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Escolas Tecnicas. O que acha delas?





cparakawa
Estava dando uma olhada no blog do Marcos Guterman, no Estadao, e tive ideia pra este topico.

http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/

Num tempo em que o nivel da maioria das faculdades eh baixissimo e o diploma na mao nao vale muito, nao era hora de se voltar a investir em escolas tecnicas (2o grau) e outros cursos profissionalizantes?

Nao soh pra se formar tecnicos em mecanica, eletronica, etc. Mas tbm para dar algum fundamento para as profissoes em que o sujeito aprende na pratica e no chute, como pedreiros, eletricistas, etc. Saber de novos materiais, seguranca e outras coisas que melhoriam a vida nao soh para eles como para as pessoas que contratam os seus servicos?

Eu tenho extremo orgulho de ter passado por uma escola tecnica em seus tempos de gloria. Sou formado pela Federal de SP, no tempo em que o ensino lah era de excelente qualidade (parece que descambou muito com FHC e Lula). Soh pra ter uma ideia, em 1995, 20% dos aprovados da Poli-USP (engenharias) e 25% dos aprovados da FEA-USP (Adm,Economia e Contabilidade) eram formados pela Federal de SP. Da minha turma de processamento de dados, a maioria acabou cursando universidades de excelencia em sp (USP, UNICAMP, FGV, Unesp), acho que uns 30 dentre 40 alunos. Embora vc nao tivesse quimica, historia, biologia e geografia, matematica era de primeirissima linha, e fisica e lingua portuguesa tbm eram muito bem lecionadas.

Nem tanto pela fisica, mas matematica e lingua portuguesa sao essenciais no segundo grau, mesmo que vc pare de estudar. Se a maioria da populacao tivesse acesso a uma escola em que aprendesse uma profissao ao mesmo tempo que tivesse solidos conhecimentos da lingua patria e de matematica, creio que jah se resolveria boa parte dos nossos problemas de educacao e qualificacao profissional.

E vc?
Estudou em escola tecnica?
Tem alguma opiniao sobre elas?
elton
cparakawa wrote:
o sujeito aprende na pratica e no chute


Muitas pessoas apreeendem uma profissão no chute mesmos.

hj em dia com a banalização de cusrsos, cursos meia boca formam profissionais meia boca, que vão movimentar um mercado meia boca e gerar salarios meia boca por causa de mão de obra de verdade.
Lamentavel a situação aqui no Brazil,

isso é devido a uma serie de fatores, desde professores (MEIA BOCA) mal pagos e sem a verdadeira vontade de lecionar, desde a alunos cabeças de bagre, que preferem levar um Ipod/Mp3 Player pra sala de aula e ficar escutando musicas e vendo videos ao invez de usufruir da aula. Mas é isso.

Educação é fundamental para um futoro melhor.
cparakawa
Eu já lecionei no terceiro grau. Eu acho evidente que os alunos vieram mal formados do segundo grau. No primeiro grau, o aluno ainda é criança, então não adianta forçar a barra. Entretanto, considero que é no segundo grau que o aluno realmente começa a despertar pra vida, seja pro trabalho, pra profissões, pra comportamentos sexuais, pra cidadania, etc. E aí que é a hora de se fortalecer a educação.

Se o aluno sair do primeiro grau sabendo ler e escrever, fazendo as 4 operações básicas e sistemas simples de equações, acho que está de bom tamanho. Noções básicas de outras matérias ajudam. E são 8 anos de escola só pra aprender isto (menos que o atual programa proposto), e não ensinam ...
cabral
Quote:
hj em dia com a banalização de cusrsos, cursos meia boca formam profissionais meia boca, que vão movimentar um mercado meia boca e gerar salarios meia boca por causa de mão de obra de verdade.
Lamentavel a situação aqui no Brazil,


@elton

Realmente, tenho que concordar contigo nessa sua reflexão!
É impossível negar que essa situação ocorre no sistema de ensino naconal!

@cparakawa

Bem, creio que a escola técnica ja teve melhor imagem no mercado de trabalho e ensino nacional. Mas não concordo que o nível da maioria das faculdades seja baixíssimo, o papel da faculdade é fornecer o ensino aos alunos, em caso de particular é vender ensino...e esse papel vc pode ter certeza que nas privadas é desempenhado, é uma pena que nas públicas não seja sempre assim....
Agora o papel do professor é ensinar os alunos da melhor forma possível, usando todo seu conhecimento para prender a atenção dos alunos a aula, e formarem profissionais capacitados e atualizados para o mercado.
Esse papel grande parte das vezes é cumprido, o que acontece com o professor "meia boca" como mencionado acima, nem sempre ele leciona assim em função de um salário pouco agradável. Isso pode ocorrer em função de 80 ou 90% da turma na querer estudar e não fazer a mínima questão da aula que ele leciona, tendo assim uma turma considerada ruim por ele, então ele faz o que pode para ensinar, mas vê que não ta tendo um devida correspondência de grande parte dos alunos, então ele passa a lecionar de forma não muito satisfatória.

