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País não atinge meta em português no ensino fundamental





phantombr
Em matéria publicada na Folha Online, o Brasil não conseguiu cumprir as metas de curto prazo em melhoria da educação Básica (leia-se Português e Matemática).

Quote:
Pilar afirma que o Proletramento, programa criado em 2005 pelo governo federal que foca a formação dos professores em matemática e português, é uma das explicações para a melhora em matemática.


Sinceramente... que programa?
As ações sairam do papel?
Sim.. porque eu me formei e não fiquei sabendo de nada... e é a minha turma que ta trabalhando nas salas de aula.. se começou agora esse programa, até esses jovens serem professores vai demorar um tempo.

Quote:
A recomendação do grupo para melhorar o quadro é que haja uso de programas adequados para formação de professores e melhoria nas condições de trabalho dos educadores.


Particularmente (licenciado em Matemática) acredito que o ensino está precário e boa parte do motivo é a falta de educação da juventude. Não posso falar de salário, nem de falta de material didático. Não uso isso para ensinar... preciso de lousa, giz e um bom livro. Se não tenho sucesso em ensinar nem 60% do que eu precisaria, entrão creio que ou eu não sei ser professor, ou os jovens não sabem ser alunos.

Sem entrar no mérito.. a maioria que frequenta o fórum vai dizer que é bom aluno (os que não são serão banidos.. pois dificilmente se interessariam em estar ativos nas discussões). Mas lembrem que a taxa de acesso ao ensino superior é de 10% das pessoas na faixa etária. (Vai subir quando o censo contar os cursos a distância.. incrível com o governo consegue gerar números para os anos eleitorais).
D'Artagnan
sinceramente a educação no brasil tem que mudar e pra ontem!

conheço gente que faz faculdade e não sabe fazer equação do primeiro grau !!!

Quote:
falta de educação da juventude.

pior q isso é uma bola de neve, os pais não sabem educar os filhos, que vão passar isso pra frente :/

fora q os metodos de ensino são bem antiquados.
cparakawa
phantombr wrote:
Em matéria publicada na Folha Online, o Brasil não conseguiu cumprir as metas de curto prazo em melhoria da educação Básica (leia-se Português e Matemática).


Metas bem modestas, pelo que eu li. Enfim, não dá para querer melhorias tão aceleradas.

Quote:
Particularmente (licenciado em Matemática) acredito que o ensino está precário e boa parte do motivo é a falta de educação da juventude. Não posso falar de salário, nem de falta de material didático. Não uso isso para ensinar... preciso de lousa, giz e um bom livro. Se não tenho sucesso em ensinar nem 60% do que eu precisaria, entrão creio que ou eu não sei ser professor, ou os jovens não sabem ser alunos.

Sem entrar no mérito.. a maioria que frequenta o fórum vai dizer que é bom aluno (os que não são serão banidos.. pois dificilmente se interessariam em estar ativos nas discussões). Mas lembrem que a taxa de acesso ao ensino superior é de 10% das pessoas na faixa etária. (Vai subir quando o censo contar os cursos a distância.. incrível com o governo consegue gerar números para os anos eleitorais).


Acho que, quando vc fala em "falta de educação da juventude", vc se refere a um problema cultural, não sei a idade média de seus alunos. Considerando que a maior parte dos alunos de primeiro grau só vai à aula para "bater ponto" ou "ver os amiguinhos", a idéia de que os o aluno vá para a escola para aprender é uma utopia no Brasil. Vide a forte deformação cultural da sociedade brasileira em relação à educação. No segundo grau (ensino médio), ainda se vê alguns alunos interessados em aprender, em boa parte por conta do vestibular.

Na minha opinião, faltam duas coisas: incentivo e cobrança. E isto é para alunos, professores e governos. O aluno não tem incentivo para estudar e nem é cobrado pela escola e pela família. Professores não tem incentivos se são esforçados, qualquer tentativa de cobrança é fortemente combatida pelos sindicatos de classe. E os políticos não ganham eleição se melhorarem a qualidade da educação, pois ao mesmo tempo que é demorado, os eleitores não estão preocupados. Se a escola não está ameaçando desabar e tem merenda, tá valendo.

Eu não sei se vou ser banido. Mas eu não fui bom aluno, a menos isto se refira somente a notas obtidas. Só no mestrado que eu fui mais exemplar. No ensino fundamental, o ensino era voltado para uma capacidade de aprendizagem média BAIXA. Ou seja, alguma coisa intermediária entre o nível dos alunos da minha classe e portadores de síndrome de down. Resultado: a maior parte da classe não levava a sério e passava com um pé nas costas.

Na faculdade, a situação piorou. Tive uma minoria de professores bons e regulares, a maioria era um lixo mesmo. Fora quando as disciplinas eram em classes de 180 alunos. A parte pior é que o primeiro grau foi numa das 3 melhores escolas municipais de São Paulo, e o currículum devia ser o mesmo para todas, não importava que estavam nivelando por baixo. A faculdade é uma das melhores do Brasil no ramo.

Tudo bem, vc é professor de matemática. A menos que vc dê aula em alguma escola de "elite", a perspectiva é da educação continuar piorando qualitativamente. Mesmo que os professores se esforcem, se alunos, pais e políticos não estão preocupados, não dá pra querer ser herói por muito tempo.

Um amigo meu só dá prova de V ou F na faculdade. Não tem condição de ler o que os alunos escrevem, visto que a maioria é formada por analfabetos funcionais. E é normal, para ensinar matemática financeira, ter que ensinar equação de primeiro grau. Eu vi vários colegas professores não exigirem nenhum problema envolvendo equações de segundo grau, caso contrário eles teriam que ensinar. Me lembro claramente de um deles, que dizia para os alunos "isto aqui é muito complexo, estou explicando só como curiosidade". E eu aprendi no colégio derivada e integral. Equação de segundo grau eu aprendi na quinta série. Na quarta série, um aluno "anta" da minha classe sabia ler e escrever tão bem quanto um aluno normal que termine o ensino médio de hoje.

Aprender a escrever pra quê? Existe corretor ortográfico no Word e no Firefox.
Aprender matemática pra quê? Qualquer celular tem calculadora.
Pois é ... O importante é que o Ronaldo tá no Corinthians.
Lviter
cparakawa wrote:


Na minha opinião, faltam duas coisas: incentivo e cobrança. E isto é para alunos, professores e governos. O aluno não tem incentivo para estudar e nem é cobrado pela escola e pela família. Professores não tem incentivos se são esforçados, qualquer tentativa de cobrança é fortemente combatida pelos sindicatos de classe. E os políticos não ganham eleição se melhorarem a qualidade da educação, pois ao mesmo tempo que é demorado, os eleitores não estão preocupados. Se a escola não está ameaçando desabar e tem merenda, tá valendo.




Concordo com praticamente todas as sua considerações, Cparakawa, especialmente com esta última afirmativa. E acrescento aqui também alguns pontos para discussão.

A ineficiência da Educação também é a ineficiência da gestão governamental, porque cerca de 85% dos estudantes brasileiros são atendidos pela escola pública. Não se investe o suficiente em Educação, com certeza. Mas pior que isso: se gasta mal, sem mencionar todos os ralos de desvio de verbas.

