mater uma pessoa com as atividades do corpo em funcionamento. Eu acho que se quando se diz desligar aparelhos, parar medicação, isso é apenas dizer, deixar a vida seguir seu curso normal. Existe hoje ainda paises aos quais pessoas morrem por não terem acesso a esses tipos de tratamentos, sendo assim, estariam sendo executados ou se suicidando? Claro que não. A questão parece difícil, porém se torna mais fácil quando temos uma consepção mais clara do que é viver ou morrer. Acredito que se as técnicas de congelamento estivesse desenvolvidas, seria o mais correto, estabilizaria o quadro das pessoas que sofrem até que fosse encontrada as curas, caso contrário, estarão apenas tocando baterias de um aparelho que não funcina mais.
Vanilla
cparakawa wrote:
Ao contrário dos pró-vida radicais, EU considero que a vida é de cada um. Se a pessoa quer se suicidar, é decisão dela. A eutanásia é uma forma de suicídio.


Complicado falar assim. Eu considero que uma pessoa que vegete, ou esteja passando por muito sofrimento já não possui mais vida. Então já não considero suicídio, uma vez que não há mais vida. Tenho certeza que meu pai diria o mesmo se estivesse vivo, pois a vida inteira ele foi a pessoa mais ativa que eu já conheci. Nunca ficava doente e ficar de cama era uma coisa que pra ele já era morrer aos poucos. Pra falar a verdade, nem quando os médicos mandavam ele ficar de cama ele ficava. Ia trabalhar, porque essa era a vida dele.

pamelaBM wrote:
Eu concordo. Hoje em dia as pessoas são obrigadas a viver apenas para dar estatisticas de longevidade, não importa o quão a pessoa esteja doente ou impossibilitada.


As pessoas são mantidas vivas por causa de suas famílias e porque as leis proíbem a eutanásia. Não tem nada a ver com estatísticas.
cparakawa
Vanilla wrote:
cparakawa wrote:
Ao contrário dos pró-vida radicais, EU considero que a vida é de cada um. Se a pessoa quer se suicidar, é decisão dela. A eutanásia é uma forma de suicídio.


Complicado falar assim. Eu considero que uma pessoa que vegete, ou esteja passando por muito sofrimento já não possui mais vida. Então já não considero suicídio, uma vez que não há mais vida. Tenho certeza que meu pai diria o mesmo se estivesse vivo, pois a vida inteira ele foi a pessoa mais ativa que eu já conheci. Nunca ficava doente e ficar de cama era uma coisa que pra ele já era morrer aos poucos. Pra falar a verdade, nem quando os médicos mandavam ele ficar de cama ele ficava. Ia trabalhar, porque essa era a vida dele.


Considerando que a pessoa não esteja em estado vegetativo ou terminal, ou seja, na sua definição, que ela tenha "vida". Se uma pessoa não quer mais viver, seja lá por qual razão, eu considero um direito da mesma não querer mais viver. O único motivo contrário - e é um motivo forte - é que a mesma não vai ter como voltar atrás e se arrepender.

Retornando ao tema, se a pessoa não tem como decidir se deve ser mantida vida por aparelhos/medicação e não tem como se comunicar, como é que se sabe se ela deseja continuar tentando viver? Mesmo sabendo que as chances são mínimas?

Cada pessoa pensa de forma diferente, mesmo um doente terminal com possibilidades mínimas de vida pode estar "desesperado" para tentar prolongar a vida, mesmo que seja de forma vegetativa. Não dá pra ter certeza absoluta. Se eu pudesse escolher, eu prefiria ter morte fulminante. E tbm escolheria nunca ter que enfrentar uma "escolha de Sofia". Mas há coisas na vida a gente não controla.
Vanilla
cparakawa wrote:
Considerando que a pessoa não esteja em estado vegetativo ou terminal, ou seja, na sua definição, que ela tenha "vida". Se uma pessoa não quer mais viver, seja lá por qual razão, eu considero um direito da mesma não querer mais viver. O único motivo contrário - e é um motivo forte - é que a mesma não vai ter como voltar atrás e se arrepender.


Sim, essa é a minha opinião também. Acho que cada um é dono de sua própria vida, pra fazer dela o que bem entender.

Quote:
Retornando ao tema, se a pessoa não tem como decidir se deve ser mantida vida por aparelhos/medicação e não tem como se comunicar, como é que se sabe se ela deseja continuar tentando viver? Mesmo sabendo que as chances são mínimas?