*Mas lembrando, em função dos alunos que não querem melhorar seus conhecimentos, nem sempre em função de salários!

Quando o professor tem prazer no que faz, esse quadro é bem diferente, por mais que não ganhe muito bem, ele procura fazer o melhor sempre, motivado pela turma que sendo boa, busca cada vez mais conhecimento, fazendo com que as aulas sejam muito mais agradáveis e obetenham um aproveitamento cada vez mais melhor!

Então, o que ocorre hoje, não é culpa das faculdades não, e sim culpa dos profissionais que enquanto cursavam uma faculdade qualquer, não procuravam aprofundar-se nas matérias para tornar-se um profissional bem qualificado, apenas frequenteou as aulas para obter um diploma!

Quote:
Num tempo em que o nivel da maioria das faculdades eh baixissimo e o diploma na mao nao vale muito...


Isso nunca existiu, tem muito valor sim, muitas empresas exigem um diploma universitário para contratar os candidatos, cabe a cada profissional mostrar seu conhecimento e capacidade para conquistar seu espaço no mercado de trabalho.

É uma pena o pessoal de escola técnica ter um certo receio de quem cursa uma universidade, infelizmente isso ainda é realidade.

Agora,

Quote:
Se a maioria da populacao tivesse acesso a uma escola em que aprendesse uma profissao ao mesmo tempo que tivesse solidos conhecimentos da lingua patria e de matematica, creio que jah se resolveria boa parte dos nossos problemas de educacao e qualificacao profissional.


...com certeza o quadro nacional seria bem diferente, é evidente que estaria muito melhor!
É sempre hora de investir em ensino, qualquer momento é momento certo, é uma área que não era para está abandonada assim...com a maioria das escolas técnicas deteriorando-se!
Infelizmente eu nunca cursei uma escola técnica! Sad

Abraços!
mariohs
Não cursei escola técnica. Um dia tive a oportunidade de escolher, optei pela técnica, porém meus pais me falaram sobre as vantagens de se ir para uma escola "tradicional" no que se fala em termos de vestibular, e optei pela escola "tradicional". Não me arrependo, pois freqüentei uma escola fantástica a custo de muito suor de meu pai, que bancou tudo... depois entrei na faculdade e, como disse o cparakawa, fiz muitos amigos que fizeram 2º grau técnico, todos eles muito inteligentes e com muito conhecimento, muito mais do que eu...

Considero o ensino técnico fundamental na formação das pessoas, ter conhecimento prático das coisas é sempre bom. Mas acho que quem escolhe o caminho do ensino técnico terá um pouco mais de dificuldade ao ingressar em uma faculdade, no que se diz em termos de vestibular, porém muitos conseguem. Hoje em dia curso superior é o mínimo requerido na maioria das empresas que estão contratando, portanto fazer uma faculdade é quase que uma obrigação...
cparakawa
cabral wrote:
Bem, creio que a escola técnica ja teve melhor imagem no mercado de trabalho e ensino nacional. Mas não concordo que o nível da maioria das faculdades seja baixíssimo, o papel da faculdade é fornecer o ensino aos alunos, em caso de particular é vender ensino...e esse papel vc pode ter certeza que nas privadas é desempenhado, é uma pena que nas públicas não seja sempre assim....


Eu tenho impressão que a escola tem que transmitir conhecimento, não importa se seja pública, privada ou fundação. Não sei de que estado vc é, mas em São Paulo as universidades estaduais públicas estão num nível superior tanto local quanto nacionalmente. Existe escola porcaria tanto pública quanto privada. As universidades federais foram sucateadas sim, isto vem desde o governo Sarney - que eu me lembre.

Quote:
Agora o papel do professor é ensinar os alunos da melhor forma possível, usando todo seu conhecimento para prender a atenção dos alunos a aula, e formarem profissionais capacitados e atualizados para o mercado.