Há ilhas de excelência tanto no setor público como privado. Mas elas se valem em muito do efeito "tostines": entram bons alunos, saem bons alunos. E há que se considerar que o ambiente social faz muita diferença por uma série de fatores, mas principalmente pelo aspecto cultural: em famílias onde o bom desempenho escolar é mais valorizado e acompanhado, certamente se obterá um resultado melhor do que em outra em que a criança fica o dia inteiro sozinha, porque a mãe, geralmente também pouquíssimo escolarizada, não tem com quem a deixar.

Mas em muitos casos o que vale hoje na escola pública é o "assistencialismo pedagógico". Em nome da falência do próprio processo de aprendizagem, e se interpretando mal uma série de postulados teóricos de especialistas como Paulo Freire, a grande maioria é aprovada, independentemente de seu desempenho.

Muita coisa inútil é ensinada na escola, e o que seria realmente útil acaba se perdendo no meio de tanto conhecimento enciclopédico. Tanto em Matemática (pra que 90% das pessoas vão precisar usar trigonometria?) como em Português (que grande diferença faz eu saber as classificações das orações coordenadas para eu ler e escrever melhor?) e em outras disciplinas.

A escola é chata, muito chata, ainda mais depois da informática e da internet. Claro que existe um lado de disciplina e esforço que é inerente ao próprio processo de aprender, que é bom lembrar: não é algo passivo. Ao contrário do que se pensa, ninguém consegue "obrigar" ninguém a aprender. Não por muito tempo, ao menos. Mas fazemos hoje, na maioria das escolas brasileiras, como Anchieta e os jesuítas há séculos atrás: carteiras enfileiradas e lousa apenas... E não estou falando de recursos pedagógicos, porque não adianta encher as escolas de tecnologia, principalmente se os professores não sabem usá-las. Estou falando de metodologia mesmo.

Outro problema sério: a maioria não lê. E não falo de ler clássicos da Literatura, mas de ler revistas, jornais, coisas mais consistentes na internet (sair do binômio msn + orkut). Eu tento tudo para que meus alunos leiam (sou professora de português), tando sedução e persuasão, como obrigação. Em metade dos casos alcanço algum resultado positivo, apesar dos protestos. Depois a maior parte me agradece, e alguns tomam gosto por ler. Só lamento que os professores antes de mim não tenham conseguido incentivá-los a ler, e muitos comecem muito tarde.

E há casos engraçados. Normalmente começo o ano pedindo para lerem um livro, qualquer livro que queiram, e depois peço algum tipo de relatório para avaliar. Neste ano, um de meus alunos de Ensino Médio trouxe um livro infantil de 20 páginas chamado "A Tartaruga Franklin" e me disse, com sinceridade, que há anos não lia livro algum. Não preciso dizer que o desempenho dele em Língua Portuguesa era pífio.
cparakawa
Lviter wrote:
A ineficiência da Educação também é a ineficiência da gestão governamental, porque cerca de 85% dos estudantes brasileiros são atendidos pela escola pública. Não se investe o suficiente em Educação, com certeza. Mas pior que isso: se gasta mal, sem mencionar todos os ralos de desvio de verbas.


Eu não acho que se gasta pouco em educação. Claro que há espaço para se gastar mais. Eu me lembro de uma tabela com o gasto por aluno e o desempenho médio de países. Muitos países gastam menos que o Brasil e tem desempenho bem melhor. Mesmo na ponta "rica" da tabela, países como o Reino Unido gastam bem mais por aluno e tem desempenhos inferiores a países mal-remediados do leste europeu. Não adianta ter sala de video se não há videos decentes. Não adianta laboratório de informática se o próprio professor só usa msn e orkut. Nem estou entrando na discussão de roubos e corrupção. É um jogo de empurra, em que quase ninguém tem interesse de realmente arregaçar as mangas.

Quote:
Há ilhas de excelência tanto no setor público como privado. Mas elas se valem em muito do efeito "tostines": entram bons alunos, saem bons alunos. E há que se considerar que o ambiente social faz muita diferença por uma série de fatores, mas principalmente pelo aspecto cultural: em famílias onde o bom desempenho escolar é mais valorizado e acompanhado, certamente se obterá um resultado melhor do que em outra em que a criança fica o dia inteiro sozinha, porque a mãe, geralmente também pouquíssimo escolarizada, não tem com quem a deixar.


Eu ainda acho que a parte mais importante para resolver o problema é o aluno, concordando com o phantombr. Se o professor é vagabundo ou fraco, o aluno tem como reclamar e mesmo boicotar o professor. Se a escola não tem estrutura, já vi várias reportagens de alunos que conseguem aprender mesmo sem material didático e sentando no chão. Só que o aluno vai se interessar por aprender de acordo com o ambiente familiar e, quando adolescente, de acordo com a própria comunidade. Então sifu ...

Quote:
Mas em muitos casos o que vale hoje na escola pública é o "assistencialismo pedagógico". Em nome da falência do próprio processo de aprendizagem, e se interpretando mal uma série de postulados teóricos de especialistas como Paulo Freire, a grande maioria é aprovada, independentemente de seu desempenho.


Eu vi isto quando meu irmão mais novo entrou no ensino básico. A escola era a mesma, os professores os mesmos. Mas o governo Erundina implantou um tal de plano Alfa, baseado nas idéias do Freire, e a qualidade de ensino caiu muito. Não só pela falta de familiaridade/treinamento dos docentes, como pela idéia da educação "dedutiva". O aluno tem que decorar a tabuada. Tem que decorar as desinências. Algumas coisas são aprendidas na "martelada".

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Muita coisa inútil é ensinada na escola, e o que seria realmente útil acaba se perdendo no meio de tanto conhecimento enciclopédico. Tanto em Matemática (pra que 90% das pessoas vão precisar usar trigonometria?) como em Português (que grande diferença faz eu saber as classificações das orações coordenadas para eu ler e escrever melhor?) e em outras disciplinas.


Eu vou defender a trigonometria. Very Happy Ela é base pra física, por exemplo. Quem entende alguma coisa de física é menos propenso a sofrer acidentes imbecis por falta de noção. Considerando que muita gente trabalha no ramo da construção ou tenta arrumar as coisas em casa por conta própria, não é algo irrelevante. Fora que o desenvolvimento da capacidade de imaginação espacial fortalece o raciocínio lógico. Inclusive na hora de arrumar os móveis dentro de casa. Cool

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A escola é chata, muito chata, ainda mais depois da informática e da internet. Claro que existe um lado de disciplina e esforço que é inerente ao próprio processo de aprender, que é bom lembrar: não é algo passivo. Ao contrário do que se pensa, ninguém consegue "obrigar" ninguém a aprender. Não por muito tempo, ao menos. Mas fazemos hoje, na maioria das escolas brasileiras, como Anchieta e os jesuítas há séculos atrás: carteiras enfileiradas e lousa apenas... E não estou falando de recursos pedagógicos, porque não adianta encher as escolas de tecnologia, principalmente se os professores não sabem usá-las. Estou falando de metodologia mesmo.


Minha experiência pessoal é que a "escola" é chata porque é uma fábrica que adiciona um conteúdo "médio" para um aluno "médio". O aluno que está fora desta média já está deslocado, ou ele aprende muito devagar ou muito rápido. E aí fica chato. Como não dá pra ter professor particular pra todo mundo, não inventaram uma opção melhor pro ensino universal.

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Outro problema sério: a maioria não lê. E não falo de ler clássicos da Literatura, mas de ler revistas, jornais, coisas mais consistentes na internet (sair do binômio msn + orkut). Eu tento tudo para que meus alunos leiam (sou professora de português), tando sedução e persuasão, como obrigação. Em metade dos casos alcanço algum resultado positivo, apesar dos protestos. Depois a maior parte me agradece, e alguns tomam gosto por ler. Só lamento que os professores antes de mim não tenham conseguido incentivá-los a ler, e muitos comecem muito tarde.