Realmente não tem como. Por isso que, por mais macabro que possa parecer, eu preferi deixar avisado a todos os meus familiares antes que aconteça algo do tipo. Ninguém sabe o dia de amanhã.
Tilibra
esse assunto é muito complicado ....

é muito difícil decidir se uma pessoa deve ou não continuar sendo mantida viva .....

eu nunca passei por tal situação, mas acredito, que cada caso é um caso ....

se o caso é terminal, não tem mais volta, acredito que a ortotanásia seja a melhor coisa a se fazer, pois como a própria definição já diz, "Interrupção de tratamento de paciente terminal, sem possibilidades de recuperação", então não há porque continuar mantendo uma pessoa viva, se ela está praticamente morta, e não terá recuperação ....

é um assunto muito delicado mesmo, assim como a eutanásia .... mas acho que só a própria pessoa poderia decidir se quer ou não continuar vivendo .... no caso da eutanásia isso é possível, mas nos outros casos acho que não seja possível pelo fato do enfermo estar em estado terminal, e sem condições de decidir ou se comunicar ....
CRPLAYES
Esse tema é bastante polêmico... dos casos que já vi há de se frisar alguns fatos:

1) vc acha que deve interromper o sofrimento da pessoa porém entra a questão religiosa que diz que não temos atribuição para interromper a vida de ninguém.
2) nos deparamos com casos de pessoas que perduram anos de tratamento e em um determinado dia milagroso ela dá sinais de recuperação.

Pelo que percebo, os termos usados lá em cima tem denominações diferentes mas com objetivo comum, ou seja, o termo que vc vai usar não importa, o que vale é que vc tem q tomar uma decisão. E não é fácil tomar essa decisão, deve-se pensar bem para não se arrepender depois...
hive
Nem pensar, ortonásia é assassinato. E se a pessoa estiver em estado vegetativo, aparentemente inconsciente, mas tendo sonhos fabulosos em paraísos tropicais, vivendo os melhores momentos de sua vida? O oposto também pode ser verdadeiro mas como poderíamos saber? E claro, existe sempre a possibilidade de um milagre médico e a pessoa acordar numa bela manhã de domingo e sair andando. É fato, como disse o colega acima no 2º apontamento.

Já eutanásia eu acho viável, se a pessoa está consciente o bastante para decidir pela própria vida, decida. Suicídio é um direito universal, está acima das leis humanas.
Kashinilaya
Estive conversando com o Promotor Público da área da saúde. Ele é certamente uma das pessoas mais esclarecidas do país sobre assuntos polêmicos como eutanásia, ortotanásia, aborto e outros do gênero. A visão dele é de fato interessante e voltarei aqui em breve para falar mais do assunto (infelizmente, não tenho tido tempo para o frihost e não gostaria de escrever de forma displicente sobre o tema).
O fato é que temos uma cultura de distanásia, ou seja, manter a vida a qualquer custo. Há muito preconceito e ignorância à respeito. É preciso discutir mais, para que possamos evitar sofrimento desnecessário.
Descobri com o Promotor que é possível deixar por escrito nosso desejo de como queremos ser tratados em casos de doenças crônicas, incuráveis, ou qualquer ocorrência que nos possa levar à uma UTI. Mas, principalmente, existem dispositivos legais, como o Estatuto do Idoso, que concedem aos familiares o poder de tomar certas decisões (dentro de certos limites), quando o enfermo se encontra impossibilitado de se manifestar. O problema é que os médico parecem desconhecer a legislação.
Mais tarde darei mais informações sobre o que descobri.
Um abraço.
Kashinilaya
mariohs wrote:
Votando a ortotanásia..
Quote:
A importância de tal observação é que quando se entra na distanásia, não há mais como se praticar a eutanásia, ou seja, desligar o aparelho que mantém a pessoa viva não pode ser mais interpretado como eutanásia (que no Brasil é crime), mas deve ser tratado como ortotanásia (autorizada pelo Conselho Federal de Medicina).

Isso gera muita interpretação e subjetividade... A partir de um momento em que eu começo a fazer tratamento de alguma doença incurável, por exemplo aids, já entro em processo de distanásia? Já que pela definição, ainda não existem esperanças de cura? Se no meio do processo, eu estiver consciente e quiser interromper o tratamento, mas estou "saudável", consciente, andando e falando. Mas quero morrer agora, isso é ortotanásia ou eutanásia?