Sim

Quote:
Esse papel grande parte das vezes é cumprido, o que acontece com o professor "meia boca" como mencionado acima, nem sempre ele leciona assim em função de um salário pouco agradável. Isso pode ocorrer em função de 80 ou 90% da turma na querer estudar e não fazer a mínima questão da aula que ele leciona, tendo assim uma turma considerada ruim por ele, então ele faz o que pode para ensinar, mas vê que não ta tendo um devida correspondência de grande parte dos alunos, então ele passa a lecionar de forma não muito satisfatória.


Então o professor é meia boca porque o aluno é meia boca? Em boa parte sim, mas existem os maus profissionais.

Quote:
*Mas lembrando, em função dos alunos que não querem melhorar seus conhecimentos, nem sempre em função de salários!


Aí você está misturando o conceito de profissão com o conceito de vocação. No caso do professor existem as duas faces. Lixeiro é profissão (se tivesse vocação ia ser triste). Padre, teoricamente, é vocação. Professor não tem que ser o santo padroeiro da educação, mas também não pode viver de bater o ponto, com a cara amarrada.

Quote:
Quando o professor tem prazer no que faz, esse quadro é bem diferente, por mais que não ganhe muito bem, ele procura fazer o melhor sempre, motivado pela turma que sendo boa, busca cada vez mais conhecimento, fazendo com que as aulas sejam muito mais agradáveis e obetenham um aproveitamento cada vez mais melhor!


Claro, todo mundo trabalha melhor se faz algo que goste.

Quote:
Então, o que ocorre hoje, não é culpa das faculdades não, e sim culpa dos profissionais que enquanto cursavam uma faculdade qualquer, não procuravam aprofundar-se nas matérias para tornar-se um profissional bem qualificado, apenas frequenteou as aulas para obter um diploma!


Que eu me lembre, os alunos diplomados e bem qualificados são minoria. Estou considerando o universo de alunos como um todo.

Quote:

Quote:
Num tempo em que o nivel da maioria das faculdades eh baixissimo e o diploma na mao nao vale muito...


Isso nunca existiu, tem muito valor sim, muitas empresas exigem um diploma universitário para contratar os candidatos, cabe a cada profissional mostrar seu conhecimento e capacidade para conquistar seu espaço no mercado de trabalho.


Vc está misturando as coisas. Com o índice de desemprego alto e muita gente procurando colocação, as empresas tem que criar alguma forma de seleção. Por exemplo, lixeiro precisa ter segundo grau. Precisa de segundo grau? Ou exigir inglês fluente de um candidato que não vai usar esta habilidade quase para nada no emprego? Precisa estar cursando faculdade para ser atendente do Bradesco?

Quote:
É uma pena o pessoal de escola técnica ter um certo receio de quem cursa uma universidade, infelizmente isso ainda é realidade.


Eu espero que a última frase não seja uma indireta. Se for, caiu do cavalo. No meu tempo, o ensino técnico motivava vc a continuar estudando. Se agora for assim, realmente a situação piorou mais do que eu pensava. E se o formando na universidade compete com o formado técnico, é porque o nível da faculdade deve ser bem baixo.

Eu sou formado em escola técnica. Entretanto, parei de exercer a profissão faz 14 anos. Mudei de área, prestei vestibular somente nas 3 universidades paulistas e fui aprovado nas 3. Não contente somente com o que a minha faculdade podia oferecer, cursei disciplinas em outros departamentos de outras faculdades/institutos da USP, como Psicologia, Geografia, História, Cinema e Arquitetura. Também tenho diploma da FGV-SP, num curso pago pelo trampo. No mestrado, fui representante discente, acabei conhecendo o submundo da pós-graduação stricto sensu - que é a mãe da latu sensu. Ministrei aulas em 5 faculdades diferentes, em disciplinas que exigiam alguma capacidade mínima, como Matemática Financeira e Introdução à Economia.

Eu tenho alguma bagagem no ramo. Embora pareça, não estou falando isto para me mostrar. É só pra mostrar que você está muito ERRADO em achar que as faculdades não tem nada a ver com o fato dos alunos serem mal formados, ou que isto se limita às escolas públicas.

A primeira questão é que a maioria dos alunos matriculados, no terceiro grau, faz cursos "cuspe e giz", como Administração (creio que existem dados no site do MEC). As faculdades particulares, em sua maioria, não fornecem nada além do cuspe e giz. A maioria dos alunos é matriculada em escolas que existem não para transmitir e criar conhecimento. São faculdades que visam o lucro.

Isto não é necessariamente ruim. No Brasil, em geral, é.