Eu era simplesmente obrigado a ler determinados livros. Nunca foi me dada a opção de escolher, dentre 20 livros, o que me mais me agradasse. Se eu fosse obrigado a ler 4 livros por ano, de 3 eu não gostava e 1 era mais ou menos. Depois de alguns anos, vc pega desgosto pela leitura. O que não pediam para eu ler e que eu lia, formaram a base do meu conhecimento: cadernos de política, economia e noticiário internacional. De um dos jornais mais casca grossas: O Estado de São Paulo, que sempre foi longe de acessível.

Incentivar a ler dá muito trabalho. Fora o preço de muitos livros. Os livros do Harry Potter deram um bom boost no incentivo à leitura nos países de língua inglesa. No Brasil não se incentiva a ler, não se incentiva quem escreve, não se incentiva quem publica (livro é artigo de luxo). Ler é uma droga, vc vai ter hipermetropia ou astigmatismo. Povo bom é povo saudável.

Quote:
E há casos engraçados. Normalmente começo o ano pedindo para lerem um livro, qualquer livro que queiram, e depois peço algum tipo de relatório para avaliar. Neste ano, um de meus alunos de Ensino Médio trouxe um livro infantil de 20 páginas chamado "A Tartaruga Franklin" e me disse, com sinceridade, que há anos não lia livro algum. Não preciso dizer que o desempenho dele em Língua Portuguesa era pífio.


Não sei o que vc acha, mas eu tenho uma solução mais prática. Aliás, algumas faculdades estão fazendo isto. Gerar todas as aulas em video. Obviamente, alguns professores tem uma capacidade de comunicação muito superior. Vc gera video-aulas (estilo telecurso). Os professores deixam de ministrar conteúdo, eles passam a acompanhar o aluno e tirar dúvidas. Óbvio que o professor de matemática/portugês vai ter muito mais trabalho no dia-a-dia do que o professor de história/biologia. Mas isto vai enfrentar vários problemas de frente. Como a falta de interesse dos alunos por despreparo do professor. E vai ser uma tormenta pros docentes, visto ficar evidente desníveis absurdos entre uma video-aula bem produzida e de um professor despreparado.

Conforme eu disse, o mais importante é desatar o problema pelo lado do aluno. Um aluno que goste de uma determinada aula, pode asisti-la novamente. Ou mesmo procurar aulas mais avançadas sobre o assunto. Desvaloriza o professor, mas os alunos já não dão valor, os governos não dão valor e a maioria dos professores não valorizam o seu próprio trabalho. Pode não resolver muito para aulas de português e matemática, mas eu vejo como um grande avanço para as outras disciplinas. Enquanto não se conscientizar o aluno de que ele PRECISA aprender, e se ele gostar não é vergonha, todo o resto é paliativo.

Mas é difícil quando se vê que os "ídolos" atuais são analfabetos funcionais, e não é só no Brasil. Vai estudar pra quê? De acordo com a mídia, quem se dá bem na vida é quem não estuda. As pessoas que estudam e se sobressaem viram nerds abobados ou pessoas do "lado negro da força" (pessoas más que ficam ricas por terem conhecimento/inteligência/esperteza). O bom é ser do povo, analfabeto, ignorante e facilmente manipulável. E dá-lhe Ronaldo no Corinthians.

Eu escrevi num post antigo, que não é vergonha ser pobre, analfabeto, ter dificuldades de sobrevivência, ser ignorante, etc, etc. Só que se chega num ponto em que as pessoas tem ORGULHO destas coisas. "Idiocracia" é um excelente filme sobre o assunto, pena que o futuro distante do filme seja tão atual. Dizem que as pessoas só são realmente livres se tem acesso à educação de qualidade. A questão é saber se as pessoas querem ser livres pensadoras. Dá muito trabalho ser consciente dos seus próprios atos e escolher entre inúmeras possibilidades. É por isto que cachorro gosta de ter dono.

[]'s

P.S.: Eu gosto de cachorros.
Liques
Não sei se vocês tem uma mente 'fresca' do ensino fundamental, eu tenho e lembro muito bem dos problemas. Hoje os alunos também tem grande parcela de culpa...

A grande maioria dos alunos não respeitam os professores, fazem até certos tipos de orgias em aula. Não tem conciência que a escola é para vida toda e não para fazer uma provinha de vestibular. É muito triste tentar ser um aluno exemplar... você pode até ser o único da sala.

Lembro que quando eu já estava cursando o 2º grau, fui em outro turno para escola fazer um trabalho. Eu e mais uns 3 colegas levamos um choque ao ver uma cena. Nos vimos, entre outras crianças brincando no pátio, um menino e menina de mais ou menos 11 anos, abraçados a fortes beijos. O menino estava até com a calça abaixada. Isso, na frente de todo mundo, imagine o que essas crianças podem ter feito escondidas?

Claro, porém infelizmente, esse ato não é considerado por esse mundo alienado como algo totalmente errado. Mas mostra que como as crianças estão encarando o ambiente escolar. Quando essas crianças ficarem mais velhas, chegando no 2º grau, o desrespeito aos professores com certeza vai ser muito maior que quando mais novos.
cparakawa
Tenho a séria impressão de que criança que não respeita os professores tbm não respeita os pais.
Guardian
Não sei qual é pior: Falta de respeito, falta de interesse, alunos que não gostam de pergunta e leva a dúvida consigo mesmo, etc, etc...

As faculdades nem me fale.... Esses dias eu fiz uma inscrição numa faculdade, aí recebo um telefone falando que eu passei no vestibular... Como assim!? Eu nem fiz a prova! Isso que são critérios de seleção hehe.

Agora o difícil é arranjar uma solução para tal situação... Como fazer os alunos se interessarem pelo estudo? Criando aulas mais atrativas? Incentivando os alunos? E para os casos que aparentemente não tem solução (os chamados "alunos problemas")? Punições severas não podem ser adotadas... E educação (respeito)? A educação parte de dentro de casa, e, muitas mães e pais mal sabem onde seus filhos estão...

Nossa, dava até pra montar um "curso de faculdade" para estudar tudo isso, é uma área bem ampla hehe.
D'Artagnan
cparakawa wrote:
Tenho a séria impressão de que criança que não respeita os professores tbm não respeita os pais.


claro que essa é a maioria dos casos, mas muitos professores vão extremamente desparados para dar aula, e terminam sendo "fracos" ou abusivos
cparakawa
D'Artagnan wrote:
cparakawa wrote:
Tenho a séria impressão de que criança que não respeita os professores tbm não respeita os pais.


claro que essa é a maioria dos casos, mas muitos professores vão extremamente desparados para dar aula, e terminam sendo "fracos" ou abusivos


Eu estava pensando em respeito mínimo. Uma criança "moderna" que fale pros pais VTC, VSF ou chama de FDP, não vai respeitar o professor, independendo da qualidade do mesmo. Sei lá, eu tenho 34 anos, na minha época se apanhava ou ficava de castigo por causa disto. Na geração do "tudo pode", não dá pra esperar muita coisa.