Só se entra na distanásia quando se ultrapassa o período normal de vida, ou seja, a vida passa a ser mantida por meios artificiais. Por exemplo, alguma máquina mantém a vida da pessoa de tal maneira que, se desligada, a pessoa não sobrevive. É quando a pessoa entra num processo em que não consegue por si só manter as funções básicas do corpo em funcionamento. Se toma antitérmico, a pressão baixa demais e tem que tomar um remédio para aumentá-la e aí tem taquicardia e tem que tomar outro remédio para controlar o novo problema e por aí vai. Um caso típico é quando uma pessoa tem uma parada cardiorespiratória e é reanimada de forma a ter inúmeras seqüelas e é conseqüentemente ligada a vários aparelhos, sem os quais a vida não seria mantida. Não é necessariamente o caso da AIDS, especialmente se o corpo do enfermo ainda domina as funções vitais.
De qualquer forma, não é sempre fácil definir a situação do paciente.
Kashinilaya
Finalizando o assunto, a revista Bioética (vol. 13, nº 2, 2005) do Conselho Federal de Medicina, publicou uma série de artigos, resultados de um simpósio sobre a terminalidade da vida, onde o assunto foi amplamente discutido. Temas como a dignidade humana no momento da morte, o direito à autonomia do paciente (direito de escolha quanto ao tipo de tratamento a ser dado), a postura dos profissionais da saúde diante do morrer e a futilidade de tratamentos em pacientes terminais resultaram em um documento onde, apesar da inevitável polêmica, novas diretrizes são fornecidas à sociedade para lidar com assunto tão delicado. Entre tais diretrizes, encontra-se a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.805/2006, que autoriza os médicos a praticarem a ortotanásia, nos casos nela citados.

Importante frisar que o direito brasileiro já concede há algum tempo o direito de escolha ao idoso do tratamento que ele julgar mais favorável (artigo 17 do Estatuto do Idoso – Lei nº 10.741/2003), estendendo o exercício de tal direito do idoso aos familiares quando o idoso não puder se manifestar.

Nesse período de transição de paradigma, quando há uma resistência natural às novas idéias, é fundamental ter conhecimento de uma estratégia adicional para se evitar o sofrimento desnecessário do enfermo e de sua família: o “testamento vital” e as “diretivas antecipadas”, cuja finalidade é definir, ainda em vida e gozando de plena saúde, as indicações positivas e negativas de tratamento de saúde e assistência médica. Essa é a visão do promotor, de que falei em um post acima.

Acreditem: o paternalismo ainda permeia a nossa cultura de forma tão absoluta que às vezes nos sentimos seqüestrados e até torturados pelos médicos que foram treinados para manter a vida a qualquer custo. Aconteceu com uma pessoa da minha família. Os parentes se sentem impotentes para resolver a questão. Eu mesmo estou pensando seriamente no texto que colocarei no meu testamento vital. Se há uma coisa que não pretendo é deixar sofrimento de herança aos meus familiares!

Pensem nisso!

Um abraço.
Joker68
Bom, vou ser curto:

1) Uma vez que a pessoa que está em fase terminal esteja sofrendo, e não haja no horizonte próximo uma possibilidade de cura (pesquisas em andamento, etc), eu desligaria.

2) Havendo alguma pesquisa em andamento, ou alguma possibilidade conhecida de retorno desta pessoa a uma condição de vida normal e produtiva (sem sofrimentos para se manter viva), eu não desligaria.

Eu concordo que é muito difícil.
Concordo que a decisão afeta muito os familiares.
O pior é que temos que tomar a decisão sobre a vida de outra pessoa, sem podermos perguntar a ela o que acha. Portanto, é mesmo uma boa idéia deixar dito aos familiares o que fazer se isto acontecer, para não gerar traumas.
gnomme
mariohs wrote:
Quote:
É que nem mandante de assassinato. O que não dá o tiro, mas contrata o pistoleiro. O dr kervorkian (acho que era este o nome) carregava a máquina de eutanásia no carro, mas quem apertava o botão de ligar era o "paciente", pra barra não pesar pro médico. Pra mim não deixa de ser suicídio. No extremo, vc pode dizer que o sujeito não se matou, embora tenha se jogado de carro de um penhasco. Ou se a pessoa se jogar na frente de um caminhão ou na linha do trem. Se matou, direta ou indiretamente. Pra mim, não faz muita diferença.

É por isso que eu disse "tecnicamente". Objetivamente falando, o paciente apertar o botão ou o médico, são coisas diferentes. No final o resultado é o mesmo. Para mim também é a mesma coisa que suicídio, mas não acho que seja assim que se lidam com os casos, já que tanta polêmica gira em torno desse assunto...
mesmo que o medico nao carregue no botao pode ser considerado homicida cumplice
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