Você sabia que existe um pool de faculdades que faz "teletransporte" de bibliotecas? Então, na hora da inspeção do MEC, a faculdade não tem uma biblioteca apresentável para a vistoria. Então vc pega pedaços das bibliotecas de outras faculdades e junta. Pra falar a verdade, a a maior parte dos alunos nem vai muito na biblioteca. Mas que é picaretagem, não vejo dúvidas.

É norma não escrita que o aluno só pode ser reprovado em uma disciplina em último caso. Excesso gigantesco de faltas, por exemplo. Se o aluno não estuda, tem que se inventar um jeito de deixá-lo passar. Eu acho bizarro. Mas mercadologicamente é bom. O aluno, não repetindo, se anima a ficar até o final do curso, recebe o diploma, paga as mensalidades e não precisa estudar.

Qualquer professor é instruído a não pegar pesado na matéria. Pois a maior parte dos alunos tem sérias deficiências de formação (ler, escrever, interpretar textos, matemática básica). Então você decepa do programa os pontos mais difíceis, faz um resumo do que sobrar e ministra o conhecimento à conta-gotas. Matéria difícil desanima o aluno.

Chega na hora do provão, muitas faculdades criam cursos de reforço para dar uma melhorada no score das disciplinas que foram ministradas muito nas coxas (quase todas, neste tipo de faculdade).

A Lviter acho que é professora, não sei se é de graduação. Existem várias outras histórias lamentáveis. Você pode dizer que a culpa maior é do aluno despreparado e que tem uma cultura em que estudar é coisa de nerd e trouxa. Vc tapa o Sol com a peneira.

Se seu argumento de que as faculdades privadas fazem o seu papel, de "vender ensino", como é que vc explica que a enorme maioria dos formandos em direito tem que estudar por fora pra passar no exame da OAB? Será que tem tão poucos alunos interessados em se tornar advogados de fato, já que sabem da prova desde o momento em que entram na faculdade? Ou será que a escola fornece ensino e condições de aprendizado insuficientes?

O ensino no Brasil - no geral, público e privado, nos 3 níveis - é lamentável. Sim, existem ilhas de excelência. A faculdade pode não ter culpa das besteiras que se faz nos níveis abaixo. Entretanto, ela é culpada sim na parte que lhe cabe. Não dá pra lavar as mãos.
thi.dias
voltando a falar de escolas técnicas. Eu sou aluno do Cefet/RN. Eu peguei uma época experimental da escola, em que eles separaram o ensino médio do ensino técnico, onde o aluno faz os 3 anos normais de ensino médio, e depois faz mais um ano e meio do ensino técnico. A minha foi a última turma nesse parâmetros. Agora voltou ao que era antes, 4 anos e meio de ensino técnico integrado ao médio.

Bem, terminei ano passado o ensino médio, começarei dia 19 agora o meu tão esperado técnico. Diferente do que diz o criador do tópico:

Quote:
Eu tenho extremo orgulho de ter passado por uma escola técnica em seus tempos de gloria.


Aqui em Natal, a escola técnica ainda continua no seu tempo de glória. Assim como ele, tenho orgulho de ter feito o ensino médio nessa instituição e estar cursando agora o técnico.
Diferente do que muitos esperam, dinheiro não falta. É isso mesmo o que vcs estão lendo. Pelo menos para a infra-estrutura, não para de abrir novos laboratórios de informática, com computadores muito bons, acabam de terminar a nova biblioteca. Colocaram computadores e TVs 29'' em todas as salas de aula. Estão renovando pisos, revitalizando banheiros, vestiários. E tem tbm as unidades descentralizadas, são 4 espalhas pelo estado. Enfim, o governo federal está investindo pesado aqui. Não sei como está nos outros estados, mas aqui está bom, ou melhor, excelente.
Além do mais, segundo as estatísticas, é o melhor ensino do estado, ganhando para qualquer escola particular.

Esse ano foram 151 (de 300) aprovados na UFRN, sendo 10 primeiros lugares, 10 segundos e 10 terceiros. Sem contar as bolsas integrais e parciais ganhas através do prouni. E sem contar tbm as aprovações em escolas militares (Epcar, Epcex, etc).

Eu tenho certeza que se o governo instalasse vários Cefet's pelo Brasil, tomando o Cefet/RN como modelo, o ensino brasileiro iria decolar. Eu tenho prazer de estudar lá.
cparakawa
Gostei de ouvir isto. Eu estudei na ETFSP, mas depois virou CEFET tbm. Os alunos reclamavam que é a única da rede que não tem piscina, pra ver o nível do absurdo. Os contrastes no Brasil são muito grandes. A maioria das escolas públicas de segundo grau deixam muito a desejar, enquanto umas poucas tem nível de excelência tão alto. E tbm é uma escola discriminatória, já que tem vestibular/vestibulinho. Não sei se aí no RN é diferente, mas no tempo que eu estudei havia uma forte concentração de loucos, autistas e cdfs, embora fosse possível encontra seres mais "normais". Acaba criando um ambiente muito propício para o conhecimento, os alunos se sentem motivados (até por competição). Talvez venha daí a bom índice de aprovação no vestibular, é uma suposição.