Se é para inserir o problema da educação num contexto maior, creio que a própria desarticulação familiar pela qual sofre a sociedade, somada à crise de valores, não vai permitir nenhuma melhoria a curto, médio e longo prazo. Conforme dados estatísticos do próprio IBGE, a maioria das famílias é chefiada tão somente pelas mães. Culpa dos homens que fazem filhos e saem andando e das mulheres que tem filhos sem se preocupar com a qualidade de vida para os mesmos e para si próprias. Nas famílias "normais", com pai e mãe, o comum é ambos trabalharem e tentarem compensar a falta de tempo/atenção mimando e dando liberdade sem controle aos filhos.

[]'s
Lviter
cparakawa wrote:
Eu não acho que se gasta pouco em educação. Claro que há espaço para se gastar mais. Eu me lembro de uma tabela com o gasto por aluno e o desempenho médio de países. Muitos países gastam menos que o Brasil e tem desempenho bem melhor. Mesmo na ponta "rica" da tabela, países como o Reino Unido gastam bem mais por aluno e tem desempenhos inferiores a países mal-remediados do leste europeu.


Não quero esgrimir estatísticas, mas ainda não se investe o suficiente. Falo investir porque gastos em Educação deveriam ser encarados e ter retorno como investimentos se realmente houvesse resultados.

Mas o primeiro passo é com certeza se "gastar" bem, antes de se "gastar" mais. Uma questão a considerar aí é que parte considerável da verba tida como para "educação" é consumida com merenda p.ex. e outras despesas indiretas. Estes itens certamente não são custeados como despesas com educação por boa parte de outros países cujos gastos entram nestes comparativos.

Claro que são despesas necessárias, mas a verdade é que são políticas sociais e não educacionais. Resultado? As crianças estão se alimentando melhor (Que bom!), mas continuam sem aprender, e por não terem bons empregos vão continuar dependendo de políticas assistencialistas como essa (Que ruim!).

cparakawa wrote:
Não adianta ter sala de video se não há videos decentes. Não adianta laboratório de informática se o próprio professor só usa msn e orkut.


Concordo totalmente. Aliás este é o meu metier, porque trabalho dando oficinas pra professores, exatamente pra tentar abrir os horizontes deles, no caso mais especificamente pra integrar as tecnologias com seu trabalho. Alguns se interessam, outros não, é fato. Mas o que atrapalha a muitos é o cansaço e desânimo provocados por jornadas exaustivas de trabalho (que um professor normalmente precisa fazer pra ter uma renda razoável...). Ninguém tem saco nem tempo de aprender mais nada, porque o tempo que sobra é pouco, e muitos se acomodam em fazer tudo como sempre fizeram.

cparakawa wrote:
Eu ainda acho que a parte mais importante para resolver o problema é o aluno, concordando com o phantombr. Se o professor é vagabundo ou fraco, o aluno tem como reclamar e mesmo boicotar o professor.


A princípio seria... Mas pense em adolescentes... ou mesmo crianças... Que nível de discernimento e articulação se pode esperar que tenham para reagir e protestar? Imagine-se na idade deles... São vítimas da própria inconsequência típica da idade.


cparakawa wrote:
Se a escola não tem estrutura, já vi várias reportagens de alunos que conseguem aprender mesmo sem material didático e sentando no chão.


É... Pode ser. Mas este tipode reportagem normalmente embute uma visão distorcida da coisa. Eu já vi fazerem reportagens sobre projetos em escolas que eu trabalhei e venderam uma maravilha que absolutamente não era verdade. Mas o mais me chama a atenção nesta espécie de matéria em jornal e TV, é que ninguém se escandaliza com uma escola sem material didático com os alunos sentados no chão... Eu não matricularia meu filho em uma escola assim.[quote]


Quote:
Minha experiência pessoal é que a "escola" é chata porque é uma fábrica que adiciona um conteúdo "médio" para um aluno "médio". O aluno que está fora desta média já está deslocado, ou ele aprende muito devagar ou muito rápido. E aí fica chato. Como não dá pra ter professor particular pra todo mundo, não inventaram uma opção melhor pro ensino universal.


Isto é parcialmente verdade. Mas a verdade é que toda e qualquer obrigação costuma ser chata: estudar, trabalhar, fazer exercícios... Pra gente fazê-las com mais prazer tem que temperar com coisas boas como priorizar assuntos e métodos que te agradem para fazer aquilo, se concentrar nos objetivos, descobrir seu ritmo. Descer a seco é sempre muito pior.

Quote:
Eu era simplesmente obrigado a ler determinados livros. Nunca foi me dada a opção de escolher, dentre 20 livros, o que me mais me agradasse.


Eu sempre dou opções, exatamente por isso. Só "obrigo" a ler (mas normalmente também dou a opção de ver os filmes adaptados da obra) alguns clássicos indispensáveis a cultura de qualquer um (mas também dou uma lista enorme pra escolher e oriento). O hit entre minhas alunas este ano por exemplo foi a série "Crepúsculo"...Smile


Quote:
Não sei o que vc acha, mas eu tenho uma solução mais prática. Aliás, algumas faculdades estão fazendo isto. Gerar todas as aulas em video. Obviamente, alguns professores tem uma capacidade de comunicação muito superior. Vc gera video-aulas (estilo telecurso). Os professores deixam de ministrar conteúdo, eles passam a acompanhar o aluno e tirar dúvidas. Óbvio que o professor de matemática/portugês vai ter muito mais trabalho no dia-a-dia do que o professor de história/biologia. Mas isto vai enfrentar vários problemas de frente. Como a falta de interesse dos alunos por despreparo do professor. E vai ser uma tormenta pros docentes, visto ficar evidente desníveis absurdos entre uma video-aula bem produzida e de um professor despreparado.


Eu sou amplamente favorável a recursos audiovisuais e outros e ao Ensino à distância. Mas nada substitui um bom professor, inclusive na área de Informática. Porque é ele quem pode dar "o caminho das pedras". Cada prática em seu contexto. Eu vi uma frase que diz o seguinte: "Se um professor pode ser substituído por um computador, então ele merece sê-lo."

Quote:
Enquanto não se conscientizar o aluno de que ele PRECISA aprender, e se ele gostar não é vergonha, todo o resto é paliativo. Eu escrevi num post antigo, que não é vergonha ser pobre, analfabeto, ter dificuldades de sobrevivência, ser ignorante, etc, etc. Só que se chega num ponto em que as pessoas tem ORGULHO destas coisas.


Eu não sou anti-Lula, mas infelizmente ele é um dos que tem orgulho de ter ido longe sem ter feito um curso superior. O chato é que dá pra imaginar que não lhe faltaram oportunidades de fazer um, depois que se tornou líder sindical...
cparakawa
Lviter wrote:
Claro que são despesas necessárias, mas a verdade é que são políticas sociais e não educacionais. Resultado? As crianças estão se alimentando melhor (Que bom!), mas continuam sem aprender, e por não terem bons empregos vão continuar dependendo de políticas assistencialistas como essa (Que ruim!).


Se é só para serem alimentadas e serem tão bem educadas como se estivessem na rua, era muito mais barato só contratar merendeiras e construir cozinhas.

Quote:
cparakawa wrote:
Eu ainda acho que a parte mais importante para resolver o problema é o aluno, concordando com o phantombr. Se o professor é vagabundo ou fraco, o aluno tem como reclamar e mesmo boicotar o professor.


A princípio seria... Mas pense em adolescentes... ou mesmo crianças... Que nível de discernimento e articulação se pode esperar que tenham para reagir e protestar? Imagine-se na idade deles... São vítimas da própria inconsequência típica da idade.


Pois é. Eu fui vítima da terrível maldade dos meus pais e, antes de eu ir à escola, já tinha sido feita a lavagem cerebral de que estudar iria fazer minha vida melhor.

Quote:
cparakawa wrote:
Se a escola não tem estrutura, já vi várias reportagens de alunos que conseguem aprender mesmo sem material didático e sentando no chão.


É... Pode ser. Mas este tipode reportagem normalmente embute uma visão distorcida da coisa. Eu já vi fazerem reportagens sobre projetos em escolas que eu trabalhei e venderam uma maravilha que absolutamente não era verdade. Mas o mais me chama a atenção nesta espécie de matéria em jornal e TV, é que ninguém se escandaliza com uma escola sem material didático com os alunos sentados no chão... Eu não matricularia meu filho em uma escola assim.


Óbvio que com estrutura adequada, tudo mais mantido constante, é muito melhor. Só que, a meu ver, o mais importante é a interação e o interesse de professores e alunos. Especialmente nas disciplinas básicas, português e matemática.

Eu citei isto por experiência própria. Eu já ministrei aulas de informática básica, para pessoas carentes e com computadores bem abaixo do ideal. Tenho orgulho de dizer que os alunos aprenderam melhor e mais rapidamente do que nos cursinhos de informática caça-níqueis por aí. E o motivo é simples: mesmo sem material e estrutura (e nem pagamento), eu ia dar aula porque eu queria e me interessava; os alunos, mesmo sabendo que a estrutura era bem improvisada, iam porque queriam aprender.

Sendo vc professora, deve notar que a diferença é ENORME só pelo fato da classe ter interesse e se torna mais prazeirosa a tarefa de ensinar. Este foi o cerne do que eu quis dizer. Às vezes parece que , pelo fato da estrutura ser boa, a escola/curso é melhor. Eu acho que é importante mas não é o mais importante. E também admito que minha experiência lecionando é muito menor do que os "professores profissionais" com muito mais tempo de janela.

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Minha experiência pessoal é que a "escola" é chata porque é uma fábrica que adiciona um conteúdo "médio" para um aluno "médio". O aluno que está fora desta média já está deslocado, ou ele aprende muito devagar ou muito rápido. E aí fica chato. Como não dá pra ter professor particular pra todo mundo, não inventaram uma opção melhor pro ensino universal.


Isto é parcialmente verdade. Mas a verdade é que toda e qualquer obrigação costuma ser chata: estudar, trabalhar, fazer exercícios... Pra gente fazê-las com mais prazer tem que temperar com coisas boas como priorizar assuntos e métodos que te agradem para fazer aquilo, se concentrar nos objetivos, descobrir seu ritmo. Descer a seco é sempre muito pior.


Como eu disse, é minha experiência pessoal. Eu não gosto de química, talvez pelo fato de um conhecimento inútil na minha vida. Só que eu sei, desde pequeno, que muitas coisas da vida são uma m*rd* mas vc é obrigado a enfrentar. Se vc vai à escola para fazer coisas que goste e se divertir, melhor montar a escola como parque de diversões ou circos - afinal, palhaços existem aos montes.

Para ser mas direto ao ponto, eu considero errado dizer que a infância e a adolescência tem que ser um período lindo da vida em que vc pode fazer tudo o que quiser, sem cobranças e obrigações. Sem impor cobranças e obrigações excessivas, a criança/adolescente tem que ser preparado para a vida. A pessoa cresce num mundo de fantasia e não está preparada para ser adulta - continuando no mundo da fantasia. Aí vc desvia a atenção da sua vida para o futebol, para as novelas, para o mundo dos famosos, das viagens proporcionadas por drogas, etc. Se bem que, se o objetivo é ser feliz, é uma saída (ou fuga).

Quote:
Eu sou amplamente favorável a recursos audiovisuais e outros e ao Ensino à distância. Mas nada substitui um bom professor, inclusive na área de Informática. Porque é ele quem pode dar "o caminho das pedras". Cada prática em seu contexto. Eu vi uma frase que diz o seguinte: "Se um professor pode ser substituído por um computador, então ele merece sê-lo."


Muitos professores podem ser substituídos por espantalhos ou joão-bobos. Muitos alunos podem ser substituídos por bonecos de ar de porta de borracharia (são inflados, só tem ar por dentro, se movimentam e fazem barulho). É um mundo de faz-de-conta.

Não adianta mentir para si mesmo. A maioria dos alunos não quer aprender, a maioria dos governantes não se interessam pelo setor, a maioria dos professores não tem motivação e preparo, a maioria dos pais não se importam pela qualidade do ensino. O resultado que se tem é este que vemos, e a tendência é pior, com os alunos analfabetos funcionais se formando e se tornando professores. Óbvio que existem minorias que se preocupam, mas a única coisa a se esperar é que as ilhas de excelência educacional se mantenham, tanto públicas quanto privadas. Enfim, não se joga pérolas aos porcos. Sacanagem com os porcos, eles são bem mais inteligentes.

[]'s
Lviter
O Mainardi já chegou a escrever um artigo defendendo que as crianças fossem deixadas em casa, já que não fazia diferença ir à escola... Mas a verdade é que ruim com a escola, pior sem ela, pelo menos no contexto em que vivemos. E cada vez admiro mais seus pais, parabéns a eles pela "lavagem cerebral"! Smile

Eu entendi sua colocação sobre estrutura e concordo. A parte humana, tanto do lado de quem quer aprender, como do lado de quem está ali pra ensinar é a mais importante. O que eu questiono é dizer que só isso é o bastante, como desculpa para não melhorar nada...

A realidade da Educação é triste como você descreveu. Mas ela pode mudar sim, basta querer de verdade. Só que para o Sistema é bem interessante manter a maioria pensando só com a barriga... Desta forma são sempre os mesmos que se perpetuarão no poder. Ou mesmo quando um Lula "chega lá" (em termos), acaba cooptado em maior ou menor escala pelos esquemas reinantes...

O professor Evanildo Bechara, a maior autoridade em Língua Portuguesa no Brasil, é professor do curso de Letras da UERJ, aqui no Rio. Ele permite que seus alunos saiam de sala quando quiserem e não reprova praticamente ninguém. Explica assim sua postura: “Quem vai reprová-los é a vida...”. As aulas dele são muito boas e estes descerebrados preferem perder a oportunidade de assistir... Problema deles...

Assumo que sempre fui mais do estilo CDF, embora apenas prestasse muita atenção nas aulas e lesse bastante, nunca fui de "estudar" propriamente. Assim, não incluindo “os lembretes” de fórmulas para Física e coisas do gênero Smile posso dizer que nunca colei, nem na escola e nem na faculdade.

Mas já dei muita, muita cola mesmo, o que também não está certo e nem fez bem a quem achou que ia se beneficiar. Hoje quando faço concursos concorrendo com estes colegas a quem dei cola, eu passo... eles não.

É... O professor Bechara está certo.
cparakawa
Para não dizer que uma escola que não consegue ensinar é inútil, fora a merenda, serve para a socialização dos alunos. Nem sei se o fato da criança ficar desocupada em casa/na rua seja tão ruim. Pode ser que o fato da criança/adolescente ser obrigada a bater ponto na escola seja um adestramento para o mercado de trabalho. Acho que é muito dinheiro jogado fora por tão pouco.