Thiago, pelo que vc e seus colegas conversam, vão ficar no técnico ou almejam continuar estudando? Acham que estão em situação de vantagem ou desvantagem no mercado de trabalho? No acesso ao terceiro grau, vc já respondeu.

[]'s
mariohs
Quote:
Se seu argumento de que as faculdades privadas fazem o seu papel, de "vender ensino", como é que vc explica que a enorme maioria dos formandos em direito tem que estudar por fora pra passar no exame da OAB? Será que tem tão poucos alunos interessados em se tornar advogados de fato, já que sabem da prova desde o momento em que entram na faculdade? Ou será que a escola fornece ensino e condições de aprendizado insuficientes?

cparakawa, vou pegar apenas esta quote para me intrometer na sua conversa com o cabral... Very Happy

Eu acredito que quem faz a faculdade é o aluno. Mas existe também o lado da grana, no caso das universidades privadas...
Via de regra, os alunos de universidades mais concorridas, têm melhor formação (existem exceções, é claro), portanto o professor pode "puxar" mais o ensino, exigir mais dos alunos. Você que fez FEA (foi isso mesmo ou to viajando?) sabe como é. Conheço um amigo, cujo pai é professor tanto em universidade pública quanto em privada, e ele me disse que foi demitido da universidade particular, pois exigia demais dos alunos (exigia igualmente nas duas universidades) e os diretores da escola fizeram pressão para que ele exigisse menos dos alunos, pois isso estava acarretando mais desistências e conseqüentemente, menor lucro para a escola. Com isso fica aquela má impressão de que a universidade privada tem ensino inferior ao das públicas de primeira linha. Tive vários professores(ótimos professores) que lecionam tanto em escolas públicas quanto em privadas. É claro, como você disse, existem os maus profissionais, em ambas as situações.

Sabemos que o curso de direito da USP - São Francisco é um dos cursos mais prestigiados e o mais concorrido do país. O vestibular é super concorrido, e conseqüentemente os alunos que lá ingressam são alunos muito bons...
cparakawa
Então, se vc exige do aluno, o aluno vai ter aproveitamento melhor - acredito eu. Nas públicas é comum o professor "bombar o aluno". Nem adianta reclamar. O argumento é mais ou menos o mesmo, "é de graça mesmo, cursa de novo no ano/semestre que vem; se quiser passar, vai ter que estudar". Aumenta a desistência, pois têm alunos que ficam bloqueados em algumas matérias e não tem jeito. Como Cálculo 1 e 2. Eu prefiro um sistema de ensino assim do que ver um monte de marmanjo formado que não saiba nem resolver equação de segundo grau (considerando que o curso exija conhecimento matemático mínimo). Ou um formado em direito que não saiba redigir uma redação decentemente. Eu acredito que é melhor formar menos gente na faculdade, mas mantendo algum nível, do que formar um monte de profissionais "aleijados". Eu já arranjei encrenca num curso de reforço pro provão. O problema é que eu não entendi o espírito do negócio. Eu tentava ensinar alguma coisa do que os alunos nem tinham visto. A filosofia era tentar ensinar algo desde que o aluno estivesse preparado "intelectualmente" e "psicologicamente" para o assunto. Ou seja, eu fui muito prego.

Andei repensando no que o cabral escreveu sobre as faculdades particulares venderem ensino. Na ótica de mercado, faz sentido. O mercado (alunos) demandam um produto diferenciado (diploma), aceitam o preço (custo financeiro/mensalidade), mas não encargos adicionais (esforço para obter conhecimento, custo por aprimoramento intelectual). E é isto que a maior parte das faculdades particulares ofertam no mercado. Para os agentes em questão, é perfeito. Para as empresas, sob o ponto de vista da qualificação da mão-de-obra, e o país, sob o ponto de vista do desenvolvimento econômico e social, é lastimável. Ou seja, uma boa solução em termos microeconômicos acaba por resultar em deterioração na conjuntura macro.