No quesito "lavagem cerebral", também vale frisar que os exemplos familiares e do próprio bairro ajudaram bastante. Tendo crescido num bairro de imigrantes que foram para o Brasil pobres e, na maioria dos casos, sem acesso prévio à educação, ajudou. A primeira geração veio dos escombros de países destruídos, na segunda geração vc já via muitos médicos, dentistas, advogados, engenheiros, etc. Este salto qualitativo é um grande incentivo para a criança acreditar que estudar dá um futuro melhor. Seu pai pode ter sido pedreiro, mas vc se formou engenheiro civil. Seu pai pode ter sido ambulante, mas vc consegue ser representante comercial de uma grande empresa.

Em relação à "passar a perna" na escola, mas não ter como "passar a perna" na vida, eu concordo. Eu não colava no primeiro grau porque era fácil demais. No segundo grau, mesmo não prestando atenção às aulas, eu estudava numa classe em que a maioria era autodidata. Somado ao fato de que eu tinha uma memória de curto prazo boa, nem precisava colar. Na faculdade ferrou, eu colava mesmo porque a maioria das matérias eram ministradas como lixo e eu tinha que passar. Aliás, eu não só colava como passava a cola - existia não só uma organização entre os alunos como a aplicação e aprimoramento de técnicas, colar também ensina. Mas a vida cobra, aprendi na marra no mestrado. Não foi tão ruim, o conteúdo que tive que na pós era umas 4 ou 5 vezes maior do que me foi exigido na faculdade, então não foi uma perda tão grande. Fora que o que eu não aprendi em aula na faculdade, boa parte eu aprendi para fazer a prova de entrada no mestrado. Mais ou menos como ser bacharel em direito e conseguir passar na prova da OAB. Mesmo assim, não me arrependo não, o que ficou pra trás foi e é desnecessário pra mim. Curriculum obrigatório mal feito dá nisto. No mestrado, eu descobri que o curriculum é montado não por desleixo ou visando prioritariamente as necessidades dos alunos. O mais forte é a briga política das diversas áreas, então dá pra amenizar a situação dos alunos que colam.

E isto é passsado. Antigamente se dizia "quem não cola, não sai da escola". Hoje, vc só não se forma se não bater ponto. Em quase todas as faculdades particulares, aluno que paga não pode ser reprovado. A cola virou uma curiosidade dos tempos antigos, embora alguns poucos ainda precisem usá-la. Talvez seja uma evolução, lembrando que evolução não é melhora, evolução é adaptação.

[]'s
phantombr
Pra começar, não vou responder todos os que fiquei com vontade. senão daria muito texto. Agora sim:


Lviter wrote:
Assumo que sempre fui mais do estilo CDF, embora apenas prestasse muita atenção nas aulas e lesse bastante, nunca fui de "estudar" propriamente.

É o meu caso... sem estudar eu me virava, por isso acho que quem estuda em horário alternado tem a OBRIGAÇÃO de conseguir.


cparakawa wrote:
Eu ainda acho que a parte mais importante para resolver o problema é o aluno, concordando com o phantombr. Se o professor é vagabundo ou fraco, o aluno tem como reclamar e mesmo boicotar o professor.

Exato, a menos que seja CÔMODO para o aluno manter a situação.


Liques wrote:
Não sei se vocês tem uma mente 'fresca' do ensino fundamental, eu tenho e lembro muito bem dos problemas. Hoje os alunos também tem grande parcela de culpa...

Obrigado pelo apoio.


cparakawa wrote:

Não adianta mentir para si mesmo. A maioria dos alunos não quer aprender, a maioria dos governantes não se interessam pelo setor, a maioria dos professores não tem motivação e preparo, a maioria dos pais não se importam pela qualidade do ensino.

Obrigado pelo apoio.


Lviter wrote:
Mas pense em adolescentes... ou mesmo crianças... Que nível de discernimento e articulação se pode esperar que tenham para reagir e protestar?

Nenhum, por isso elas tem uma coisa chamada "Representante Legal" que é quem deve ter o discernimento por elas até que atinja maturidade.


Livter wrote:
Eu sempre dou opções, exatamente por isso. Só "obrigo" a ler (mas normalmente também dou a opção de ver os filmes adaptados da obra) alguns clássicos indispensáveis a cultura de qualquer um (mas também dou uma lista enorme pra escolher e oriento). O hit entre minhas alunas este ano por exemplo foi a série "Crepúsculo"...

Eu lí "Crepúsculo". Ja ví até o filme. Olha.. sendo pra fomentar a leitura.. ta valendo.
cparakawa
phantombr wrote:
cparakawa wrote:
Eu ainda acho que a parte mais importante para resolver o problema é o aluno, concordando com o phantombr. Se o professor é vagabundo ou fraco, o aluno tem como reclamar e mesmo boicotar o professor.

Exato, a menos que seja CÔMODO para o aluno manter a situação.


Nem sei se é questão de comodidade. Acho que a maior parte dos alunos nem tem idéia de que a educação pode fazer a vida deles melhor.

phantombr wrote:
Lviter wrote:
Mas pense em adolescentes... ou mesmo crianças... Que nível de discernimento e articulação se pode esperar que tenham para reagir e protestar?

Nenhum, por isso elas tem uma coisa chamada "Representante Legal" que é quem deve ter o discernimento por elas até que atinja maturidade.


Mas se os próprios representantes legais (os pais, em geral) empurram a tarefa de educar para o professor, e o professor não tem condições de fazer isto sozinho, vc fica andando em círculos. Fora que o normal é o brasileiro não ter discernimento e articulação mesmo após a maturidade; se for maturidade mental, menos ainda - um problema "tostines".

O problema de ser muito frio/racional para avaliar qualquer problema "social" é que se chega num nó difícil de desatar. Até hoje, eu nunca vi nenhum projeto para resolver o problema de uma educação universal e de qualidade no Brasil, sempre vc se centra em paliativos ou em objetivos parciais, o mais grave vc empurra com a barriga. E aí a situação vai se deteriorando. Aí sim eu tenho certeza que é uma questão de COMODIDADE para a maior parte dos envolvidos. A conta vai vir no futuro, as pessoas apostam que este futuro só chega quando elas estiverem fora do problema. Em termos gerais, é assim que se deu a crise mundial de crédito que vemos hoje.

[]'s
phantombr
cparakawa, no fim das contas, somos alguns poucos preocupados com a situação de outros tantos que provavelmente não tem consciência que estão prejudicando a si mesmos quando não dão devida atenção à educação formal. É isso? Bom... se for, eu assino em baixo.
cparakawa
phantombr wrote:
cparakawa, no fim das contas, somos alguns poucos preocupados com a situação de outros tantos que provavelmente não tem consciência que estão prejudicando a si mesmos quando não dão devida atenção à educação formal. É isso? Bom... se for, eu assino em baixo.


Olha, eu sou consciente do processo de imbecilização em curso. Só que eu não estou preocupado. Já foi o meu tempo disto. Não é questão de aspirar a um futuro melhor. A maioria prefere a preguiça e o comodismo. Democracia. Você não vai matar o indivíduo que prefere a situação atual - matar em termos biológicos, intelectualmente já está em modo "zumbi". Que cada um viva da forma que seja melhor, se isto o torna mais feliz / satisfeito com a vida. No caso dos professores, o ímpeto inicial se esvai diante de uma guerra perdida. Vc pode ganhar algumas batalhas; se isto é suficiente, ótimo. "Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece".

[]'s
Lviter
cparakawa wrote:
phantombr wrote:
cparakawa, no fim das contas, somos alguns poucos preocupados com a situação de outros tantos que provavelmente não tem consciência que estão prejudicando a si mesmos quando não dão devida atenção à educação formal. É isso? Bom... se for, eu assino em baixo.