Reconheço que o argumento do cabral é correto em grande parte. Só que ensino não deveria ser business puro. Se for assim, melhor acabar com o ensino fundamental gratuito e universal. Sai muito caro pro contribuinte custear um ensino que dá um retorno médio baixo. E educação não é atribuição essencial do Estado desde o princípio do Estado Moderno, é coisa de uns 100 anos. O problema é que, se vc acaba com o ensino fundamental, que cria o aluno analfabeto funcional (já estou avacalhando), acaba o mercado das faculdades que vendem diplomas. Ou seja, se a ótica de mercado do terceiro grau for aplicada ao primeiro e segundo, acaba o mercado no terceiro grau.

Pensando bem, nem é uma situação tão ruim. A diferença do analfabeto e do analfabeto funcional, na minha ótica, é um pedaço de papel que não vale muito - o diploma de segundo grau. Aliás, retorno aqui ao tema do tópico: a escola técnica entrega ao mercado uma pessoa cujo diploma de segundo grau tem alguma validade?
mariohs
Quote:
(...) Aliás, retorno aqui ao tema do tópico: a escola técnica entrega ao mercado uma pessoa cujo diploma de segundo grau tem alguma validade?

Em minha humilde opinião, sim, mas não é o suficiente. Tem alguma validade e pode servir de diferencial, embora em poucos casos e desde que a pessoa tenha diploma de curso superior. Acredito que hoje o diploma de segundo grau ficou menos importante do que era em tempos anteriores. Um diploma universitário tem muito mais peso em um currículo do que um de segundo grau.
cparakawa
É aí que eu não sei. Será que um técnico em eletrônica concorre com um engenheiro eletrônico? O mercado está saturado, mas à este ponto?

Eu tinha a impressão e, com o comentário do thi.dias, ela ficou mais forte. Que não foi o ensino técnico que me alavancou. Foi a qualidade que eu tive no colégio, que por acaso era técnico e público. Como no Brasil parece que "universalização" é algo como baixar os padrões pra poder atender a maioria, o aumento na "penetração" do ensino técnico (os casos citados são só públicos) acarretaria numa queda do mesmo. No passado, os filhos dos ricos e poderosos estudavam no primeiro e segundo grau públicos. Como o Carlos de Campos, atual secretaria da educação na praça da república, em sp. A universalização levou a elite a colocar os filho para estudar em escolas particulares "de elite".

Será que um dia vai ter pedreiro formado no ensino técnico? E se ele disputar vaga de trabalho com um engenheiro civil? Rolling Eyes
mariohs
Entendi seu ponto... mas pelo o que vejo, vagas de estágio e trainees geralmente são voltadas para pessoal com formação universitária. Não sei como é o mercado para os técnicos...
cparakawa
O que eu estava pensando é que o mercado de trabalho não tem condições de colocar tantos formandos todo ano em empregos condizentes. Então tem engenheiro vendendo sanduíche na praia, formado em direito trabalhando de balconista e por aí vai. Infelizmente isto existe e é razoavelmente comum. Não importando a qualidade da formação, alguém não vai arranjar emprego condizente com o diploma.

Imagine o insólito de haver 1 vaga para pedreiro, aí chega um pedreiro que recebeu educação profissionalizante no assunto. E tem um engenheiro civil que não arranja emprego de engenheiro e tá precisando trabalhar de qualquer coisa pra não morrer de fome. Qual candidato é o melhor?
mariohs
cparakawa wrote:
Imagine o insólito de haver 1 vaga para pedreiro, aí chega um pedreiro que recebeu educação profissionalizante no assunto. E tem um engenheiro civil que não arranja emprego de engenheiro e tá precisando trabalhar de qualquer coisa pra não morrer de fome. Qual candidato é o melhor?

Em teoria, o pedreiro tem mais conhecimento prático que o engenheiro, porém acredito que o engenheiro é que terá a vaga...
thi.dias
bem cparakawa, aqui é diferente. Outro ponto forte da instituição que todos frisam é a parte social, que é bem diversificada. Você tem muito contato com pessoas muito ricas e tbm com pessoas muito pobres, pessoas deficientes, enfim, pessoas de todos os tipos. Essa diversificação se deve ao processo seletivo (diferenciado para alunos de escolas públicas) E o convívio entre todos é muito harmonioso, o que faz com que o objetivo da escola (segundo a própria, ela não forma alunos para passar no vestibular e sim para serem cidadãos) seja cumprido. E contrariando o que muitos imaginam, há menos nerds do que pessoas "normais".

Quote:
Thiago, pelo que vc e seus colegas conversam, vão ficar no técnico ou almejam continuar estudando? Acham que estão em situação de vantagem ou desvantagem no mercado de trabalho?