Olha, eu sou consciente do processo de imbecilização em curso. Só que eu não estou preocupado. Já foi o meu tempo disto. Não é questão de aspirar a um futuro melhor. A maioria prefere a preguiça e o comodismo. Democracia. Você não vai matar o indivíduo que prefere a situação atual - matar em termos biológicos, intelectualmente já está em modo "zumbi". Que cada um viva da forma que seja melhor, se isto o torna mais feliz / satisfeito com a vida. No caso dos professores, o ímpeto inicial se esvai diante de uma guerra perdida. Vc pode ganhar algumas batalhas; se isto é suficiente, ótimo. "Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece".

[]'s


Ou como diria Mark Twain (frase cruel, mas verdadeira):

Quote:
Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seríamos bem sucedidos. (Mark Twain)
cparakawa
Lviter wrote:
Ou como diria Mark Twain (frase cruel, mas verdadeira):

Quote:
Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seríamos bem sucedidos. (Mark Twain)


Darwinismo social. É mais fácil acreditar nele do que no original.

Eu dou graças aos céus do povo, em geral, não ser chegado ao estudo "hardcore". Graças a isto, mesmo eu não sendo esforçado, pude entrar nas escolas de primeira linha que quis.

A realidade só é cruel se vc se recusa a encará-la de frente. Very Happy

Como dizia meu avô, sonhar é para os fracos. Os fortes constroem seu próprio futuro, pois quem vive de ilusão é um banana. Acho que ele deveria ter trabalhado melhor a frase. Very Happy

[]'s
phantombr
cparakawa wrote:
... sonhar é para os fracos. Os fortes constroem seu próprio futuro, pois quem vive de ilusão é um banana.


Certamente, tem que melhorar a frase. Laughing

Mas gostaria de saber se você não considera sua atitude quanto ao comentário:

"Olha, eu sou consciente do processo de imbecilização em curso. Só que eu não estou preocupado.
Já foi o meu tempo disto."

um tanto quanto egoista / egocêntrica, tendo em vista que te exime da responsabilidade social / para com o outro / ou mesmo para com o país, já que se a sociedade não evolui, o país não vai pra frente.

Eu gostaria que tomassem jeito sim, pois também tive muita facilidade em chegar aonde estou graças aos imbecís que não tinham interesse em estudar. (Por outro lado... tenho sentido que minha capacidade está em des-uso).
cparakawa
phantombr wrote:
Mas gostaria de saber se você não considera sua atitude quanto ao comentário:

"Olha, eu sou consciente do processo de imbecilização em curso. Só que eu não estou preocupado.
Já foi o meu tempo disto."

um tanto quanto egoista / egocêntrica, tendo em vista que te exime da responsabilidade social / para com o outro / ou mesmo para com o país, já que se a sociedade não evolui, o país não vai pra frente.


Vamos por partes. O ser humano, em sua maioria é egoísta. Em vez de falar que é defeito da criação, é um atitude básica de sobrevivência. O grande problema é que meu egoísmo é baixo. Eu me preocupo muito com as pessoas ao meu redor e não me importo em gastar tempo/dinheiro para ajudá-las. Então, no microcosmo, eu faço o que posso.

Em termos macro, entretanto, a coisa não é assim. Existem dois ditados contraditórios, o de que "uma andorinha só não faz verão" e "trabalho de formiguinha". Eu opto pelo primeiro. Chutando porcentagens, se 20% opera de forma socialmente responsável e 80% por egoísmo, o esforço formiguinha não resolve. Se 1 constrói e 4 não fazem nada/quebram, não resolve. É uma generalização dupla, mas serve como parâmetro inicial.

Eu perdi o ímpeto de mudar o mundo por um grande problema: absorção de conhecimento. Quanto mais você entende como as coisas funcionam, mais vê que as coisas são assim porque somos primitivos em maior ou menor grau. Tanto faz se vc for materialista ou se vc for religioso/espiritualista. A sociedade é assim como reflexo dos seus próprios membros. Cada país tem os governantes que merece, tirando uns invadidos. Mesmo em caso de ditaduras não plantadas em maior parte por agentes externos, se tem ditadura é porque o povo é desunido e/ou frouxo. Nunca vi algo que fugisse disto.

Aí vc para e pensa: "se eu me abstenho de trabalhar pela sociedade, o que muda?". Se sua ação for direta e restrita, pode melhorar a vida de algumas pessoas, mas o quadro geral continua o mesmo. Se sua ação for política e abrangente, é capaz de piorar as coisas. Visto que pessoas que querem mudar o mundo para melhor não se entendem direito. Cada um elege uma prioridade diferente na hora de pensar um mundo melhor. É uma das características mais comuns da coletividade humana: quem pensa em benefícios próprios - seja lá de que ordem - consegue se entender e fazer acordos para que os objetivos se realizem. Quem pensa no bem-estar da coletividade, age de forma desordenada, cada um para um lado.

Trocando em miúdos, quem pensa em si mesmo ganha poder e forma poderosos grupos aguerridos pelos seus interesses. Quem pensa na ação social, forma grupelhos dispersos. Pense no poder das grandes corporações e pense em grandes ONGs sérias e efetivas. Das primeiras, são inúmeras em todos os países. Das últimas, são poucas. Em escala mundial, dá pra citar muito poucas, como a Cruz Vermelha, Exército da Salvação e WWF - GreenPeace eu não considero. Eu consigo citar umas 80 corporações mundiais, a mais fraca delas mais poderosa do que qualquer ONG mundial.

Não adianta lutar se a guerra é perdida. Travo pequenas lutas locais, nas quais sei que meu esforço não vai ser necessariamente em vão. Deixei de me iludir, cada um faz o que pode dentro dos seus limites. Grandes objetivos, inalcançáveis, são burrice, fruto de falta de visão e desperdício de tempo/dinheiro. Eu era muito mais burro, reconheço.

Quote:
Eu gostaria que tomassem jeito sim, pois também tive muita facilidade em chegar aonde estou graças aos imbecís que não tinham interesse em estudar. (Por outro lado... tenho sentido que minha capacidade está em des-uso).


É assim mesmo que a banda toca, vc passa por períodos de maior e de menor trabalho intelectual. Só que tem gente que nunca trabalhou intelectualmente. E nem tem intenção. Estão felizes e satisfeitos assim. Seria injustiça de minha parte querer que eles ficassem infelizes, estudando. Note conceitos de justiça são diferentes. Para algumas pessoas, o justo é o que é certo, em termos morais e éticos. Para outros, o justo é que ele acha melhor. Para outros, o justo é o que o arremedo melhor pra todo mundo. É nesta última "justiça" que eu me baseio, visto que a moral/ética são decrépitas no Brasil e que eu não sou o dono da verdade.

[]'s
phantombr
É como se no seu raio de influência você operasse de forma a possibilitar essa evolução social.
Compreendo, e novamente concordo com você, porém com uma resalva.

Sempre que tenho a possibilidade de contribuir para o crescimento de uma micro-sociedade (vamos dizer.. o local de trabalho por exemplo; ou a família até 2º grau de parentesco; ou os colegas de faculdade) ocorre uma breve seleção que realizo subjetivamente e arrisco dizer até inconscientemente.

Tenho tendência a ignorar pessoas que, apesar de estarem em meu raio de influência, não estão (no meu julgamento) aptas ou 'merecedoras' de receber minha contribuição. Isso geralmente ocorre com pessoas mesquinhas, orgulhosas, ou que agem por maldade para prejudicar os colegas.

É claro que agir dessa maneira não me dará o céu como recompensa, porém me reservo o direito de assim fazer.

Cump's
phantombr
É como se no seu raio de influência você operasse de forma a possibilitar essa evolução social.
Compreendo, e novamente concordo com você, porém com uma resalva.

Sempre que tenho a possibilidade de contribuir para o crescimento de uma micro-sociedade (vamos dizer.. o local de trabalho por exemplo; ou a família até 2º grau de parentesco; ou os colegas de faculdade) ocorre uma breve seleção que realizo subjetivamente e arrisco dizer até inconscientemente.

Tenho tendência a ignorar pessoas que, apesar de estarem em meu raio de influência, não estão (no meu julgamento) aptas ou 'merecedoras' de receber minha contribuição. Isso geralmente ocorre com pessoas mesquinhas, orgulhosas, ou que agem por maldade para prejudicar os colegas.

É claro que agir dessa maneira não me dará o céu como recompensa, porém me reservo o direito de assim fazer.

Cump's
cparakawa
phantombr wrote:
É como se no seu raio de influência você operasse de forma a possibilitar essa evolução social.
Compreendo, e novamente concordo com você, porém com uma resalva.

Sempre que tenho a possibilidade de contribuir para o crescimento de uma micro-sociedade (vamos dizer.. o local de trabalho por exemplo; ou a família até 2º grau de parentesco; ou os colegas de faculdade) ocorre uma breve seleção que realizo subjetivamente e arrisco dizer até inconscientemente.

Tenho tendência a ignorar pessoas que, apesar de estarem em meu raio de influência, não estão (no meu julgamento) aptas ou 'merecedoras' de receber minha contribuição. Isso geralmente ocorre com pessoas mesquinhas, orgulhosas, ou que agem por maldade para prejudicar os colegas.

É claro que agir dessa maneira não me dará o céu como recompensa, porém me reservo o direito de assim fazer.

Cump's


Eu vou mais longe, tento ajudar até quem não quer ser ajudado. Mas meu "simancol" sempre bate depois de um tempo. É mais fácil fazer algo quando se sabe que dará frutos, o difícil é plantar no deserto. Voltando ao tópico, a meu ver, a educação brasileira (universal/geral) é como plantar no deserto, sem chuva, sem bom sistema de irrigação, num terreno que vai perdendo os nutrientes. É uma ou outra planta que se salva, é um ou outro local que ainda apresenta condições. Idealismo e razão muitas vezes são contraditórios, chega uma hora que vc tem que optar por um deles. Ou por nenhum deles.

[]'s
nando
A falta de interesse dos alunos é muito grande.

Na minha opinião, o governo deveria investir forte no ensino fundamental, porque é onde a pessoa está se formando, criando os seus valores e personalidade.
A escola deveria ser de turno integral e a metodologia de ensino deveria ser modificada, para deixar as aulas mais atrativas aos alunos e incentivar os alunos a adquirir o hábito pela leitura, não pelo que a escola impõem, mas pelo que o aluno goste.

Quando eu fiz o fundamental, os meu professores eram rígidos. Os deveres de casa eram cobrados e quem não fizesse perdia ponto. Os trabalhos também eram cobrados e se não fossem entregados no dia, não teria o mesmo valor. Os professores raramente faltavam, e se faltassem, os pais reclamavam com a direção. E apesar de ninguém gostar dos professores, todos se esforçavam, porque sabiam que poderia rodar.
Nós se mudamos e na escola onde a minha turma estuda, TODO dia falta algum professor. Os alunos são pouco cobrados nos deveres, trabalhos e provas. Todos os alunos faltam com bastante freqüência, exceto a minha irmã, por que a mãe não deixa e os alunos vão só por ir.

Pior ainda, estava acontecendo na cidade do rio, onde a aprovação era automática. Os alunos passavam sem saber nada. Eu vi no jornal relato de mães, de que os filhos chegavam na 4 série sem saber ler e escrever direito.
cparakawa
nando wrote:
Na minha opinião, o governo deveria investir forte no ensino fundamental, porque é onde a pessoa está se formando, criando os seus valores e personalidade.

A escola deveria ser de turno integral e a metodologia de ensino deveria ser modificada, para deixar as aulas mais atrativas aos alunos e incentivar os alunos a adquirir o hábito pela leitura, não pelo que a escola impõem, mas pelo que o aluno goste.

Pior ainda, estava acontecendo na cidade do rio, onde a aprovação era automática. Os alunos passavam sem saber nada. Eu vi no jornal relato de mães, de que os filhos chegavam na 4 série sem saber ler e escrever direito.


Então, o governo não investe no ensino fundamental porque não dá voto. Se o governo impõe algo que teoricamente ele considera melhor, é uma ditadura. Se o governo representa o povo, de forma democrática, ele responde aos anseios da população em geral. No caso brasileiro, não dando valor à qualidade do ensino fundamental.

Se a escola fosse de turno integral e com tempo para os professores se dedicarem mais, seria necessário um maior número de professores e um salário mais condizente. Quem vira professor, ou não tem opção melhor, ou tem vocação forte. Era mais ou menos como os que viravam padre antigamente. Se vc tem acesso a melhores opções de trabalho do que as dos atuais professores de ensino fundamental da rede pública, vc só vira professor por vocação. Num caso mais extremo, é que nem o sujeito que opta por ser PM, arriscando a vida. É uma questão de escolhas que vc mesmo constrói dentro do que a vida lhe proporciona. Escola em período integral para todos é algo bonito no papel, mas os obstáculos operacionais são enormes e nem governo e nem população consideram que compensa. Então, se fica no discurso.

Aprovação automática. O sujeito termina o ensino médio sem saber ler e escrever, é só ir pra bater o ponto. É só perguntar pra qualquer professor universitário o índice de analfabetos funcionais nas faculdades que não são de primeira linha. Eu nem tenho mais certeza de que aprovação automática é um absurdo. Transforma a escola em creches, mas isto tem lá suas vantagens. É ruim para quem quer realmente estudar, mas pra maioria dos alunos, é cômodo e confortável. E assim caminha nossa democracia.

Eu vejo a educação pública como um mercado, em que governantes são vendedores e população/eleitores são compradores. E o mercado se ajusta. Os governantes oferecem o que o povo quer, que há escolas e com merenda (e bolsafamília). A qualidade nem é tão importante, e se a escola for muito exigente eles não querem, pois desanima a criança e obriga os pais a darem maior suporte. Mesmo que um governante tente implantar escolas melhores, elas vão voltar ao padrão "normal" por ajuste de oferta/demanda.

Querer que um governo IMPONHA algo para a população, é ditadura. E são pouquíssimas as ditaduras "iluminadas", que realmente mudam um país para melhor. Como a Coréia do Sul e o Chile, que foram ditaduras brutais, mas conseguiram grandes avanços econômicos e educacionais. Notadamente a Coréia do Sul, que teve uma reforma educacional bizarra na ditadura. E que permitiu a criação e consolidação de conglomerados de tecnologia. A Coréia do Sul, 50 anos atrás, era um país mais miserável do que qualquer estado brasileiro. Na América do Sul, só era comparável à parte pobre da Bolívia. E o preço pago foi uma ditadura brutal, sendo que a maior probabilidade é a ditadura fazer só m*rd*. E aí, quem vai encarar?

[]'s
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