Bem, é unanimidade. Todos querem fazer superior. Só tem uma diferença. Os apressados acabaram desistindo do ensino técnico, e decidiram fazer logo o superior. Os gulosos querem segurar tudo duma vez, estão fazendo superior na UFRN e técnico no Cefet ao mesmo tempo (sou totalmente contra a isso, pois fica muito puxado estudar em dois turnos e tenho certeza que muitos irão desistir do técnico devido a essa carga horária pesada, no entanto já terão tirado vagas de outras pessoas). Existe tbm os espertos Cool (eu me enquadro aqui... hehehehe. brincadeira), na verdade são os tranqüilos como eu, que vou fazer o técnico, após o técnico irei exercer a profissão que aprendi e ao mesmo tempo vou fazer um curso superior.

E na questão do mercado de trabalho, estamos em muita vantagem sim. As empresas daqui prezam muito o diploma do Cefet. Os alunos durante o curso conseguem estagiar e no final do curso são encaminhados para um emprego. Um amigo meu que terminou o técnico de Eletrotécnica em 2002 ainda recebe telefonema de empresas interessadas em contrata-lo (devido ao cadastro dele no SINE - Sistema de Emprego e Renda), mas ele já até mudou de opção profissional. Mesmo já inseridos no mercado de trabalho, os alunos querem fazer um curso superior, pois, quer queria ou não, ter nível superior ainda é mais relevante que ter nível técnico em uma profissão. Como já falaram aqui, "Um diploma universitário tem muito mais peso em um currículo do que um de segundo grau." Ou de um técnico.
cparakawa
thi.dias wrote:
bem cparakawa, aqui é diferente. Outro ponto forte da instituição que todos frisam é a parte social, que é bem diversificada. Você tem muito contato com pessoas muito ricas e tbm com pessoas muito pobres, pessoas deficientes, enfim, pessoas de todos os tipos. Essa diversificação se deve ao processo seletivo (diferenciado para alunos de escolas públicas) E o convívio entre todos é muito harmonioso, o que faz com que o objetivo da escola (segundo a própria, ela não forma alunos para passar no vestibular e sim para serem cidadãos) seja cumprido. E contrariando o que muitos imaginam, há menos nerds do que pessoas "normais".


Tem isto tbm, mas na época que eu cursei era uns 90% advindos da classe média. Existiam ricos e pobres, mas eram minoria. Nerd é uma palavra meio vaga pra mim, cada um acha uma coisa. Por isto que eu prefiri dizer loucos, autistas e cdfs.

Quote:
Bem, é unanimidade. Todos querem fazer superior. Só tem uma diferença. Os apressados acabaram desistindo do ensino técnico, e decidiram fazer logo o superior. Os gulosos querem segurar tudo duma vez, estão fazendo superior na UFRN e técnico no Cefet ao mesmo tempo (sou totalmente contra a isso, pois fica muito puxado estudar em dois turnos e tenho certeza que muitos irão desistir do técnico devido a essa carga horária pesada, no entanto já terão tirado vagas de outras pessoas). Existe tbm os espertos Cool (eu me enquadro aqui... hehehehe. brincadeira), na verdade são os tranqüilos como eu, que vou fazer o técnico, após o técnico irei exercer a profissão que aprendi e ao mesmo tempo vou fazer um curso superior.


Eu achei meio ruim vc fazer médio e técnico separados. Fazendo ao mesmo tempo, no terceiro ano vc já sabe se vc realmente gosta do curso e vai fazer mais um ano. Ou sai do terceiro pra tentar a universidade. E dá pra tocar o quarto ano (eram só matérias técnicas, no período noturno) com a faculdade, se esta não for à noite.

Quote:
E na questão do mercado de trabalho, estamos em muita vantagem sim. As empresas daqui prezam muito o diploma do Cefet. Os alunos durante o curso conseguem estagiar e no final do curso são encaminhados para um emprego. Um amigo meu que terminou o técnico de Eletrotécnica em 2002 ainda recebe telefonema de empresas interessadas em contrata-lo (devido ao cadastro dele no SINE - Sistema de Emprego e Renda), mas ele já até mudou de opção profissional. Mesmo já inseridos no mercado de trabalho, os alunos querem fazer um curso superior, pois, quer queria ou não, ter nível superior ainda é mais relevante que ter nível técnico em uma profissão. Como já falaram aqui, "Um diploma universitário tem muito mais peso em um currículo do que um de segundo grau." Ou de um técnico.


Diploma de segundo grau acho que não tem peso nenhum, tanto que muitos nem colocam aonde cursaram o segundo grau no cv. Pelo menos o de técnico ainda tem, talvez nem tanto por ser técnico, mas por ser técnico numa instituição que as empresas sabem formar bons profissionais, em maioria. Melhor ter o técnico e a universidade, óbvio. Fora que, se for na mesma área, facilita sua vida na universidade.

[]'s
mariohs
Tenho uma pergunta um pouco fora do tópico...
O Thiago afirmou lá em cima, que algumas pessoas freqeüentam o curso superior juntamente com o técnico. Não é necessário terminar um para fazer o outro?
cparakawa
No meu tempo, ao final do terceiro ano vc podia solicitar o diploma de auxiliar técnico (segundo grau + técnico meia boca), suficiente para vc prestar e começar a cursar a faculdade; ao completar o quarto ano, vc era diplomado técnico, desde que cumprisse o estágio mínimo na área de atuação escolhida.

Pelo que eu entendi, agora vc recebe o diploma do segundo grau ao final do terceiro ano e, após mais um ano e meio, recebe o de técnico - não sei se o estágio é obrigatório. O thi.dias deve saber.
paulobrasl
Acho que o ensino técnico tem sua importância, mas infelizmente é muitas vezes encarado como algo de pouco valor principalmente, para as pessoas de nível superior mas num país como o Brasil aonde a taxa de desemprego ainda tem sua principal causa na falta de qualificação dos candidatos teima em reconhecera necessidade de capacitação da população, espero que isso mude. e sim o estagio é obrigatório.
thi.dias
Quote:
Pelo que eu entendi, agora vc recebe o diploma do segundo grau ao final do terceiro ano e, após mais um ano e meio, recebe o de técnico


exato


Quote:
e sim o estagio é obrigatório.


exato


Quote:
Eu achei meio ruim vc fazer médio e técnico separados.


Muitos acharam ruim, por isso voltou ao que era antes, mas particularmente eu gostei. Porque não mistura as coisas. Os professores lá pegam pesado, você tem que estudar pra valer se quer passar mesmo. Por isso, acho que matérias do técnico competindo tempo com as matérias normais faz com que vc naum se dedique ao técnico tanto quanto se dedicaria fazendo-o separado.
cparakawa
Que eu me lembre, é o fato dos professores pegarem pesado que garante a qualidade do ensino nas federais. Se está a fim de moleza, estuda no segundo grau "comum". Tem que ver o lado bom: vc já acostuma o seu cérebro a tomar porrada (alguns só fazem isto ao estudar pro vestibular) e várias coisas vc mal precisa revisar pro vestibular.

O objetivo do ensino técnico é formar um profissional. Então tem que ser desde o princípio, pro aluno abraçar a profissão ou cair fora. Aí o aluno chega no terceiro ano, nem sabe do se trata o curso e vai fazer a faculdade. Fora que, se vc segue no mesmo ramo, várias matérias vc já teve no colégio, aí fica um caminho mais suave. Eu nem precisei estudar cálculo 1 e 2 (nem eram matérias técnicas) na faculdade, enquanto a maioria da minha classe se esgoelava. Cool
thi.dias
cparakawa wrote:
Que eu me lembre, é o fato dos professores pegarem pesado que garante a qualidade do ensino nas federais. Se está a fim de moleza, estuda no segundo grau "comum". Tem que ver o lado bom: vc já acostuma o seu cérebro a tomar porrada (alguns só fazem isto ao estudar pro vestibular) e várias coisas vc mal precisa revisar pro vestibular.



Eu concordo com você. Em momento algum eu falei que isso era ruim, só falei que toma muito o seu tempo e consequentemente:

Quote:
Por isso, acho que matérias do técnico competindo tempo com as matérias normais faz com que vc naum se dedique ao técnico tanto quanto se dedicaria fazendo-o separado.


Isso é inevitável, é fato.

E o que você falou é exatamente o que acontece. Os alunos de outras escolas, além de fazer o ensino médio, se matam fazendo cursos isolados. Ou seja, eles sabem que somente com o que eles aprendem na escola naum é suficiente para passar no vestibular. Já entre os alunos do Cefet, poucos fazem cursos separados, os que fazem na maioria é de uma matéria ou outra que eles tem dificuldade e que irão fazer provas discursivas no vestibular.
Eu mesmo achei muitas questões do Enem ridículas, eu nem fiz a prova, mas quando alguns amigos mostraram-a para mim naum acreditei que tal questão era capaz de medir o nível de aprendizado de alguém. Mas provavelmente essas questões ridículas que vi foram erradas pela maioria dos brasileiros.
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